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sábado, 17 de agosto de 2019

Sobre a Hiper-Sexualização Social


Esse provavelmente é um dos textos mais polêmicos, ou diverso eu diria, que eu já postei nesse blog. Porém, devido à algumas observações que tive nos últimos tempos, alguns até de cunho social, senti a necessidade de trazê-lo a tona. Portanto, começo nosso texto já questionando, você é um ser sexual? O que isso significa?
Não sei quantos de vocês se deram conta, mas o sexo é além de assunto controverso, muito falado.  Onde quer que vá, sempre rola uma piadinha de cunho sexual, e os filmes e as músicas estão inundados de referências. E no caso, se você não se sentir confortável com isso, todo mundo tende a pensar: Hmm... Mal amado...
Porque vamos ser bem realistas, todos já ouvimos aquela brincadeira básica de: é falta de... Ora ora, meu caro, o ser humano, via de regra, é um ser sexual, mas isso não significa nem poderia resumir tudo o que somos e como estamos. Porém, as vezes me questiono se essa hiper-sexualização não significa exatamente uma obrigação. Por vezes penso até que a limitação sexual que preponderou até meados do século XX, transformou-se em liberdade para se subverter em escravidão, uma nova escravidão.
Como esse texto é subjetivo, peço licença para dar minha opinião pura e plena pessoal. Quando entrei na bendita fase chamada puberdade, percebi o nascer das conversar sobre beijo, namoro, ficantes e afins, tudo isto entre pré-adolescentes. Isto é, não que já na infância os adultos não nos perguntassem sobre os namoradinhos e etc, mas acho que não levávamos muito a sério.
Mal me dei conta quando o sexo já se tornara assunto banal para o mundo ao meu redor, mais do que comum. Sinceramente, nunca me importei em abordar sobre o tema, desde que não incidisse sobre a minha esfera pessoal, por óbvio. Então, foi quando me dei conta como os adolescentes tinham curiosidades e sede por saná-la, pois bem, olhando friamente, é isso que leva a maioria de nós a adentrar nas esferas da sexualidade.
Não vejo problema em que o jovem queira adentrar em tal seara. Apenas não acho saudável que tal entrada seja por pressão social sufocada por estigmas, medos ou influência demasiada externa. Sua sexualidade é valiosa demais para que a use sem fundamento, ouvir dos outros o que deve fazer e como, sem filtrar, o que não me parece apropriado. Para o direito, diria que sexualidade é direito indisponível, intransponível e basilar do ser humano.
No mais, tenho minhas próprias considerações sobre pornografia ou dos limites da sexualidade na arte. Porém de fato, não posso esconder a banalização da sexualidade. Sexo: tão controverso, ou algo casto enclausurado em uma bolha e exaltado, ou visto como a salvação dos males do mundo ou ainda como esporte recreativo vendido em revistas e vomitado em indiretas diárias.
Portanto, esse texto de cunho não moralizador, e sim conscientizador, trás o conceito artístico de sexo, como natural. Assim como artista pinta o nu, como o poeta escreve o amor em forma de poesia, sexo não pode ser apenas mais um tabu, nem sexualidade ser apenas teoria. Piada é ser massa de manobra do que impõe a sociedade. Sexualidade não é objeto de normas, mas cada um tem a sua, até o direito de não colocá-la em termos. Se for preciso criar termos como assexualidade, por exemplo, para mostrar e expressar o que se é, que seja. Cada um se sente melhor do eu jeito, e se não te incomoda na razão, para de preocupar quem, como, se, e porque tem ou não desejo. Escolha seu melhor caminho, mas principalmente, use a consciência, respeite seu tempo e contexto.

domingo, 31 de março de 2019

A Pessoa Perfeita

Ela era perfeita, uma das pessoas mais inteligentes que conhecia
Era aquela pessoa admirável, de deixar o queixo cair
Quado pensava na pessoa que deseja, sabia quem era
Alguém de quem não iria discordar em nada

Nós basicamente não brigaríamos, pois éramos ideais
Alguém que não me desagradasse, nem eu irritasse
Sem dúvidas, diferenças grandes ou nada dificultoso
Ah, o amor seria muito fácil e pleno

Bem, como seria a pessoa perfeita, não é mesmo?
Uma  pena que a verdade é que ela não existe
Ou melhor, existe sim, sou eu mesma
A pessoa com quem concordo sobre tudo

Oh, estive a me buscar e nunca me achei?
Na verdade é pior, estive a procurar o que sempre tive
Nós dois sempre fomos um, eu sempre me fui
Entendendo pude enfim aprender a amar o imperfeito

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O desenhista: uma reflexão sobre os amores que não vivemos e os que vivemos

"Era outono de 1998, mais uma tarde a observar o cair das folhas das árvores. Ele era mais belo que a beleza poderia ser. Cabelos cor de chocolate e olhos de verde viver, pele embranquecida pelo frio do amanhecer, cabelos cacheados a ornar seu ser. Era a paisagem que eu apreciava em todas as estações do ano, mas naquela em especial se tornava sem igual. Seu sorriso coloria meu dia de modo fascinante, era um infante acanhado, mas ainda meu galante.
De praxe, não posso perder a hora de dizer que ele foi só mais um, mais um dos amores que nunca vivi. Não pense que fico trite por não tê-lo vivido, essa não é bem a questão. O ponto é exatamente aquele de que me referia: era outono e as folhas caiam das árvores . Ou seja, todas estavam prontas para o renascer e eu também.
Detesto despedidas, mágoas, ressentimentos e picuinhas, pra mim é tudo preto no branco, é como sei ser. Não era a o primeiro desamor que vivia nem seria o último, porém, é aqui que me pergunto, o que seríamos sem desamores? Se tudo desse certo logo de cara como pretendemos, será que iríamos amadurecer tanto? Será que não nos tornaríamos apenas crianças mimadas que querem tudo que querem na hora que bem entendem?
Mais interessante ainda é aproveitar essa deixa para dizer que tudo bem: me perdoem amores que nunca vivi. Peço perdão pela insegurança, por todos que deixei de permitir que me conhecessem, perdão pelos pré-julgamentos. Sei que o que foi, foi. Mas nessa mensagem para os amores que nunca vivi, devo dizer que tudo bem nunca termos vivido algo, de verdade. Saber que poderíamos ter vivido já é bom o bastante, quer dizer que ainda estamos vivos. E só a sensação do poder viver já é tudo que preciso.
Naquele ano, naquele outono, ele me encontrou na rua e falou: Você por aqui?
Ri de mim mesma e quase não acreditei quando soltei um Onde sempre estive.
Sempre estive no mesmo lugar, é claro, mas nem sempre fui a mesma, esqueci-me de dizer. Minha língua entrara em pânico e minha mão parecia sofrer de Parkinson. Ele tocou no meu braço gentilmente, e eu senti-o formigar. Era um amor que nunca tinha vivido, mas tudo bem se pudesse errar, tentar e de novo, errar. Porque é isso que fazemos não é mesmo? VIVEMOS.
Garranchos percorrem um papel para deixar o momento encantado, porém, não é preciso, ele já o é. Antes mesmo de eu terminar ele sutilmente falou: Agora está aqui comigo. E decidi deixar o amor que nunca vivi ser amor. Durou o tempo que durou, mas nunca deixou de ser amor.
O desenhista era um dos melhores artista que eu conhecia, Da Vinci estaria inebriado como eu. Estudante de astronomia e ciência. Deitávamos na grama para apreciar o céu. Saturno, Marte e Vênus, todos contemplavam as palavras de amizade e amor. Até plutão que já não é planeta veio observar a união. Palavras sempre foram o melhor de nós. Durou nosso amor enquanto duravam as pesquisas da ciência do amor. Aparentemente, nós não fomos aprovados em nossas hipóteses e nem primeiras teorias validadas como lei. O amor não era uma ciência certa o bastante. Acabou depois de um tempo. Mas no final, foi um bom e feliz amor que vivi."

domingo, 7 de janeiro de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

Resultado de imagem para outros jeitos de usar a bocaEditora: Planeta
Ano: 2015
Páginas: 204
Idioma: Português 

Sinopse:'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Opinião: Certo dia em uma conversa aleatória um caro amigo me recomendou a leitura desse livro, dizendo que eu iria gostar, de fato, ele me conhece bem, gostei muito. E não posso perder a oportunidade de passar a minha opinião para frente. Porque Rupi Kaur conseguiu nessa obra juntar diversos sentimentos que assolam nossas delicadas almas e mais ainda, falar sobre assuntos delicados para nós mulheres e transformar em poesia.
O primeiro capítulo se intitula "a dor" e trata sobre as tristezas que preenchem nossos corações ou de quem amamos. A dor de fazer o que querem de você enquanto se fecha, de abusos que por vezes ocorrem na sociedade, do abandono, da objetificação de nossos corpos e da violência. "A ideia de que somos tão capazes de amar mas escolhemos ser tóxicos." É como se recebêssemos vários tapas na cara por ver em palavras tudo o que vemos, sentimos e não somos capazes de expressar.
O segundo se intitula "o amor", abordando desde o amor materno- o mais genuíno, o amor romântico sexual, o amor próprio e a beleza do amor. Sabe, todas alegrias e decepções são postas com seu devido valor. A paixão se transforma em mel e o êxtase em leite, faço aqui uma referência ao nome do livro em inglês -"Milk and honey". "nada mais seguro que o som de você lendo alto para mim - o encontro perfeito" É sobre toda a doçura e sinceridade que há no amar.
"A ruptura" é o terceiro capítulo, que nos fala sobre maturidade e aprendizados. Para crescer é preciso viver, sofrer, e chorar um pouco se preciso for. Fala sobre entender que nem sempre  o amor será como se espera e que você não deve esperar que outra pessoa além de ti mesma te preencha. Mas acima de tudo, nos ensina a não aceitar migalhas, sobre ser inteira, sobre se aceitar e acima de tudo sobre "ser". "Você não deveria precisar ensina-los a te desejar, eles precisam te desejar por conta própria" E quanto Rupi diz aqui desejar não se restrinja em pensar no sentido físico e amoroso, mas sobre as pessoas ao redor em geral, se não desejam sua presença e sua pessoa, não force, quem te ama, te ama e ponto. Não mendigue afeto.
E por fim, "a cura". "não se de o trabalho de agarrar aquilo que não te quer - você não pode obrigar ninguém a ficar" Uma das primeiras poesias desse capítulo é exatamente sobre a liberdade de amar. Trata-se aqui de se amar em primeiro lugar, para assim amar ao próximo com o máximo de leveza que conseguir. Não se preocupe se em algum ponto da jornada se sentir só, isso é sinal de que precisa desesperadamente de si mesma, é a mensagem da autora. Somos seres completos sozinhos e enquanto não nos encontramos, ficamos vagando por entre efemeridades, amores ilusórios e vazios sem fim.  Se aceitar e se encontrar ao natural é o discurso que pode ser chamado de feminista aqui, mas do que isso, é um grito de anos de não aceitação." Aceite-se como você foi projetada". E assim, para falar sobre escrever e amar é que se usa a boca.

domingo, 17 de setembro de 2017

Você merece!

Tenho percebido todos os dias que dar e receber amor é mais difícil do que parece. A entrega diária de si mesmo e o relacionar-se com 7 bilhões de indivíduos, de forma metafórica, é claro, pode ser bastante desgastante. Quando pensamos como amamos tantas pessoas ao nosso redor e porque não sabemos o que fazer para demonstrar o amor, surge aquele sentimento de impotência, insuficiência. Mas não se cobre tanto, é humanamente impossível dar atenção o tempo todo para todos ao nosso redor. Como poderíamos então demonstrar nossos sentimentos em um mundo no qual o relógio palpita sobre escrivaninha?
Relacionamentos pessoais de um modo geral exigem muito de nós. Não é por menos que um número expressivo de casamentos, namoros e amizades tem sucumbido ao fracasso, seja pelas diferenças, medos ou distâncias. No entanto, isso não quer dizer que sejam - ou tenham sido- menos valiosos. Apenas diz que o óbvio, a pressão psicológica pode esmagar nossos relacionamentos a qualquer minuto. Obs.: Desconfigure do cérebro a ligação de relacionamento a algo de cunho conjugal, estamos vendo algo muito mais amplo.
Mais complexo ainda isso se torna quando mencionamentos as diferenças de personalidade. Uma pessoa introvertida, por exemplo, pode muito bem ser falante, receptiva e até viver cercada de pessoas, e nem por isso deixará de ser quem é, dentro de si existem alguns limites a serem respeitados. O que configura uma pessoa como introvertida, pelo menos segundo a teoria de Jung, é o fato de que ela demanda sempre de um tempo sozinha para "recarregar as baterias".E
nquanto isso, os extrovertidos precisam e querem o contato humano, a companhia é o que os anima. Imagine o quão desgastante é para um introvertido explicar para um extrovertido que ele querer ficar sozinho não significa falta de amor...  Isso só para começo de conversa.
É claro que um introvertido gosta da companhia dos outros, mas isso demanda de si. Porém, o extrovertido também precisará demandar de si o respeito ao espaço pessoal do outro para que esse relacionamento prospere. E então enxergamos o fato, amar e dar amor é um comprometimento pessoal, no qual estamos em constante evolução, a cada instante nos expressamos de um jeito particular metamórfico. E entender isso demanda muita maturidade.
Contudo, precisamos compreender tudo isso para aprender a dar e receber o amor. Estamos cercados de pessoas que gostam e reparam em nós, nos admiram, e também de pessoas que verdadeiramente nos amam. Não podemos fechar nossa mente para uma expectativa e nos esquecer da realidade. Do contrário, temos de aprender a receber o amor na forma que ele aparece. Leia-se aqui, amor não quer dizer abuso. Ou seja, nós não conhecemos a vivência de cada um para julgar sua expressão de amor, uma pessoa pode gostar mais de abraços, outra de presentear, outra sorri de longe, e todos são modos de amar. 
Aprender a receber o amor quer dizer aceitar elogios, mesmo que te deixem sem graça, ou você esteja naqueles dias em que nada faz sua autoestima melhorar. Ainda estou aprendendo também a expressar o que sinto, a elogiar e ser sincera sobre meus sentimentos. Aprendendo também a aceitar quando me chamam de "bonita". Aprendendo a acreditar nos elogios, porque isso não é ser iludida, isso é dar uma chance para si mesmo e receber o amor que você merece! Eu sei, todos já nos ferimos de algum modo em algum momento. Pensamos que fomos feitos de bobo e que nada valeu a pena. Mas como já dizia meu amigo poeta: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". (PESSOA, Fernando)
Guardar amor a sete chaves não faz bem para ninguém. Um dia vamos todos morrer, enquanto isso, temos todo tempo do mundo para espalhar amor. Não quer dizer que precisamos deixar nossa essência, ou personalidade ou qualquer outra coisa, de outro modo, significa crescer emocionalmente. Maturidade emocional não tem a ver com idade, mas com a compreensão das diferenças entre os seres humanos ao nosso redor, com respeito ao mundo de um modo geral, com entender que não estamos sozinhos e acima de tudo, com o autoconhecimento. Esse não foi apenas mais um texto de auto-ajuda da internet, esse é um convite, para você se permitir amar e ser amado, afinal, você merece!

domingo, 20 de agosto de 2017

Tributo

Imagem relacionadaO ano era de 2009, eu era apenas uma menina de 11 anos, e muita água ainda estava para rolar nas correntezas de minha vida, porém, refletindo seriamente, hoje concluo que foi naquele ano que encontrei o amor. Era mais uma viagem de família acompanhada de amigos, uma das viagens malucas que gostamos de fazer, fomos parando em várias cidades de acordo com a vontade. Mas de todas, a que mais me apaixonei foi Goiás Velho. Curioso nome, pensei, não sabia que existia um Goiás Velho, cidade também envelhece. Mesmo sendo a antiga capital do estado de Goiás, a pequena cidade parecia bem interiorana. Praça com coreto cerca de lojinhas de souvenirs. A clássica cidade turística e pitoresca brasileira. Não esperava que fosse me descobrir naquele lugar. Porém, na manhã que visitávamos os pontos turísticos da cidade e o vi, meu mundo parou .
Estava debruçado na janela de uma casa antiga. Havia uma fila para entrar naquele casebre. Todos queriam vê-lo, e outras lembranças ligadas a ele. O busto de gesso de Cora Coralina. A expressão desenhada pelo artista na obra trazia uma paz e um brilho nos olhos que me deixou entusiasmada. Queria saber porque aquela escultura estava ali e porque todos queriam vê-la? Quem teria sido aquela mulher? Porque me senti identificada com ela instantaneamente?

Não me contive e pedi para meus pais para entrar. É claro que entramos, estávamos turistando. E eu que sempre amei museus e sempre fui curiosa não poderia sair de lá sem ver tudo. Assim o fiz, entrei com meus amigos e familiares para dentro do casebre cheio de pessoas curiosas. No entanto, nenhuma parecia tão maravilhada quanto eu. "Coração é terra que ninguém vê", ela tinha escrito. Sua casa havia se tornado museu da sua obra. Mulher simples de tudo, mas de alma tão cheia. Começara a escrever aos 8 anos seus primeiros versos, tinha escrito o primeiro livro de histórias infantis aos 11 anos. Em mim sentia uma grande compreensão do universo, nossas histórias de poesia se misturavam. Conquanto, Cora, cujo nome verdadeiro era Ana, havia apenas publicado o primeiro livro aos 76 anos. 76 anos! Isso me partiu o coração.Dei-me a notar os olhos cheios d'água. Quem seria eu nesse mundão de meu Deus para conseguir um feito melhor que aquela mulher a quem eu considerei melhor poetisa do que eu? Hoje, admito que o mundo melhorou para as mulheres, para as escritoras e sonhadoras. Admiro Cora por ter batalhado a seu tempo, por ter sido quem foi. Senti um sentimento de amor fraternal por ela a quem eu sequer conhecia. Soube que ela era doceira e dei-me a sorrir. Bebi d'água do riacho que passava por sua casa, senti-me em seu lugar por um instante. Depois, abri um sorriso para meus pais e disse: "Quero comer algum doce, podemos ir à sorveteria?" A poetisa doceira havia adoçado minha alma e coração, saí dali mais forte, mais doce e mais certa do que queria, entre todas as dúvidas no mundo tinha uma certeza: queria ser poetisa.Se chego aos pés dela eu não sei, e nem acho que importa. Se ela recebeu tudo o que merecia de sucesso não é a questão. O ponto é que devo agradecer a Cora Coralina por ter me inspirado e mostrado as mazelas da vida de escritor. Mais ainda agradeço por ter me apresentado ao meu grande amor: as P-A-L-A-V-R-A-S. Este é meu breve e humilde tributo no 128º aniversário desta grande poetisa.

Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.” CORALINA, Cora.

Curiosidades:1970-Cora tomou posse da cadeira número 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. 
1981- Recebeu o Troféu Jaburu através do Conselho Estadual de Cultura de Goiás.
1982- Recebeu o Prêmio de Poesia em São Paulo. Pela Universidade de Goiás, Cora Coralina foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa.
1984- Recebeu o Troféu Juca Pato, sendo a primeira escritora do país a recebê-lo. Nesse mesmo ano, ingressa na Academia Goiânia de Letras, ocupando a cadeira número 38.
Após sua morte, a casa onde viveu os últimos anos de vida foi transformada no Museu Cora Coralina. 
Em 2001, a moradia na cidade de Goiás foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Riacho de palavras

Resultado de imagem para quadro riachoBrota do solo, do mais profundo, enche-se pela chuva e inunda o mundo. Livros são como água, fluidos, mas perenes. Eles tem existido há tempos, ainda que sempre diferentes. Livros abrem um mundo novo na nossa mente. Uma vez lido, sua mensagem ficará dormente. Para quem sabe um dia despertar. Como botão de rosa desabrochar. E tornar-se em algo vivo. Este é um tributo ao meus amores, os livros. 
Então me dei conta de que nunca contei a história de como entrei no mundo da literatura. Para começo de conversa quero deixar claro que não sou nenhuma expert em literatura e nenhum Machado de Assis. Apenas, como boa brasileira que sou, gosto de ler e busco entrar nesse mundo literário, e não desisto nunca. Desde meus dez aninhos de idade quando peguei-me emprestando um livro extra da biblioteca e folheando os livros das turmas mais avançadas que soube como aquilo me despertava um estranho prazer.
Peguei-me mais uma vez com meu caderninho de poesia divagando na troca de aulas. A alegria sentida ao ler Pedro Bandeira, Moacyr Scliar e Lygia Bojunga se tornava foco de minha curiosidade e prazer. Como dizia Lispector "Não era uma menina com seu livro, era uma mulher com seu amante". O amor pelos livros preencheu minha vida, tudo que eu queria era ler e tentar entender mais o mundo e a mim mesma. Com Augusto Cury descobri o auto-conhecimento; com Jeff Kinney ('O Diário de um Banana'), a dar risada da vida; com Rick Riordan, história e mitologia; e com Dom Quixote e Pollyanna, a nunca esquecer a alegria de ser criança.
Perdi meu sapatinho na escada dos sonhos, mas os livros cheios de esperança me vieram devolvê-lo. Mordi a maçã envenenada da raiva e dor, porém, os livros me deram beijos verdadeiros de amor. Quando menos se espera lições vem a calhar, de pessoas que um dia viveram algo semelhante, que foram também seres errantes. Mesmo quando tudo parece desconexo, a fé na humanidade e a sensibilidade da leitura nos ajuda a ter empatia e continuar o caminhar. Talvez vá me esquecer do nome dos personagens e de detalhes da história de muitos livros, mas a semente que plantaram sempre estará lá.
Para bem ou para mal, a leitura é uma pintura em palavras, abordando Contos de Fadas e da vida amarguras. Quando a tristeza for tudo o que sobrar, quando Policarpo Quaresma for fuzilado, sobrará vermes para roerem sua fria carne e histórias para contar ao pé de seu epitáfio. Quando as noites na taverna forem tão embriagantes que mais nada pareça lúcido, fique calmo, chegará A Hora da Estrela... E no fim das contas, muito amor e esperança.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Beauty and the Beast

Sinto ser uma grande responsabilidade realizar a crítica do remake de um filme tão conceituado como A Bela e a Fera. Maior responsabilidade, porém, foi do diretor que se responsabilizou por gravar o antigo longa infantil em live-action. Com grandes expectativas desse desenvolvimento não pude deixar de conferir no cinema a magia do clássico. E devo admitir, eu não me arrependi, foi um filme muito prazeroso de se assistir e um tanto quanto nostálgico.



Data de lançamento: 16 de março de 2017 
Duração: 2h 09min
Direção: Bill Condon
Gêneros: FantasiaRomanceMusical
Nacionalidade: EUA

A Bela e a Fera : Poster
Sinopse: Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) tem o pai capturado pela Fera (Dan Stevens) e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade dele. No castelo, ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

Opinião: O filme começa nos apresentando a cena clássica de abertura, na qual o príncipe é enfeitiçado e condenado a ser uma fera, isto é, a menos que alguém se apaixone por ele até o cair da última pétala da rosa vermelha. Então, acompanhamos o belo cenário do castelo se transformar, seguido de uma cena no pequeno vilarejo no interior da França. Uma das grandes sacadas do longa é exatamente a contextualização da obra na inserção de cenas extras para suprir a lacuna de tempo.
A mágica da fidedignidade do filme de 1991 segue com pequenas cenas extras e alterações necessárias para a verossimilhança da obra e até para a possibilidade de concretização digital, como a alteração no design da "Mrs. Potts". Ou ainda com a explicação mais lógica do porque o pai de bela chegou ao castelo com a queda de uma árvore. Essas minúcias conduzem a história a um bom nível de qualidade.
As grandes alterações partiram do pressuposto do passado dos personagens. Por exemplo, LeFou e Gaston acabam de voltar da guerra, na qual Gaston demonstra ter tido sede de sangue e seu fiel companheiro demonstra ter interesses secretos por seu amigo. A melhor explanação dos personagens nos leva a simpatizar melhor com eles ou antipatizar com a vilão bem mais expressivo. 
Ainda nessa linha de pensamento, é possível encontrar breves comentários sobre a criação da Fera que o levaram a superficialidade e a encobrir seus sentimentos. Admito que esperava um maior susto por parte da Fera em algumas cenas, mas me parece que nesse longa o quiseram deixar mais bonzinho do que nunca. Enquanto isso,  a Bela ficou mais independente e bem resolvida do que já era, graças a atuação de Emma Watson. Ainda, o roteiro traz algumas cenas dramáticas sobre a mãe de Bela, as quais não me pareceram tão necessárias, porém, não fizeram mal.
Tendo em vista, o peso de reconstruir uma obra tão renomada como A Bela e a Fera, trazer o contexto da época, e ainda atender o público moderno, não posso deixar de dar crédito a obra. Pode não ser o melhor filme do ano, mas definitivamente é um dos que vale a pena assistir. Agora, o melhor mesmo, definitivamente são as novas canções, que sim, eu amei.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Romances Modernos

Resultado de imagem para açucar na mesa"A vida é feita de momentos. Carolina sabia muito bem disso quando resolveu tirar aquele dia só para si. Há quanto tempo não sentava sozinha para ler um livro ao som de sua música favorita? Ou até mesmo dançar sem se importar com o ritmo, os passos ou julgamentos? Estava de folga, ou seja, além de viável aquele dia era mais do que merecido.
Mas é claro que não, aquele dia não sairia como o planejado. Tudo desandou logo antes de acordar, tivera um pesadelo. Em seu triste sonho, o crush dizia-lhe que eram só amigos. O que a tinha chateado não era a ideia de estar na friend zone ou qualquer coisa do tipo, mas o fato era que na vida real sequer eram amigos.
Suas amigas sempre contavam de seus namoros online, ficantes e namorados que conheceram no tinder ou algo do tipo. Enquanto isso, ela sequer tinha coragem de olhar nos olhos ou dirigir a palavra ao seu vizinho. Ele devia achá-la extremamente mal educada, quando na verdade tudo que ela queria era dizer o quão bonito o achava. Que bela namoradeira, não?
Como se não bastasse a manhã já estar desalinhada -e triste-, descobrira que o açúcar tinha acabado. E o que somos sem açúcar nessa vida, não é mesmo? Seria clichê e impensável demais pedir um pouco no vizinho- pensou. Talvez pudesse deixar todos objetivos de lado e ir ao bar e na balada mais tarde, dançar e quem sabe sair com alguém... Mas não, por incrível que pareça, aquilo não a apetecia.
Ainda como se não pudesse piorar, estava entrando no quarto para se trocar bem quando bateu o dedão do pé no batente da porta. Isso mesmo gênio, quebra o dedo!-mordeu a língua. Assim não dá, sofrer por amor já é demais, agora se machucar por causa disso é o cúmulo do absurdo.- pensou. Tudo bem que ela sempre fora distraída, mas a atual desculpa era a paixonite.
Pensou por um instante naquele estranho conceito de amor. Ou não, ela não amava e mal estava apaixonada pelo vizinho, mas é aquele antigo jeito de falar. Amor está mais para sentimento incondicional e construído do que para uma atração. Paixão está mais para sentimento irracional e incontrolável do que para um simples química. Ela o queria, mas aquilo não era o fim do mundo.
Essa foi a sua constatação enquanto colocava gelo no dedão. Sua conclusão era que certas coisas não são para acontecer. Talvez ainda ela é quem fosse arcaica demais nesse mundo globalizado e moderno. Não é que ela não gostasse dele, só que não se encaixava. Sou uma peça fora do quebra cabeça!- constatou. Foi então que escutou a campainha tocando.
- E aí? Tudo bem? Eu reparei que você não saiu hoje. - Advinha quem era...
- Ah sim, hoje é meu dia de folga... - a voz saiu mirrada.
- É que estou com dificuldade em ter ideias para meu novo projeto e pensei em dar uma saída. Você topa tomar um café?
-Pode ser, tô sem nada para fazer mesmo!- deu de ombros.
Afinal, o mundo moderno talvez ainda tenha um pouco de espaço para o velho romance..."
Giovana de Carvalho Florencio

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Resenha- Sal

Sal, é literalmente aquele livro que vem para salgar, para colocar sal nas feridas e deixar arder. São poucos os livros que me bagunçam desse jeito, com essa intensidade, mas Sal conseguiu. Ainda sim, devo alertar, esse não é livro para ler sem tempo, sem atenção. Não, para lê-lo é preciso de sensibilidade, muita sensibilidade e tempo e calma. Abra sua mente e sente para salgar um pouco a vida.Sal
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 240

Sinopse: Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva. Sob sua luz vacilante, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.

Com uma linguagem poética, a premiada escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando uma história delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.
Sobre o Livro:
Nunca pensei na vida como tecida por moiras ou algo do tipo. Talvez em alguns momentos específicos tenha acreditado em destino, mas de forma geral sempre acabo chegando ao “carpe diem”. Sal por sua vez foi um livro que se valeu da ideia de destino e até um pouco de mitologia grega para tecer a sua história.
Isso mesmo, tecida pela matriarca da família Godoy, a tapeçaria em suas diversas cores conta a história da dispersão dos seis filhos de Cecília pelo mundo. Paralelamente a isso, vemos trechos do livro de Flora, mola propulsora de toda história e uma parte narrada especialmente por Tiberius, o caçula e vidente da família. Como tudo isso pode contar uma só história?
Bem, na pequena ilha de La Duiva há um farol, farol que auxilia na viagem dos marinheiros e parece estar vivo junto a essa família. Ele será o local aonde o amor de Cecília e Ivan vai florescer até o nascimento de seus seis filhos, Lucas, Julieta, Orfeu, as gêmeas Eva e Flora e Tiberius.
Lucas é o mais parecido com o pai, muito sério, trabalhador e também se assemelha a esse fisicamente.  Só irá mudar seu posicionamento quando se apaixonar e mostrar que é adulto para fazer suas próprias escolhas. Sinceramente, a meu ver esse é um dos personagens mais simples da obra, o que não quer dizer que seja desinteressante, apenas é bem transparente, porém, ainda consegue ser agradável.
Julieta foi uma personagem que me despertou a curiosidade, apesar de não aparecer tanto e narrar apenas um capítulo. Não fica claro na obra, mas parece que Julieta tem alguma doença, tal como paralisia, que a impede de andar e se comunicar, isso não quer dizer que seu cérebro não funcione. Como pode se ver pelos comentários de Orfeu sobre o medo dela quanto à imagem da falecida e maldosa avó. É essa doçura que sentimos com a narração dessa personagem, é como um sinal “Eu estou bem aqui”. Maravilhoso!
Orfeu por sua vez é aquele personagem que vai se mostrando sorrateiramente, mas acaba por se tornar um dos pilares da obra.  Sensível, apegado a Julieta, amante de poesia e confidente da irmã Flora, o irmão do meio participa da grande reviravolta do livro. Chegou um momento da história em que não sabia o que pensar dele. Não conseguia sentir raiva, porque ele era muito interessante, mas a sua complexidade o leva a ter atitudes que nos conduzem a um conflito interno. No final das contas, não consegui deixar de me apaixonar por ele.
Eva, gêmea de flora, a garota dos cabelos de fogo tão diferente da irmã. É aquela que podemos chamar de “prafrentex”, namora muito e sabe de muitas coisas da vida para uma jovem em uma vila durante os anos 80. Não sei se pela narração não ter sido imparcial, Eva pouco aparece na trama e quando aparece é narrado pela mãe, Flora ou Tiberius, que não tinham apego a ela. A personagem parece ser linear demais. Talvez por ser a única personagem sem grandes conflitos da obra e que fica quando todos vão embora.
Flora, ah, Flora, como não se identificar com ela? Escritora, leitora assídua e apaixonada, mal sabia que ao escrever seu primeiro romance redigia toda a história de sua família. Quando recebeu a visita do professor Julius, o qual lera e se encantara com sua obra, criou a esperança. Essa é a personagem mais sonhadora e não deixa sua identidade nem um segundo, sempre faz tudo a sua maneira. 
E por fim, Tiberius, o jovem e sofrido Tiberius. O rapaz aparece pouco no começo, mas vai tomando uma posição sem precedentes ao longo do livro. Desde muito novo era amante das estrelas e podia sentir o futuro, nessa ambiente místico, nosso jovem tenta solucionar os conflitos que surgem na família Godoy e termina como o pouco de esperança que resta na vida.  Mesmo quando, devastado, passa por momentos muito ruins em que chega a bloquear tudo com a bebida. No remate do livro, só queria que ele estivesse ali para dar-lhe um abraço.
Entre as histórias, ancestrais da família Godoy, as diversas personalidades dos irmãos temos tecida a história do mundo. É fácil identificar várias pessoas dentro da trama, todos temos um pouco de cada personagem, mesmo que uns sejam mais lineares que os outros.  Vemos com a chegada do professor Julius apenas o “start” do processo de independência dos personagens. Triste ou feliz, Sal traz a realidade a tona envolta por mistério e um pouco de imaginação. E muitas, muitas lágrimas. Curioso e instigante, Sal é mais um ponto positivo para a literatura nacional.
Uma família é como uma constelação... Numa noite escura, andando pela praia, uma pessoa pode enxergar entre mil e mil e quinhentas estrelas. Existe muito delas lá no céu brilhando através do tempo, mas são invisíveis a olho nu. Aqui embaixo, não podemos vê-las com os nossos olhos. Mas elas estão lá.” WIERZCHOWSKI, Letícia. Sal, pág.79.



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Amor é Racional

Esse é aquele momento em que você, meu caro leitor, deve estar pensando 'Que poeta mais de meia tigela é esta', não é mesmo? Mas primeiro, deixe me esclarecer; O amor é racional, porém isso não quer dizer que ele é racionalizável. Calma, vou explicar melhor.
Vamos começar dizendo o básico. Essa ideia de amor romântico e pessoa certa tem atormentado o ser humano há séculos e séculos. Amor e casamento estão atrelados? É preciso amar para ser feliz? Com quantos anos vou me casar? Quando vou me apaixonar? E esse monte de perguntas que todos um dia já nos fizemos. Ou pelo menos ouvimos alguém fazer.
Agora vamos dizer porque o amor é racional. Oras bolas, um homem e uma mulher (ou as variações disto) olham um para o outro e dizem 'Eu te amo', verdadeiramente. Isso não pode ser pouca coisa, não é? Tem de haver algum motivo para acontecer. Eles não simplesmente acordaram de manhã e falaram 'Vou amar aquela pessoa' e feito. Talvez ele (ou ela) até possa ter dito 'Vou amar aquela pessoa', mas ele já tinha alguma razão para amá-la. Seja aquele sorriso, aquele riso, aquela cabecinha ou qualquer outro atrativo que tenha visto nela. Se você pensa que há uma força maior que nos direciona para essa decisão, ótimo. Se você pensa que há razões bioquímicas para isso, ou atrações cognitivas ou qualquer coisa do gênero, ótimo também. Mas entenda, não estou impondo essa ideia, apenas constatando. O amor é racional. Mesmo que seja seu inconsciente que te direcionou a ele.
Agora por outro lado, o amor não é nada racionalizavel. Poetas, filósofos, teólogos e cientistas em geral tem tentado explicar o amor e falhado. Podemos até encontrar uma razão para ele acontecer. Mas não conseguimos explicá-lo como sentimento. Como explicar aquela temperança mesmo quando você está com raiva do ente amado? Ou ainda, como explicar o sorriso besta que aparece na sua cara quando vê sua bela silhueta ou quando conversa sobre poesia, ou quando assistem sua série favorita abraçados?
Sabemos que esse sentimento tem uma razão, só não sabemos esmiuça-lo. Agora, qual a utilidade de saber isso? Simples, pare de se culpar por amar alguém ou por nao conseguir amar outra pessoa. Amor é amor. Mas falando sério, você não vai ficar pensando nisso quando tiver deleitado nos braços da amada ou do amado, né?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!

Ah, natal... Essa é uma época que particularmente me encanta no ano, a cidade fica colorida, a casa cheia de pisca-piscas e decorações, as comidas são diferentes das do dia a dia e as pessoas se encontram e muitas vezes se presenteiam. Mas não se engane, o natal não é algo tão padrão assim. 
Por exemplo, muitas pessoas não o comemoram, outras passam o natal sozinhas, algumas vão para grandes festas, outras para pequenas confraternizações, algumas tem um banquete, outras quase nada... E assim vemos a maior lição que o natal pode nos dar: a necessidade de amor! Do que adianta ter mil e uma iguarias e nada a comemorar? Não é em uma noite que devemos amar e sentir, mas o ano inteiro. 
É maravilhoso poder tirar um dia no ano para lembrar da esperança, para nos lembrar do amor ao próximo, de ajudar o necessitado e de celebrar, celebrar a vida! Precisamos parar para refletir, é preciso desacelerar, e levar esse sentimento durante o todos os dias.  Independente de como esteja nosso estado financeiro e psicológico. Digo isso, pois esse ano o país não está com uma economia favorável e tudo parece (e está) mais caro. Às vezes estamos cansados, o ano nos exauriu, mas é aí onde se encontra a beleza de celebrar a esperança, não em passar por cima das dificuldades, porém em superá-las.
Vamos aproveitar a noite de hoje e o dia de amanhã, ver quem amamos, dizer coisas belas - um verdadeiro "eu te amo" vale mil vezes mais do que qualquer presente- e descansar ou se cansar com quem amamos. De qualquer forma peço para que usem essa natal da melhor forma, se lembrem dos necessitados e carreguem o amor por todo o ano!


“Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-la durante todo o ano.


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Resenha O Diário de uma Paixão


Diário de Uma Paixão
Já faz dois anos que eu li " O Diário de uma Paixão ", mas ainda me lembro de como me marcou. Também li vários outros livros do Nicholas Sparks, mas no quesito originalidade creio que esse foi o melhor ( apesar de que " O Milagre" é ótimo também, rsrs). Enfim, sem mais demora, espero que apreciem mais essa resenha!



Sinopse:

Diário de Uma Paixão - "Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome em breve será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou." 
Noah Calhoun
O livro é o retrato de uma relação rara e bela, que resistiu ao teste do tempo e das circunstâncias. Com um encanto que raramente é encontrado na literatura atual, O Diário de uma Paixão de Nicholas Sparks, o consagra como um contador de histórias clássicas, com uma perspectiva excepcional sobre a mais importante e única emoção que nos mantém.


Curiosidade:

Com mais de 12 milhões de cópias vendidas, o livro emocionou as pessoas ao redor do mundo e foi traduzido para mais de 20 línguas.


Ano: 1996
Páginas: 223
Editora: Novo Conceito

Sobre o livro:
"O Diário de uma Paixão"  retrata a vida amorosa do casal Allie e Noah, eles se conheceram quando adolescentes e acabaram se apaixonando, porém como qualquer bom romance precisa de um conflito, Allie estava apenas de passagem pela cidade e ambos precisam se separar. Ele mandou várias cartas para ela, porém nunca foram correspondidas. Isso porque a mãe de Allie não admitia a filha , de família rica,  com um rapaz pobre, e escondeu todas as cartas. Como se não bastasse,  Allie se reencontra com Noah 14 anos depois, justo quando ela estava prestes a se casar!
 Logo que eles se encontram, é nítido que o amor está ali, porém ela ainda está noiva e seu noivo é realmente um ótimo homem. Creio que é nesse momento que aperta tanto do coração da personagem como do leitor. Depois de ler as cartas das quais foi privada durante tantos anos, Allie toma sua decisão. E toda história é contada por um senhor para uma senhora com Alzheimer. Tirem suas próprias conclusões.
Acho que devo ter lido esse livro quando estava muito emocional, porque definitivamente eu chorei ao lê-lo, rsrs. Pois bem, devo admitir que se Nicholas Sparks escreveu um bom livro, esse livro é "O Diário de uma Paixão", pelos seguintes motivos, a história é realista, encantadora e singela, original e bem estruturada. E se você apenas assistiu o filme não queira comparar, o livro é consideravelmente melhor. Algo que surtiu um efeito considerável em mim foi ler o livro com trilha sonora, sinceramente essa é uma história que merece ser ouvida ao som de belas músicas românticas. E não ache que você vai terminar a história iludida, porque apesar de inspiradora ela mostra as várias facetas do amor, e isso inclui os problemas. Prós e contras sempre são fatores relevados pelos mocinhos de Sparks, mas talvez por essa obra ser uma das primeiras, seu enredo parece mais interessante. Não ficarei tecendo mais comentários elogiosos a obra, porque creio que um "vale a pena ler" representa mais do que mil palavras.


Tudo bem que este comentário é referente ao livro e não ao filme, acho que vale a pena assistir a clássica cena da canoa: 





Espero que tenham gostado, beijos e até mais!






quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O que é amor?


Amor não é fogo que arde sem ver, isso é cegueira.
Não é ferida que dói e não se sente, isso é lepra.
Não é contentamento descontente, isso é TPM.
Mas o amor é benigno,
Não se ira, nem arde em ciúmes.
E mesmo que eu falasse a língua dos anjos,
Sem amor, eu nada seria!

Giovana de Carvalho Florencio

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Tu és a minha alegria

Todas as manhãs, quando eu acordo, olho pela janela e te vejo,
Você é o sol que me ilumina, és meu desejo,
Quando o sol se põe e a calada da noite chega,
Em seus braços sinto o conforto que preciso.
Quando as lágrimas invadem minha face e a dor, o meu peito,
É seu abraço que me faz sorrir e ser feliz

Você é a brisa que me alegra ,
És a lua que me ilumina,
És o calor que me aquece,
És meu príncipe e eu, sua menina.
Você é meu ar, meu motivo de viver ,
de falar e de respirar.
Você é meu Romeu e eu sua Julieta.

Te quero a todo tempo e a todo momento.
Teus carinhos são meu contentamento.
Junto de ti, me sinto segura,
Em ti confio, me sinto plena e pura.

Em teus olhos vejo a luz da lua.
Quando estou ao teu lado, seu que sou tua.

Aqui me desfaço, partindo um pedaço
Enchendo o espaço, do meu coração,
Para molda-lo a ti...
Giovana de Carvalho Florencio Campo Grande-MS

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Resenha- Um Amor para Recordar -Nicholas Sparks

Um Amor para Recordar
Sinopse:
Cada mês de abril, quando o vento sopra do mar e se mistura com o perfume de violetas, Landon Carter recorda seu último ano na High Beaufort. Isso era 1958, e Landon já tinha namorado uma ou duas meninas. Ele sempre jurou que já tinha se apaixonado antes. Certamente a última pessoa na cidade que pensava em se apaixonar era Jamie Sullivan, a filha do pastor da Igreja Batista da cidade. A menina quieta que carregava sempre uma Bíblia com seus materiais escolares. Jamie parecia contente em viver num mundo diferente dos outros adolescentes. Ela cuidava de seu pai viúvo, salvava os animais machucados, e auxiliava o orfanato local. Nenhum menino havia a convidado para sair. Nem Landon havia sonhado com isso. Em seguida, uma reviravolta do destino fez de Jamie sua parceira para o baile, e a vida de Landon Carter nunca mais foi a mesma.
Ano:2011
Páginas: 191
Editora: Novo Conceito

Sobre o filme:
Quando eu fui ler Um Amor para Recordar já conhecia outras obras do Nicholas, e gostava bastante de várias delas. Na verdade tinha ouvido falar muita coisa dessa obra em específico e tinha interesse em ler, mas nada de mais. Até que um dia minha amiga me disse que tinha comprado e amado. E como ela também adora livros que nem eu, cheguei a conclusão de que valia a pena ler. Pedi emprestado e lendo aos poucos para aproveitar cada detalhe, conclui o livro em 3 noites.
E todas as noites era difícil parar de ler, e quando parava meu olho já estava se enchendo d'água. Pois é, livros românticos... Mas não é qualquer livros romântico que é bom, esse livro no caso é muito legal. Um pouco triste, mas completamente encantador.
Nicholas Sparks soube muito bem emocionar o leitor nesse livro. Posso dizer que recomendo e aviso para prepararem os lencinhos. Afinal, Um Amor para Recordar é daqueles que nunca sai da memória, né? 
                                                                   
Aproveitando a resenha irei colocar meu comentário do Adoro Cinema sobre o filme, inspirado no livro:

Sinopse do filme: Em plenos anos 90, Landon Carter (Shane West) é punido por ter feito uma brincadeira de mal gosto em sua escola. Como punição ele é encarregado de participar de uma peça teatral, que está sendo montada na escola. É quando ele conhece Jamie Sullivan (Mandy Moore), uma jovem estudante de uma escola pobre. Com o tempo Landon acaba se apaixonando por Jamie que, por razões pessoais, faz de tudo para escapar de seu assédio.

Comentário:"Ignore a trama do livro, a história do filme sofre muitas alterações. Se engana quem pensa que por isso ficou ruim, não mesmo. É um filme comovente, fofo e romântico. Mostra como o amor resiste a tudo. Conta com uma trilha sonora excelente e atuações ótimas. O único defeito foi a dublagem para o português, que não ficou boa. Mas o filme em si é muito bom, recomendo!"
  5 - Excelente



O nosso amor é como o vento. Não posso vê-lo, mas posso senti-lo.
Um Amor para Recordar 



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Resenha- Perdido Sem Você- Lycia Barros



Sinopse:
Dante sempre foi um rapaz irrepreensível. Filho de pastor, cheio de fé e com um talento musical nato, seu objetivo de vida sempre foi levar as pessoas a adorarem a Deus através de suas canções. No entanto, seus princípios estremecem quando a sua banda subitamente alcança um sucesso estrondoso, com o qual ele nunca sonhou. Por conta disso, Dante começa a tomar decisões e a assumir compromissos que afetam a sua vida espiritual, a convivência com a sua família e, principalmente, o relacionamento com Angelina, sua namorada. Fora isso, seu vício pelas redes sociais faz com que seu raro tempo vago seja preenchido de forma improdutiva, o que aumenta ainda mais a cobrança dos amigos. Em meio a tudo isso, Dante somente encontra a paz nas conversas com um misterioso artesão, que tentará ajudá-lo a entender o que é realmente importante na vida.



Perdido sem você

Edição Exclusiva Colecionador

Ano: 2014 

Páginas: 250
Editora: Ases da Literatura

Comentário:
E simplesmente depois de esperar um mês pela chegada do livro, o li em um dia... Mas mesmo assim, ele continuou sendo fantástico. É impossível não se emocionar, quando percebi meus olhos já estavam cheios d’água.
É um história tão real, que me faz crer que todos leitores devem se identificar em alguma coisa. E comigo não foi diferente. O fato do livro ter um narrador homem o tornou mais interessante, afinal a visão das mulheres é sempre mais florida, não é mesmo?
Bom, de qualquer forma foi fantástico acompanhar a evolução de Dante, do garoto preocupado com seus próprios interesses, até ele se tornar um homem. E bem, o que dizer sobre a importância de Deus em nossas vidas?
Logo no meio do livro já percebi o sentido do título- na verdade já tinha minhas suspeitas desde o início- e como isso se aplica a nossas vidas. Podemos balançar com as ventanias da vida, mas quanto mais fincados na rocha estivermos, mais resistentes seremos. E não importa o quanto a vida nos quebre, podemos sempre ser moldados pelo oleiro.
Trecho que mais me tocou: “Dizem que o tempo muda tudo, mas, na verdade, é você quem tem de fazer as mudanças.”
E para finalizar, gostaria de parabenizar a escritora pela excelente obra. Que Deus continue usando sua vida grandemente!  Que Deus abençoe a todos!


Resenha- A Bandeja- Lycia Barros

A Bandeja
Sinopse: 
Aos 18 anos, Angelina está prestes a viver o maior desafio de sua vida até agora: sair de Petrópolis para estudar no Rio de Janeiro, deixando para trás os cuidados e a proteção de seus pais.
Assim que se instala na república de estudantes e começa a assistir às aulas, a jovem percebe que as dificuldades serão muitas. Ela divide um quarto com uma colega desorganizada, frequentadora assídua de festas e chopadas e que vive cercada de más companhias. Além disso, as condições das instalações da faculdade são precárias, e grande parte dos professores, descomprometida.
Angelina já está desanimando de sua nova vida quando esbarra no lindo Alderico ou Rico , um cara capaz de fazer qualquer garota perder o fôlego. O que ela não poderia imaginar era que Rico, seu professor de linguística, se interessaria por ela também.
Deslumbrada com a descoberta da paixão e certa de que Rico é seu grande amor, Angelina se joga de cabeça nessa relação, ignorando todos os conselhos que recebera dos pais a vida toda.
Ao mesmo tempo começa a ter sonhos que não consegue entender: homens lhe oferecem objetos numa bandeja e, logo depois que ela os aceita, eles se transformam em feras e somem numa floresta.
Primeiro volume da série Despertar, A bandeja é um romance arrebatador, que retrata os dramas e as provações pelos quais qualquer jovem passa quando se afasta de sua essência até trilhar de volta o caminho do amor verdadeiro e de Deus.

Se eu não em engano foi em 2012 quando uma amiga em deu o exemplar do primeiro capítulo de A Bandeja. Assim que vi o título soube que precisava ler aquele livro, tinha algo nele que me atraía. Por  muito tempo deixei esse desejo de lado, apesar de que em toda livraria aonde ia perguntava sobre ele. Mas aqui no meu estado, infelizmente, ninguém conhecia.
A Bandeja Essa era a capa na época!
Foi assim por mais de 2 anos. Até que em 2014 eu queria muito ler esse livro. Afinal já conhecia os vídeos do You Tube da autora e inclusive havia lido " A Garota do Outro Lado da Rua". Durante as férias- Julho- fui viajar e fiquei procurando o livro. Quando estava no aeroporto, já na volta da viagem, tinha quase desistido de procurar. Apesar de saber que precisava ler aquele livro, Deus tinha algo a falar pra mim... Entrei inocentemente numa livraria e a primeira coisa que eu vejo? A BANDEJA!
Vocês devem estar imaginando minha cara de alegria. Na hora comprei e comecei a me deliciar com o livro. É como uma criança que ficou esperando meses um presente, e quando recebe quer na hora abrir. E como o esperado o livro tocou meu coração. Aliás muto mais do que eu imaginava que fosse tocar. Posso dizer que os anos de espera valeram a pena, o livro veio na hora certa.
Já ouvi muita gente dizer que se identificou com o livro. E posso dizer que também me identifiquei de certa forma. Muitas vezes temos uma bandeja de vontades e desejos da carne, mas essas só nos afastam de Deus e precisamos fugir delas.
Angelina é uma personagem que vai evoluindo durante o livro, o que nos faz associar isso com as provações que ela passa, e portanto as nossas próprias provações. Rico é aquele personagem que por mais que você tenha raiva dele, não se consegue odiar. E Dante, bem, ele é uma benção de Deus na vida de Angelina. Vou parar por aqui, se não vou acabar dando spoiler.
Preciso dizer também que esse livro foi de certa forma, uma reposta de Deus pra mim. O li em dois dias e quando terminei fiquei de joelhos- com o rosto molhado de lágrimas- e orei ao pai. Às vezes precisamos ver os erros dos outros, para enxergar os nossos. Pois é, e no final das contas o livro veio na hora certa.
Trecho da capa que eu amei: "Para vencer uma tentação, às vezes é preciso render-se a ela."