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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Lady Bird

Lady Bird - A Hora de Voar : Poster
Data de lançamento: 15 de fevereiro de 2018 
Duração: 1h 35min
Direção: Greta Gerwig
Gêneros: Drama, Comédia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Christine McPherson (Saoirse Ronan) está no último ano do ensino médio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia firmemente rejeitada por sua mãe (Laurie Metcalf). Lady Bird, como a garota de forte personalidade exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto sua hora não chega, no entanto, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro, típicos rituais de passagem para a vida adulta e inúmeros desentendimentos com a progenitora.

Opinião: Lady Bird é um filme diferente, inegavelmente curioso e divertido, e principalmente, é um filme sobre a natureza do ser humano. Não vou negar, não achei o impacto do filme tão grande quanto poderia ser e particularmente acredito que outros do gênero são mais marcantes, por exemplo, "Boyhood" ou "Call me by your name". No entanto, não posso mentir, nossa Lady tem seu charme.
Uma moça adolescente no início dos anos  passa pela fase de descobertas da vida.  Cercada por tradição, religião e uma mãe 2000 bastante protetora ela quer ser dona de si mesma. Se auto intitula Lady Bird, nome próprio, literalmente próprio. Encontra-se meio a dúvidas acerca do futuro, afinal, para qual Universidade ir? O que é o amor? O que é o prazer? Como é ser o centro das atenções, ao menos um pouco?
A atriz Saoirse Ronan consegue trazer leveza e credibilidade para a personagem, o que basicamente é um dos fatores principais para o sucesso da trama. A personagem da mãe é tátil e verossímil, alguém compreensível e por quem sentimos empatia. Infelizmente, apesar da boa direção e protagonistas fortes os outros personagens não marcam bastante para serem relembrados, visão de quem viu o filme há alguns meses já e lembrou-se esporadicamente com saudosismo. Mas não, não pense que isso desmerece o filme, o protagonismo da relação filha e  mãe, de fato, se mostra ser o pilar central da obra. 
O longa com seu ar de realismo nos busca para mostrar a natureza do cotidiano e  a vida de uma garota comum. O grande destaque é o próprio realismo da obra e a empatia com o roteiro, talvez pela relação da diretora do longa com sua própria vivência. A trama não tem um grande clímax, mas aposta na naturalidade e singularidade que faz relembrar da adolescência com compreensão e saudade. Se foi por isso a indicação ao Óscar? Sim, com certeza. Nem sempre filmes devem ser sobre guerras, grandes romances ou reviravoltas. Às vezes tratar a vida como ela é pode ser a melhor coisa a se fazer. Aqui se trata apenas de ter Empatia, e é exatamente por isso que o recomendo.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Aos teus olhos - Crítica


Aos Teus Olhos : Poster
Data de lançamento: 12 de abril de 2018 
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil
Tempo de duração: 1h 30min
Direção: Carolina Jabor

Sinopse: Rubens (Daniel de Oliveira) é um professor de natação carismático e extrovertido, que dá aulas para pré-adolescentes em um clube. Querido por todos devido ao seu jeito brincalhão e parceiro, ele se vê em apuros quando um de seus alunos, Alex (Luís Felipe Melo), diz à mãe que o professor lhe deu um beijo na boca no vestiário. Alegando inocência, Rubens é acusado pelos pais da criança e passa a ter que lidar com um verdadeiro linchamento virtual, que tem início através de mensagens de WhatsApp e explode de vez quando chega ao Facebook.

Opção: O filme começa com tensão, a música complementa a trama, uma criança indo ao campeonato de natação. O afeto da mesma para seu professor de natação e o conflito familiar parecem criar um ambiente perigoso. É então, após uma derrota no campeonato, que ocorre o fato central da trama: o pai do menino aprece no clube atordoado. O professor teria beijado seu filho. 
A falta de provas, a situação controvertida e a ausência de depoimento do menor despertam um sentimento absurdo de incerteza e de uma possível injustiça. Como que sem provas, todos poderiam incriminar socialmente e nas redes sociais ( que é o instrumento de acusação mais perigoso no longa) o possível abusador? O filme relembra casos reais como o Caso da Escola Base, em que todos profissionais de uma escola tiveram sua vida destruída por uma denúncia falsa de uma mãe desesperada e uma criança com imaginação fértil.
Na trama em questão, a preocupação e a insinuação das pessoas de que uma possível homossexualidade do professor poderia justificar ou ser a causa do alegado fato é de se preocupar. Justificar? Como se justifica um abuso infantil? E mais, como a homossexualidade  seria a causa para tal? Vários pontos controvertidos são levantados e vemos algo que se trata mais do que justiça, é uma de vingança pessoal.
Assistir "Aos teus olhos" é exatamente uma análise pessoal do fato, tal qual em Dom Casmurro, vemos um caso unilateral e temos de interpretar por nós mesmos. No caso em tela, trata-se ainda de um julgamento prévio, quantas vezes julgamos as pessoas sem sequer saber dos fatos na sua totalidade ou ouvi-las. Digo mais, quanto ainda falta para que as crianças sejam ouvidas e entendidas de modo a evitar falsas verdade? Veja o longa, reflita e tire suas próprias conclusões.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Eu Não Sou Um Homem Fácil

Je Ne Suis Pas Un Homme Facile : PosterDuração 1h 38min
Direção: 
Gênero Comédia
Nacionalidade França


Trailer:



Opinião:


Je Ne Suis Pas Un Homme Facile : Foto Vincent Elbaz
Uma comédia em que os papéis são invertidos, mostrando todo sexismo que há no mundo. Damien, o clássico macho alfa acorda em um mundo invertido. Nesse mundo, se apaixona por uma escritora famosa e dominadora, Alexandra. Mas não, não é o romance que ganha a trama, mas as nuances da história, pura, crua e simples.

"Eu não sou uma mulher fácil, é uma frase a qual estamos acostumados a escutar". Uma mulher que não cede a cantadas, é forte, crítica, é um tanto quanto difícil não é mesmo. Em nossa realidade é muito raro que homens recebam cantadas invasivas ou até mesmo sejam chamados de difíceis, até porque, convenhamos, a maior parte do tempo são eles que escolhem quem e o quê desejam. Agora imagine só se o mundo inteiro se invertesse e por alguns dias os homens passassem por tudo que passamos. Será que tudo é realmente uma questão biológica?
O impacto da função social de gênero no caso em tela é explícito e mais ainda, real. Não me recordo de sequer uma cena que tenha sido absurda ou desmedida. Nesse mundo paralelo, as mulheres fazem tudo que os homens fazem, seja para bem ou para mal. Inverter os papéis é de suma importância para apontar os pontos negativos de ambos lados. Mais ainda, para fazer entender os abusos explícitos por parte da nossa sociedade patriarcal.

Agora quanto a técnica, como um bom filme francês, a critica restou impecável, os atores foram excelentes, do mesmo modo figurino e cenário, os quais nos fazem imersos a esse "novo mundo". Tudo de modo a dar melhor aproveitamento ao texto e crítica. Não há que se dizer em feminismo radical ou nada do tipo, apenas em verdade nua e crua. Se ainda não assistiu, abra sua mente e não perca tempo, recomende a todos amigos também, aposto que vão dar boas risadas e pensar bastante.

domingo, 18 de março de 2018

Panter Negra

Data de lançamento 15 de fevereiro de 2018 (2h 15min)
Direção:
Gêneros Ação, Aventura, Ficção científica, Fantasia
Nacionalidade: EUAPantera Negra : Poster

Sinopse:
Após a morte do rei T'Chaka (John Kani), o príncipe T'Challa (Chadwick Boseman) retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo. T'Challa logo recebe o apoio de Okoye (Danai Gurira), a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri (Laetitia Wright), que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia (Lupita Nyong'o), a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue (Andy Serkis), que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás.


Opinião:Desde o lançamento de PANTERA NEGRA que estou observando os comentários das pessoas, e ficando a cada dia mais instigada a assistir o filme. No entanto, a falta de tempo me levou a postergar até o dia de ontem, quando então entendi todo o rebuliço. O filme não era apenas mais um filme brilhante de ação e super heróis da MARVEL. O longa é um condensado de reflexões sociais, ações, críticas, cultura e representatividade.Logo nas primeiras cenas vemos a explicação mítica para o surgimento de Wakanda, país super desenvolvido no meio da África, mas que escolheu viver escondido para proteger seu precioso vibranium. Porém, para isso, foi necessário deixar de ajudar todos os países ao seu redor. Fato que me incomodou desde o início e será o foco na trama. Trama talvez previsível, com um vilão bem construído apesar de simples, no entanto, em que tudo se entrelaça bem como uma rede bem costurada.Dos personagens ressalto aqui as três mulheres que considero centrais na trama: Okoye, chefe guerreira do povo, extremamente forte e centrada; Nakia, representada por Lupita - linda como sempre, aparece como a amada de  T'Challa e lutando em defesa dos povos necessitados; e Shuri, a garota prodígio que controla toda central tecnológica do país. O mais belo do longa é poder ver o total empoderamento feminino, posto como algo natural. Ainda, não há submissão de uns ou de outros, apenas equilíbrio, razão e emoção.Quanto a trilha sonora, figurino e design (fotografia), os produtores buscaram equilibrar a modernidade que Wakanda teria com a cultura tradicional dos povos Africanos, seja pelas vestes coloridas, pinturas faciais, rituais de guerrilha, cenário e música com rufos e tambores em geral. Não me julgo apta o suficiente para dizer sobre a qualidade ou profundidade da apresentação, creio apenas que foi significativo para introduzir a cultura ao resto do mundo e desmistificar um pouco as ideias eurocêntricas que ainda dominam o mundo ocidental.
E por fim, traz a tão necessária representatividade negra, discutindo temas como a subjugação dos negros durante séculos, a questão dos refugiados em geral e até mesmo dos países que se fecham sem ajudar os outros. Heróis negros reais como Mandela, Malcom X e Martin Luther King já viveram entre nós há tempos, mas enfim podemos dizer que o espaço do cinema foi aberto. Terminar o filme com o coração apertado e querendo mudar o mundo é o mínimo que se pode esperar. Desse modo, indicar a todos que o assistam é o mínimo que posso fazer.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Viva- A Vida é Uma Festa


Data de lançamento: 4 de janeiro de 2018 
Duração: 1h 45min
Direção: 
Gêneros: Animação, Fantasia
Nacionalidade: EUA

Viva - A Vida é uma Festa : PosterSinopse: Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

Opinião: Viva- A Vida é Uma Festa é um filme que consegue capturar tudo que há de melhor no ser humano. Enfrenta o medo da morte e a coloca como normal dentro do contexto cultural do Día de Los Muertos mexicano.  Vai além, coloca a ideia do esquecimento como a mais cruel de todas. Antes de mais reflexões, vamos entender um pouquinho dessa história, tudo bem?

Miguel é um personagem extremamente interessante, crescendo em uma família que odeia música por motivos que ele não se importa - o tararavó largara a mulher para virar músico nas estradas- sonha em ser músico. Desde o começo fica claro seu interesse pelos sons, violões e canto. Não entende o que lhe faz tão diferente da família, porém, acha que realizar o seu sonho é o que mais importa. Pelo menos de acordo com o lema do famoso cantor e ídolo do nosso protagonista: Ernesto de la Cruz.

No famoso Dia dos Mortos, nosso jovem, por motivos peculiares, vai parar no mundo dos mortos e precisa da benção de sua família para sair. No entanto, nem sua tataravó e muito menos seus outros antepassados parecem concordar com seu sonho. O menino tem um tempo limitado para voltar ao mundo dos vivos antes que se torne um "morto". E nessa aventura de aceitação, relação familiar e muita música, Miguel conhecerá Hector - quem se tornará um grande amigo, Frida Kahlo, e acompanhado de seu cão-guia espiritual buscará o único parente que pode lhe abençoar para ser músico: seu tataravó.

Recheado de muitas cores e sons, Viva a Vida é uma festa - é cheio de músicas cativantes e personagens mais ainda. Não tem como sair da sala de cinema sem ser com os olhos cheios d'água. Aqui a vida e morte andam de mãos dadas, mas é o amor que supera tudo, e acredite, de uma forma surpreendente. A Pixar acertou em cheio, e não é por menos que o longa já foi premiado no Globo de Ouro como melhor animação do ano. Enquanto isso, aguardamos ansiosamente pelo Óscar.

Por fim, resta apenas dizer, lembre-se de COCO*, e também "lembre de mim".


"Lembre de mim
Hoje eu tenho que partir
Lembre de mim
Se esforce pra sorrir

Não importa a distância
Nunca vou te esquecer
Cantando a nossa música
O amor só vai crescer
Viva- A vida é uma festa

*Nome da bisavó de Miguel e título original do filme.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Vila


Data de lançamento: 03 de setembro de 2004
Duração: 1h 48min
Gênero: Fantasia, suspense
Direção: M. Night Shyamalan
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Em 1897 uma vila parece ser o local ideal para viver: tranquila, isolada e com os moradores vivendo em harmonia. Porém este local perfeito passa por mudanças quando os habitantes descobrem que o bosque que o cerca esconde uma raça de misteriosas e perigosas criaturas, por eles chamados de "Aquelas de Quem Não Falamos". O medo de ser a próxima vítima destas criaturas faz com que nenhum habitante da vila se arrisque a entrar no bosque. Apesar dos constantes avisos de Edward Walker (William Hurt), o líder local, e de sua mãe (Sigourney Weaver), o jovem Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) tem um grande desejo de ultrapassar os limites da vida rumo ao desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), uma jovem cega que também atrai a atenção do desequilibrado Noah Percy (Adrien Brody). O amor de Noah termina por colocar a vida de Ivy em perigo, fazendo com que verdades sejam reveladas e o caos tome conta da vila.

A Vila : FotoOpinião: Ambiente tenso, silêncio e uma pequena vila atormentada por criaturas estranhas. Ninguém sai da vila, de tanto medo de encontrá-las e ser devorado. Vários animais já morreram e só os sons dessas criaturas é perturbador. Mas é claro, como todo filme precisa de uma reviravolta, teremos uma jovem corajosa o suficiente para atravessar a floresta que os cerca, em nome do amor. Detalhe é dizer que nossa jovem protagonista é uma menina cega, que por não ver, não se assusta tanto. (Será que não tememos o que não vemos?).

Em clima de Halloween, vale mencionar que A Vila não é um filme essencialmente de terror, mas de suspense. É claro, levamos alguns sustos durante o longa, como em qualquer filme desse teor, que sejam de qualidade. Ainda, sobre a qualidade do mesmo, é pertinente mencionar a brilhante atuação da nossa jovem protagonista. E do elenco em geral. Imagem, som e figurino, ajudam a construir essa vila assombrada e isolada do mundo.
Porém, de tudo, o melhor do filme é sem dúvidas o roteiro. A trama traz com maestria todos os fatores necessários para uma boa obra, romance, clímax, reflexão e crítica social. Sem muito mais informações, e nenhum spoiler, recomendo que assistam A Vila, preparem seus corações e apreciem essa interessante e um pouco assustadora obra da sétima arte.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Crítica- Capitão Fantástico

Mais uma recomendação de um caro amigo, Capitão Fantástico é um filme recente que não foi tão comentado assim, porém, eu acredito que deveria ser. A história de uma família nada convencional nos faz refletir sobre a forma como vivemos e sobre o modo educacional predominante. Esse longa me fez refletir bem mais do que eu poderia esperar, e espero que também te faça.





Capitão Fantástico : PosterData de lançamento: 22 de dezembro de 2016 
Duração: 1h 58min
Gênero: Comédia dramática
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Ben (Viggo Mortensen) tem seis filhos com quem vive longe da civilização, no meio da floresta, numa rígida rotina de aventuras. As crianças lutam, escalam, leem obras clássicas, debatem, caçam e praticam duros exercícios, tendo a autossuficiência sempre como palavra de ordem. Certo dia um triste acontecimento leva a família a deixar o isolamento e o reencontro com parentes distantes traz à tona velhos conflitos.

Opinião: É fascinante observar esse longa, o qual consegue consegue transparecer um pouco de cada personagem. Além da fotografia, cenário e trilha sonora, Capitão Fantástico  é um dos longas de road movie mais interessantes dos últimos tempos. Com um toque de drama sem perder a comédia, o filme independente nos traz um clima meio indie cheio de sensibilidade e reflexões.
Ora, você deve estar pensando no porquê resolvi inverter a ordem da crítica e e iniciar pela análise técnica e não do enredo. É porque é exatamente isso que o filme propõe, sair do habitual e refletir. O longa não mostra um certo ou errado, mas o diferente. Conhecemos um pai e seus seis filhos tendo de sair da floresta em que viviam par ir ao enterro da falecida esposa e mãe.
Antes de qualquer outra coisa, é preciso explicar a forma com que essa família vivia. Ben e sua esposa tinham decidem criar os filhos afastados do mundo consumista e da civilização. Eles ensinam os filhos valores próprios, a independência, caçando, criando suas próprias interpretações das coisas, lendo de física quântica a filosofia. Porém, o mais interessante é que em várias cenas vemos nosso protagonista tratando os filhos como iguais, com honestidade e às vezes até escancarando a verdade.
Com críticas de como nosso modo de educação não explora a inteligência e até nos limita versus os exageros da criação de Ben quanto aos filhos, Capitão Fantástico mexe com a nossa cabeça.  Ele nos mostra a importância da educação e da criatividade para nós como ser humano e não apenas como massa de manobra da sociedade, apesar de que Ben ao isolar os filhos acabe privando estes das relações pessoais e de experiências práticas. Não bastasse a reflexão educacional, o choque de realidade dos valores dessa família atinge as mais variadas temáticas, desde a forma com que lidamos com a morte e até com o amor. É maravilhoso ver um filme que nos apresenta pontos de vista diferentes e não antagoniza nenhum personagem. Aqui todos são seres humanos, buscando o melhor, dentro de seus próprios limites. Se ficou instigado, abra sua mente e conheça esse longa fantástico.

sábado, 6 de maio de 2017

Clube da Luta

Sabe aquele filme que estava na sua lista há um bom tempo, mas você sempre deixava como segunda opção? Ou ainda, aquele que você pouco sabia da história e só tinha ouvido uma ou duas recomendações? Pois é, Clube da Luta conquistou um espaço de honra entre os cinéfilos, porém, não me parece tão famoso como outros filmes populares. Nesse longa, Edward Norton e Brad Pitt constroem personagens curiosos que trazem uma reflexão psicológica de algumas situações atuais, como por exemplo, a sociedade de consumo. Portanto, os convido hoje para entrarem no nosso clube da luta. 



Data de lançamento: 29 de outubro de 1999 Duração: 2h 19min
Direção: David Fincher
Gêneros: Suspense, Drama
Nacionalidade: EUA, Alemanha

Resultado de imagem para clube da lutaSinopse: Jack (Edward Norton) é um executivo jovem, trabalha como investigador de seguros, mora confortavelmente, mas ele está ficando cada vez mais insatisfeito com sua vida medíocre. Para piorar ele está enfrentando uma terrível crise de insônia, até que encontra uma cura inusitada para o sua falta de sono ao frequentar grupos de auto-ajuda. Nesses encontros ele passa a conviver com pessoas problemáticas como a viciada Marla Singer (Helena Bonham Carter) e a conhecer estranhos como Tyler Durden (Brad Pitt). Misterioso e cheio de ideias, Tyler apresenta para Jack um grupo secreto que se encontra para extravasar suas angústias e tensões através de violentos combates corporais.

Opinião:
O Clube da Luta é um filme que trata sobre a vida medíocre que nosso protagonista leva e como ele se rebela contra o mundo que o cerca. O longa começa com uma análise das coisas materiais do protagonista e em como ele buscava no consumismo algo para anestesiar sua falta de perspectiva com a vida. Não sendo isso o bastante, ele começa a sofrer de insônia e descobre uma válvula de escape na participação de grupos de auto-ajuda. Segundo ele, estes eram os únicos locais em que as pessoas realmente paravam para escutar umas as outras.
Essa solução seria ótima, se não fosse uma grande fraude, tendo em vista que nosso protagonista de nada sofria em comum com os seus colegas dos grupos, apenas os frequentava para apaziguar seu vazio. O que ele não esperava era que a presença de outra farsante fosse lhe tirar tanto o sossego como tirou. Nosso protagonista se vê perdido diante de sua farsa e mais uma vez sem perspectiva. É então que ele conhece Tyler Durden.
Assim que o conhece em um vôo de avião, sua vida muda consideravelmente. Sua chegada em casa é seguida da descoberta de que esta pegara fogo e, portanto, ele estaria sem teto até que o seguro fosse aprovado. Então, nosso personagem passa a morar com o recém conhecido Tyler em uma casa caindo aos pedaços, este vive da venda de sabão e é corajoso e intenso, tudo o que nosso protagonista não consegue ser. A mistura desses dois vai criar algo novo, forte e intenso, um clube secreto no qual as pessoas podem descarregar sua raiva por meio de um quase-esporte. Ainda, vemos o relacionamento de Marla com Tyler e o certo asco de nosso protagonista com isso, na verdade com a coragem de Tyler de fazer tudo que ele não conseguia.
Com algumas sacadas inovadoras e críticas implícitas em um roteiro totalmente inovador, podemos dizer que o Clube da Luta foi um filme de vanguarda em seu tempo. Mas ainda nos dias de hoje, quase vinte anos depois, traz uma análise densa e uma mensagem sobre os nossos dramas pessoais, seres imersos nessa sociedade líquida, capitalista e, por vezes, hedonista. Palavras fortes para um filme forte. Não assista esse filme se não tiver estômago, mas por favor, assista esse filme se tiver coração.
 Esse longa não é uma crítica pura ao capitalismo, ele é uma crítica aos comportamentos que o contexto capitalista nos impõe e que muitas vezes nós nos impomos. O filme ainda mostra o quão longe se pode ir quando não se aprende a lidar com a raiva e com os problemas pessoais. A violência exteriorizada pelos personagens , na verdade,é apenas a expressão do que as pessoas têm dentro de si e das raivas que não aprendem a lidar. Vou além, na minha humilde opinião, Clube da Luta trata sobre a relação entre Ego, ID e Superego, mas essa curiosidade deixo para vocês descobrirem... 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Beauty and the Beast

Sinto ser uma grande responsabilidade realizar a crítica do remake de um filme tão conceituado como A Bela e a Fera. Maior responsabilidade, porém, foi do diretor que se responsabilizou por gravar o antigo longa infantil em live-action. Com grandes expectativas desse desenvolvimento não pude deixar de conferir no cinema a magia do clássico. E devo admitir, eu não me arrependi, foi um filme muito prazeroso de se assistir e um tanto quanto nostálgico.



Data de lançamento: 16 de março de 2017 
Duração: 2h 09min
Direção: Bill Condon
Gêneros: FantasiaRomanceMusical
Nacionalidade: EUA

A Bela e a Fera : Poster
Sinopse: Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) tem o pai capturado pela Fera (Dan Stevens) e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade dele. No castelo, ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

Opinião: O filme começa nos apresentando a cena clássica de abertura, na qual o príncipe é enfeitiçado e condenado a ser uma fera, isto é, a menos que alguém se apaixone por ele até o cair da última pétala da rosa vermelha. Então, acompanhamos o belo cenário do castelo se transformar, seguido de uma cena no pequeno vilarejo no interior da França. Uma das grandes sacadas do longa é exatamente a contextualização da obra na inserção de cenas extras para suprir a lacuna de tempo.
A mágica da fidedignidade do filme de 1991 segue com pequenas cenas extras e alterações necessárias para a verossimilhança da obra e até para a possibilidade de concretização digital, como a alteração no design da "Mrs. Potts". Ou ainda com a explicação mais lógica do porque o pai de bela chegou ao castelo com a queda de uma árvore. Essas minúcias conduzem a história a um bom nível de qualidade.
As grandes alterações partiram do pressuposto do passado dos personagens. Por exemplo, LeFou e Gaston acabam de voltar da guerra, na qual Gaston demonstra ter tido sede de sangue e seu fiel companheiro demonstra ter interesses secretos por seu amigo. A melhor explanação dos personagens nos leva a simpatizar melhor com eles ou antipatizar com a vilão bem mais expressivo. 
Ainda nessa linha de pensamento, é possível encontrar breves comentários sobre a criação da Fera que o levaram a superficialidade e a encobrir seus sentimentos. Admito que esperava um maior susto por parte da Fera em algumas cenas, mas me parece que nesse longa o quiseram deixar mais bonzinho do que nunca. Enquanto isso,  a Bela ficou mais independente e bem resolvida do que já era, graças a atuação de Emma Watson. Ainda, o roteiro traz algumas cenas dramáticas sobre a mãe de Bela, as quais não me pareceram tão necessárias, porém, não fizeram mal.
Tendo em vista, o peso de reconstruir uma obra tão renomada como A Bela e a Fera, trazer o contexto da época, e ainda atender o público moderno, não posso deixar de dar crédito a obra. Pode não ser o melhor filme do ano, mas definitivamente é um dos que vale a pena assistir. Agora, o melhor mesmo, definitivamente são as novas canções, que sim, eu amei.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

"Central do Brasil"

Não é um tanto quanto curioso o fato de que parecemos não prestigiar tanto o cinema nacional quanto prestigiamos o cinema internacional? Ora, parece que o pensamento de que cinema brasileiro só produz filmes escrachados domina a mente da maioria dos brasileiros. Enquanto isso, nossos filmes fazem sucesso em premiações nacionais e internacionais. E nessa situação de busca por filmes brasileiros de qualidade é que me foi recomendado o filme "Central do Brasil", obra responsável pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e  Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro.


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Data de lançamento: 3 de Abril de 1998
Direção: Walter Salles
Duração: 1h 45min 
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil, França
Sinopse: Dora (Fernanda Montenegro) trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ainda que a escrivã não envie todas as cartas que escreve - as cartas que considera inúteis ou fantasiosas demais -, ela decide ajudar um menino (Vinícius de Oliveira), após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar o pai que nunca conheceu, no interior do Nordeste.
Opinião:Apesar de já contar com alguns anos nas costas, o longa ainda representa a realidade de grande parte da população. Dora serve de intermediária para pessoas analfabetas, escrevendo cartas para eles enviarem a seus amigos e entes queridos. No entanto, nossa protagonista não apresenta uma índole das mais incorruptíveis, como fica bem claro durante o longa, e lucra em cima das cartas que não envia por achar desnecessárias. Uma dessas cartas é a de uma mãe informando o pai sobre seu filho. Dora, por sua vez, escolhe não enviá-la, o que ela não esperava era que um acidente roubasse a vida da pobre mãe...
Sem família ou qualquer lugar para morar, o menino fica perdido e passa a dormir na estação. Dora vendo isso resolve tomar uma atitude. Ainda que fique a pergunta se ela fez isso apenas por pena ou por remorso. Nesses percalços, ela deixa o menino nas mãos de perigosos traficantes de  crianças, mas mostrando sua humanidade, mais uma vez, foge com o jovem para levá-lo até seu pai no interior do nordeste.
Nessa viagem, observamos o relacionamento dos personagens se estreitar e o surgimento de um sentimento quase filial. Sua humanidade se mostra tanto em sua atenção para com o pequeno, em sua moral conflituosa com a ética e nos questionamentos quanto a seu sentimento de feminilidade, o qual é abordado sutilmente durante o longa. Simultaneamente conhecemos o temperamento não tão fácil do garoto, os seus sonhos pueris e sua carência afetiva. Não é por menos que o filme é contemplado por todo o mundo.A direção do filme é de qualidade, e ressalta uma boa qualidade e potencial. O roteiro também não deixa por desejar. Mas o grande destaque da obra é a atuação, não é por menos que Fernanda Montenegro é tão contemplada no Brasil e no exterior. A verossimilhança da obra em seu contexto geral é reforçada pela atuação sensível da protagonista.
Falar sobre Central do Brasil é falar sobre o brasileiro, muitas vezes de moral duvidosa, pouco estudado, pobre e sonhador. Falar sobre esse filme é dizer que existe esperança, que todos temos humanidade dentro de nós. É dizer que a sociedade corrompe, muitas vezes, e que a vida não é um conto de fadas. Mas acima de tudo, poder contar-lhes sobre esse filme é abrir portas para a esperança de um cinema nacional cada vez de maior qualidade e questionador
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