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domingo, 17 de setembro de 2017

Você merece!

Tenho percebido todos os dias que dar e receber amor é mais difícil do que parece. A entrega diária de si mesmo e o relacionar-se com 7 bilhões de indivíduos, de forma metafórica, é claro, pode ser bastante desgastante. Quando pensamos como amamos tantas pessoas ao nosso redor e porque não sabemos o que fazer para demonstrar o amor, surge aquele sentimento de impotência, insuficiência. Mas não se cobre tanto, é humanamente impossível dar atenção o tempo todo para todos ao nosso redor. Como poderíamos então demonstrar nossos sentimentos em um mundo no qual o relógio palpita sobre escrivaninha?
Relacionamentos pessoais de um modo geral exigem muito de nós. Não é por menos que um número expressivo de casamentos, namoros e amizades tem sucumbido ao fracasso, seja pelas diferenças, medos ou distâncias. No entanto, isso não quer dizer que sejam - ou tenham sido- menos valiosos. Apenas diz que o óbvio, a pressão psicológica pode esmagar nossos relacionamentos a qualquer minuto. Obs.: Desconfigure do cérebro a ligação de relacionamento a algo de cunho conjugal, estamos vendo algo muito mais amplo.
Mais complexo ainda isso se torna quando mencionamentos as diferenças de personalidade. Uma pessoa introvertida, por exemplo, pode muito bem ser falante, receptiva e até viver cercada de pessoas, e nem por isso deixará de ser quem é, dentro de si existem alguns limites a serem respeitados. O que configura uma pessoa como introvertida, pelo menos segundo a teoria de Jung, é o fato de que ela demanda sempre de um tempo sozinha para "recarregar as baterias".E
nquanto isso, os extrovertidos precisam e querem o contato humano, a companhia é o que os anima. Imagine o quão desgastante é para um introvertido explicar para um extrovertido que ele querer ficar sozinho não significa falta de amor...  Isso só para começo de conversa.
É claro que um introvertido gosta da companhia dos outros, mas isso demanda de si. Porém, o extrovertido também precisará demandar de si o respeito ao espaço pessoal do outro para que esse relacionamento prospere. E então enxergamos o fato, amar e dar amor é um comprometimento pessoal, no qual estamos em constante evolução, a cada instante nos expressamos de um jeito particular metamórfico. E entender isso demanda muita maturidade.
Contudo, precisamos compreender tudo isso para aprender a dar e receber o amor. Estamos cercados de pessoas que gostam e reparam em nós, nos admiram, e também de pessoas que verdadeiramente nos amam. Não podemos fechar nossa mente para uma expectativa e nos esquecer da realidade. Do contrário, temos de aprender a receber o amor na forma que ele aparece. Leia-se aqui, amor não quer dizer abuso. Ou seja, nós não conhecemos a vivência de cada um para julgar sua expressão de amor, uma pessoa pode gostar mais de abraços, outra de presentear, outra sorri de longe, e todos são modos de amar. 
Aprender a receber o amor quer dizer aceitar elogios, mesmo que te deixem sem graça, ou você esteja naqueles dias em que nada faz sua autoestima melhorar. Ainda estou aprendendo também a expressar o que sinto, a elogiar e ser sincera sobre meus sentimentos. Aprendendo também a aceitar quando me chamam de "bonita". Aprendendo a acreditar nos elogios, porque isso não é ser iludida, isso é dar uma chance para si mesmo e receber o amor que você merece! Eu sei, todos já nos ferimos de algum modo em algum momento. Pensamos que fomos feitos de bobo e que nada valeu a pena. Mas como já dizia meu amigo poeta: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". (PESSOA, Fernando)
Guardar amor a sete chaves não faz bem para ninguém. Um dia vamos todos morrer, enquanto isso, temos todo tempo do mundo para espalhar amor. Não quer dizer que precisamos deixar nossa essência, ou personalidade ou qualquer outra coisa, de outro modo, significa crescer emocionalmente. Maturidade emocional não tem a ver com idade, mas com a compreensão das diferenças entre os seres humanos ao nosso redor, com respeito ao mundo de um modo geral, com entender que não estamos sozinhos e acima de tudo, com o autoconhecimento. Esse não foi apenas mais um texto de auto-ajuda da internet, esse é um convite, para você se permitir amar e ser amado, afinal, você merece!

domingo, 2 de outubro de 2016

Teoria dos Buracos Negros


Resultado de imagem para buraco negro foto "Já fazia algum tempo que nada mais fazia algum sentido. Trocadilho engraçado esse de “fazia”, né? Não muito, eu sei, nunca fui boa em comédia. Mas a questão era bem essa, o tempo passava e cada vez menos Melissa se encontrava. Aos poucos foi perdendo a vontade de tudo e de todos. Porque dançar na chuva se ela se molharia? Porque rir sem motivo se isso seria tolice? Porque? Porque?
Os porquês sempre vinham, mas nunca com respostas. Afinal, quem é que responderia a suas perguntas, ou melhor sua ausência de perguntas. Não havia o que perguntar, porque ela não queria mais pensar. Pensar dói às vezes, não é mesmo? Pois é, não há muito o que fazer quanto a isso. Mas pensar pode ser muito bom também, é nos momentos de mais profundos pensamentos que temos nossas grandes iluminações.
Mas deixando a parte minha filosofia de botequim, voltemos à história. Ela sentia tudo se esvaindo, alegria, animo razões e até o amor. Não havia quase nada mais nesse buraco que era o coração. Um vazio imenso e insondável, que nem ela conseguia entender. Depois que ela entrara nesse buraco negro era como se nada mais importasse, estava perdida dentro de si.
Chegava à escola, voltava, fazia suas obrigações, deixando as suas paixões e antigas alegrias de lado, já era doloroso e moroso demais fazer o que era preciso, quem diria o resto. Cada dia era uma luta constante contra si mesma. Olhava para o espelho e mal sabia quem era. Havia momentos em que só queria ser viver, mas outros... Bem, digamos que por vezes a morte lhe era bastante convidativa.
As pessoas ao seu redor percebiam que algo estava diferente, porém, não devia ser nada de mais, pensavam elas.  Ou ainda, o que fazer?- os que sabiam o que se passava. É sempre complicado lidar com a dor dos outros, afinal lidar com a nossa já é complexo, agora com a de quem se ama... Uma amálgama- vulgo mistura- de preocupações ia se formando: Até onde aquilo ia levar? Iria passar? O que fazer? Como ajudar?
Seus pais se preocupavam é claro, mas como pais pensavam- queriam acreditar- que era só adolescência. Até porque, pais sempre querem pensar o melhor, não é mesmo? E sim, ela fazia o possível para esconder.
E foi isso mesmo que ela começou a fazer, se esconder de si mesma. Ferindo a si mesma, bebendo, se isolando em uma bolha, aonde nada e ninguém poderia lhe atingir. Mas ela sabia que isso era ilusão. E sabe o que doía mais? O fato dela não saber mais o que fazer.
Foi então que naquele dia ela recebeu aquele texto para ler. Parece bobeira pensar que algo que lemos pode nos atingir tanto, mas algumas vezes atinge. Ela sentou em sua cama e chorou baixinho. Queria quebrar as paredes e barreiras que formara dentro de si, mas por onde começar?
Quando já estava de alma quase lavada teve uma brilhante ideia. Escreveu em um papel tudo aquilo que mais lhe afligia, desde bem pequena até então. Descontou suas dores e raivas naquele papel. Depois amassou bem e jogou na privada, esse era o lugar delas, no esgoto.
Sentou em sua cama e pensou “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Bem, não sabia bem como isso funcionava, seria literalmente? Então apenas desejou que isso acontecesse. Começava então a ver a luz.
Sabe, Alice caiu na Toca do Coelho escura e que parecia sem fim, mas foi assim que chegou ao País das Maravilhas. E bem, lembrando um pouco de física, o buraco negro engole tudo que vê, mas então nos leva para outra dimensão. Isto é, de acordo a teoria de nosso querido Hawking, o buraco negro pode ser uma passagem para outro universo. Pois é, talvez buracos negros tenham sua necessidade.
Talvez, na verdade, com certeza, Melissa tem sua necessidade. E ela sabe disso, sabe que a alegria virá no amanhã e que ela não deve se abater. Se ela se abstiver de suas pequenas alegrias, de sua dança, de seu jeito alegre de ser ela se perderá. E por mais que altos e baixos venham, ela sabe como é linda por dentro e por fora. E foi assim que uma estrela renasceu."
Giovana de Carvalho Florencio


O "Setembro Amarelo" já findou, mas a prevenção contra o suicídio precisa continuar o ano todo. É importante lembrar que a depressão está entre as principais causas deste. Pensado nisso escrevi esse conto contendo alguns sintomas bem claros dessa doença. Portanto, se você tem passado por alguma situação do tipo ou conhece alguém que passa, busque ajuda. Não tente enfrentar tudo sozinho. Assim como Melissa conseguiu, outras pessoas podem conseguir superar esse desafio que aflinge a tantas pessoas. A depressão é aquela doença que vai matando por dentro até que não sobra mais nada- ou como no conto, sobra apenas um buraco negro. Mas saiba, é possível superá-la, por isso é tão importante contar com a ajuda de um profissional da área e também de amigos e familiares. É válido lembrar que não apenas a depressão pode levar ao suicídio, mas outros problemas de ordem familiar, profissional e psicológica em geral. Para quem lida com alguém muito querido passando por isso, é de extrema importância saber ouvir e não julgar. Tudo que quem está passando por essa situação precisa é se sentir amado e compreendido. Se você está passando por algo do tipo. lembre-se: Você não está sozinho! Espero sinceramente que esse texto possa ajudar alguém!

Vídeo de um curta muito interessante sobre o tema: 
https://www.youtube.com/watch?v=3AYBeLj2o1M

Links interessantes:
http://oficinadepsicologia.com/depressao/suicidio
http://www.setembroamarelo.org.br/

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