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sexta-feira, 19 de abril de 2019

A felicidade mora em você

Durante alguns anos quando era mais nova me sentia inconformada correndo atrás da felicidade. Você já se sentiu assim? No meu caso, eu tentava entender o que era a felicidade e sua importância em nossas vidas, fazendo pesquisas e lendo várias perspectivas. E imagine só, encontrei um punhado de respostas, inúmeros filósofos e teóricos apresentaram seu próprio ponto de vista. No entanto, nenhum deles parecia chegar de verdade ao cerne da questão.
Epicuro, um dos primeiros filósofos relatados a tratar da situação, apresenta a felicidade como algo a se conquistar, por meio de amigos, moderação dos prazeres e ausência de dor. Ora, acho um tanto quanto difícil afirmar que a felicidade provém da ausência de dor, uma vez que a dor faz parte do nosso dia a dia, e fugir dela seria como fugir da vida.
Ainda, encontrei quem dissesse que a felicidade estaria em um grande amor, ou em grandes amizades, mas me dei conta de que era contraproducente esperar que o outro te fizesse feliz. Hoje após anos, escutei de alguém quem muito amo uma frase que muito me fez refletir: "Amor é sobre compartilhar. Divida suas dores e alegrias comigo que te ajudarei a tornar o fardo mais leve". De fato, soube que o amor conspira a favor da felicidade, só que ele não é a chave para alcançá-la...
Também tentei encontrá-la em ações sociais, de fé ou de carreira, parecia tão nobre e agradável que ela deveria estar lá. Porém, infelizmente percebi que não bastava estar nos lugares e fazer atos louváveis, pelo menos de nada adiantava isso se não estivesse bem emocionalmente. 
E por fim, depois de tudo isso, cansada de procurar, sentei e comecei a ler um livro chamado "O Pequeno Príncipe". Depois que terminei de lê-lo com lágrimas nos olhos, entendi duas grandes lições, nós somos responsáveis pelo que cativamos, e daí vem o valor de servir, amar, e cuidar. Mas principalmente, percebi que o essencial é invisível aos olhos. Aquilo que está dentro de nós, o que somos, o que sonhamos, nossos propósitos e nossos valor compõe o que temos de mais precioso, e quando entendemos e amamos quem somos não precisamos de muito mais. A felicidade não mora ao lado, ela mora em você.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

ADEUS ANO VELHO, FELIZ ANO NOVO!

365 DIAS.
Todo esse tempo se passou e você ainda sente ter muito para fazer? Ou pior, sente que não fez nada e não sabe o que esperar de 2019?
Sabe, nem sempre vamos chegar ao fim do ano com todos os itens da lista cumpridos, nem sempre tudo vai ser como esperamos ou desejamos, e está tudo bem.
Digo por mim, sinto que realizei muitas coisas em 2018, viajei com amigos, comecei a namorar, entrei em um novo projeto de extensão, conclui meu trabalho no outro projeto, realizei ações no Centro Acadêmico e um evento de que muito me orgulho, adotei dois cachorrinhos lindos, estudei e aprendi muito e principalmente superei muitos desafios.
No entanto, não sinto ter lido ou escrito tanto quanto gostaria, e também acho que poderia ter crescido mais na área profissional. Nada extremo, apenas aquele sentimento de poderia ter feito um cadinho mais.
Só que quando parei pensar na realidade do que vivi, entendo o porque de cada coisa ter sido como foi. Na minha perspectiva, algumas coisas não poderiam ter sido diferentes. E eu sei no meu íntimo que fiz o meu melhor.
Por isso que eu gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer:  não se culpe! Mesmo que não tenha dado seu melhor em alguns aspectos, observe tudo o que fez e viveu. Seja a melhor versão de si mesmo, seja você mesmo! ESTÁ TUDO BEM, CADA COISA TEM SEU TEMPO!
2019 bate a nossa porta e pergunta o que queremos, queremos colocar metas realistas, sem pressão. Queremos lazer e saúde física e mental. Queremos uma vida que valha a pena!  O que você quer do seu ano novo?
Pense, sonhe e principalmente, faça o que estiver ao seu alcance para conquistar seus objetivos. Sempre com boas intenções e na medida das nossas forças iremos evoluindo pouco a pouco.
Por fim, aproveito o momento, para postar um trabalho que fiz em comemoração aos 5 anos de O DIÁRIO DA POETISA. Não é nada de mais, trata-se apenas da coletânea dos melhores textos dos últimos anos em que pude observar meu crescimento pessoal e na escrita. Tem vontade de ler mais esse ano? Te convido a conhecer meu material, totalmente gratuito e pode ser baixado a seguir, agradeço desde já pela atenção. Espero que te inspire como me inspirou:

https://www.freepdfconvert.com/d/HFYWZ0G6TI/Livro%20O%20Di%C3%A1rio%20da%20Poetisa.pdf?download=inline

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Cade meu chá de Rivotril?

Calma, não estou viciada em medicamento não, no entanto, admito, essa tem sido uma das minhas preocupações sociais. As válvulas de escape aparentemente medicinais que na verdade tem destruído com a saúde de seus usuários. Usuários, isso não parece o nome com que chamam quem faz uso de drogas recreativas? Ora ora, veja se medicamentos não são drogas? Drogas não recreativas é claro, mas ainda sim, drogas. Aqui não viemos para apoiar a criminalização das drogas nem taxar as pessoas de viciadas, porém, para levantar uma importante questão social.
Já parou para observar o quanto se tem tornado comum o uso de antidepressivos, calmantes, soníferos ou outros remédios com fim psiquiátricos e comportamentais? Não é vergonha nenhuma precisar de ajuda, não é vergonha estar mal, não mesmo. No entanto, não me parece saudável exaltar medicamentos tarja preta ou fortes visando alterar nosso estado psicológico cerebral. Por que você diz isso, Giovana? Certamente nunca passou por um período difícil psicologicamente..., né? Ledo engano, já passei por períodos turbulentos, de ansiedade, conturbação mental e insonia. E sabe de uma coisa? Está tudo bem! 
De fato, o nosso século é o século da depressão, ansiedade, e outras questões psicológicas, várias pesquisas indicam isso. Mas talvez nosso século seja muito patologizador, sim, quero dizer exatamente o que você acabou de ler. Como assim, o que quer dizer com isso? Quero dizer que estamos sempre nos taxando de anormal, de doentes, de ansiosos e de possuídos de 500 transtornos diferentes. Isso pode ter um lado maravilhoso, que é o da aceitação, de finalmente entender quem você é e porque é assim. Mas também pode nos aprisionar no paradoxo da eterna incompreensão (já falei disso algumas vezes aqui no blog), e todos estamos sujeitos a isso.
A minha preocupação é como estamos lidando com nossas dificuldades, será que temos nos aceitado e parado de nos taxar de estranhos, quando somos apenas singulares? Ou na verdade estamos nos enclausurando mais ainda dentro de nossas bolhas e tentado nos drogas para conseguir conviver em sociedade? Ninguém é obrigado a ser o que não é, ao menos não deveria, e muito menos obrigado a alterar seu estado mental por causa disso. Porque não trocar a o Rivotril, a Sentralina e a Fluxetina por terapia, chás, acompanhamento médico adequado (NUNCA SE AUTOMEDIQUE, PRINCIPALMENTE EM RELAÇÃO A QUESTÕES PSICOLÓGICAS), yoga, esportes, artes, música e hobbies em geral. 
Deixe as drogas e a famigerada, porém essencial, alopatia para quando realmente necessário, prescrito por médicos e para algo temporário. Os médicos mais humanistas que tive o prazer de ouvir entendem que os tratamentos muitas vezes não levam a cura, mas ainda assim não devem levar a escravização. O tratamento muitas vezes é para a vida toda, de fato, contudo, não se deixe estagnar no patamar das dificuldades, não aceite uma vida controlada por produtos químicos, uma vida controlando seu cérebro... 

*Os farmacêuticos, médicos, psicólogos, terapeutas e todos profissionais da saúde que pensem diferente são convidados a expor sua visão especializada, e debater o domínio que a alopatia de medicamentos psiquiátricos parece ter criado nas pessoas.

Mais informações em:
https://www.vladman.net/blog/diferen%C3%A7as-entre-sertralina-fluoxetina-e-paroxetina

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Pequenas Corrupções

Não era a primeira vez que fazia aquilo. Mesmo assim suas mãos ainda suavam e o coração palpitava. Quem nunca copiou um trabalho ou colou na prova? Era essa a desculpa de Marcela para esses pequenos atos “Clandestinos’. Já que todo mundo faz não tem problema.
Era hora do almoço e tudo que ela mais queria era chegar em casa. Não via a hora de sentar quando entrou no ônibus e avistou uma única poltrona vazia. Sentou e aproveitou para refletir sobre o seu dia, Beatriz não podia descobrir da cola. Às vezes era irritante ter uma amiga tão inteligente, mas tão chata.
“Tantas pessoas se fingindo de honestas, só porque são chatas” Suspirou Marcela.”Eu sou honesta, e nem por isso sou moralista!” Mal terminava de sussurrar quando avistou uma senhora de bengala entrar no ônibus. A menina não só fingiu dormir, como também ignorou o fato de sua poltrona ser reservada a idosos. Isso não era importante, ela era adolescente, não envelheceria tão cedo.
Já em casa, despencou no sofá e ligou a televisão. Tudo que ela queria era descansar. No jornal comentava sobre a descoberta de um novo esquema de corrupção do governo. O problema do Brasil é a corrupção, Marcela sabia disso; Irada com as coisas que viu se levantou para discursar:
- Tudo por culpa desse maldito jeitinho brasileiro. Enquanto a corrupção continuar no nosso país, não chegaremos a lugar algum. Todos precisam se conscientizar disso, para tornar o mundo um lugar mais justo.
Depois disso cai no sofá, estava se sentindo mal. Ela era igual aos políticos corruptos! Correu tremendo em direção ao telefone, precisava falar com Beatriz e consertar uns erros...




sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Para todas as vezes que quiser desistir

2017 foi uma grande lição de amadurecimento para minha vida. Foi o ano em que pude enfim pôr em prática a ideia de mais amor e menos medo. Afinal, se não é o medo o inimigo da felicidade, quem mais seria? E se não é o amor o companheiro fiel da plenitude, quem é?
Esse ano aconteceu muita coisa, sinceramente, coisas que eu não esperava ou sabia como seria no início do ano. Foi o ano em que comecei a estudar francês, participei do meu primeiro projeto de pesquisa, escrevi meu primeiro artigo, entrei para um projeto de extensão - uma Empresa Junior linda,  comecei a estagiar e agora na reta final adentrei no mundo do Centro Acadêmico. Mas vamos parar por aqui, pois apesar disso ser uma espécie de diário, creio minha vida acadêmica não seja tão interessante assim.
Sobre a vida pessoal no aspecto escrita, devo pedir perdão por me manter um pouco afastada do Blog, porém foi por um bom motivo, estive em foco no meu livro: O MURO INVISÍVEL. Trabalhar em um livro é mais delicado do que parece e exige um grande desprendimento emocional. Isto é, porque os medos e inseguranças que rodeiam esse ato, além do auto-criticismo eterno, são enlouquecedores. Mesmo assim me desafiei a publicá-lo via digital, e estou trabalhando para algo a mais, em breve mais notícias... Se alguém se sentir curioso, pode dar uma explorada na aba aqui no blog e conferir na Amazon a amostra grátis.
Mas vamos logo falar da vida pessoal emocional que é o tópico principal desse texto. Esse ano iniciou-se com um excelente diálogo com grandes amigos, o que já uma grande coisa para um ano. Depois, deu-se em uma viagem muito boa e ainda encontrou o seu raiar em assistir La La Land logo na pré estreia. "City of Stars are you shining just for me?". Essa música foi o embalar de um ano cheio de promessas e iluminado pelo brilho das estrelas, mesmo que no final de tudo quem ganhasse o Óscar de verdade fosse Moon Light, uma das cenas mais impagáveis de 2017. Nessa toada, ainda pude desfrutar de amizades muito sinceras, dias de brincadeira e muitos churros. Tudo isso nos três primeiros meses, que se resumiram a:  o valor das amizades sinceras e de ver a beleza nas pequenas coisas é inestimável.
Abril marcou-se como o mês em que tive o prazer de assistir e conhecer "Star Wars", pois é, demorei 19 anos, perdoem-me amigos, mas estou correndo atrás do prejuízo. Não suficiente, nesse mês e no início do próximo obtive a chance de lançar minha primeira poesia em uma antologia ( Além da Terra, Além do Céu). Também foi o mês em que conclui que meias palavras não bastavam, que certas coisas jamais poderiam ser expressas apenas em palavras. Maio e Junho foram meses de desafios, superações e grandes reflexões. Graças a esse tempo alcancei a plenitude emocional necessária para os meses seguintes. Às vezes é preciso parar e refletir sobre nossa vida para abrir caminho para um maravilhoso futuro.
Julho foi quando me propus a novos desafios e tratei de me empenhar de vez a quebrar os muros invisíveis. Agosto, o mês de trabalhar, de enfrentar o medo da vida adulta e de lidar com as responsabilidades. Por isso, só me coube agradecer. Setembro foi época de superações e aprender a amar e ser amado. Outubro, o mês de colher os frutos. Novembro, o de me arriscar e me propor a novos desafios, mais uma vez, mesmo para esses fosse preciso realizar críticas profundas. Dezembro, o mês de viver, cada pessoa, cada momento, cada realização, cada minuto de dedicação e cada medo superado. Mas de tudo, o mais importante nesse ano foram as pessoas quem conheci ou convivi.
2017 foi ano de plantar e colher, de se superar, de se arriscar, de viver! Portanto, a única razão de eu estar contando até as partes menos interessantes do meu ano é para dizer que a vida tem muita coisa boa para nos dar. A maior parte delas depende apenas de aprendermos a amar a vida e as pessoas que nos cercam. A felicidade é muito mais questão de amor e de estar sempre se desafiando. Não tema  fazer tudo que tem vontade, se isso não te faz mal ou fere outrem. Algumas coisas dizem respeito apenas a nós mesmos. Portanto, esse texto é para todas as vezes que quiser desistir. Um dia, você vai ser muito feliz, se já não é, e vai querer espalhar isso por todos lugares que passar, não desista.

sábado, 30 de setembro de 2017

Terra dos Homens- Antoine de Saint-Exupéry

Terra Dos HomensEditora: Nova Fronteira
Ano: 2016
Páginas: 152
Idioma: Português 

Sinopse: Em “Terra dos homens”, Saint-Exupéry relata, por meio de uma narrativa fluida e instigante, suas memórias de piloto do correio aéreo francês, as aspirações em sua perigosa profissão e o dia a dia com outros pilotos e amigos, além de descrever suas impressões sobre o mundo e o papel que o homem nele desempenha — pensamentos construídos sob a ótica elevada de quem sempre observou tudo do mais fascinante e particular ponto de vista: as nuvens. Unindo realidade ao lúdico, o factual ao filosófico, “Terra dos homens” discute temas como a amizade, o heroísmo, a morte e a eterna busca por um significado para a vida.

Opinião: Depois de ler "O Pequeno Príncipe", admito, não fui mais a mesma. Foi como se finalmente tivesse achado algo que explicasse meus sentimentos. Como se por um instante pudesse voltar a ser criança. Logo que soube dessa outra obra de Saint-Exupéry, não pude deixar de conhecê-la. Nesse livro autobiográfico, o escritor e piloto nos conta sobre sua experiência nos ares e fora deles. Também sobre o tempo que ficou no deserto do Saara, então podemos ver como esse tempo o influenciou na escrita de seu Magnum Opus. Antoine era um homem que sempre estava com a cabeça nas nuvens, não só por sua profissão como metaforicamente. Enquanto não estava nos ares, estava pensando no ser humano e na vida, e claro, escrevendo. Conhecemos sua faceta e sua curiosidade com os desenhos, o que claramente inspirou o trecho do desenho do carneiro de "O Pequeno Príncipe". Um homem que conheceu diversos povos, culturas e viu a guerra de perto. 
Aqui não temos uma história linear, mas sobre os momentos em que paramos para observar as plantas crescerem, uma mãe amamentar seu filho, que olhamos o pôr do sol... Antoine se incomoda com a miséria humana e sente que somos todos seres cheios de potencial, muitas vezes relegados. Em seu trajeto da Europa para a África e América do Sul encontrou o contraste de cultura e desigualdade social. Curioso capítulo é no qual narra sua forma de lidar com a religião muçulmana tão diversa da sua.
O livro traz reflexões atemporais, por exemplo, sobre a tecnologia, no caso o avião como seu instrumento de trabalho, e a essência da vida.  A sua dualidade entre a vida como meio para o mesmo fim, a paz, o amor e a felicidade, nos mostra uma pessoa muito bem resolvida e objetiva. Por fim, concluo com uma das frases que mais me impactou desse pequeno livro:"Sempre me pareceu que as pessoas que se horrorizam muito muito com nossos progressos técnicos confundem o fim com o meio. Na verdade, quem luta apenas na esperança de bens materiais não colhe nada que valha a pena viver".


quinta-feira, 29 de junho de 2017

O que os olhos não vêem, coração não sente


Resultado de imagem para cegueiraJá faz tempo que não abordo sobre política ou situações de mazelas sociais, mas isso é por uma razão. Em parte, pelo que acredito ser o mesmo motivo de grande parte da população, estamos saturados de ver e viver injustiças e conflitos. E quanto mais saturados ficamos mais ignoramos a realidade para viver em nosso próprio mundo. E isso é muito triste.
Se tornou tortuoso assistir o jornal e perceber uma tragédia atrás da outra. Se você pensa que no Brasil a situação está ruim, e realmente está, imagine no resto do mundo. O Estado Islâmico não deixou de existir, a Síria continua em conflito, os refugiados de guerra continuam em situação precária, o infanticídio ainda não cessou na China, nem a mutilação genital na África, inclusive o trabalho escravo ou análogo a escravidão ainda existe no Brasil e pelo mundo. Nós apenas tentamos 'ignorar' para sobrevivermos e não enlouquecer.
No entanto uma, reflexão pessoal e coletiva é sobre não nos isolarmos. Nem deixar que o conforto ou a estabilidade alcançada nos tire da realidade. O mundo é mais do que direita e esquerda, ocidente ou oriente, ou exatas e humanas. Não é porque não vemos as mazelas, ou porque só ouvimos falar delas na mídia que estas não existam.
O que os olhos não veem, coração não sente? Talvez o ditado fale a verdade, precisamos olhar além para compreender. Aceitar nossas impossibilidades, sem nos conformarmos. Eu não sou Mahatma Gandhi nem Nelson Mandela, sou o que sou, e com isso posso influenciar o mundo. Afinal, esse texto é também para mim, Como disse o meu caro Saramago em sua obra Ensaio Sobre a Cegueira, "Se queres ser cego, sê-los-ás."

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Eterna Menina

"Era a segunda vez na semana que sentia aquele estranho formigamento no braço. Já bastava aquela atriste danada, eita dureza. Fazia cerca de um mês que Dora não recebia nenhuma visita dos filhos. Mas tudo bem, ela sabia que não podia julgá-los, eles trabalhavam demais. É meio triste pensar nisso, porém, todo mundo sabe que a música é verídica: Filho vira passarinho e quer voar...
Enquanto caminhava para cozinha avistou o retrato do falecido marido. Era engraçado o quanto de abobrinha falara pra ele quando era vivo, seria triste se ela não soubesse que ele sempre a amou do jeitinho que era. A vida não era tão amarga assim, afinal. Havia sido casada por mais de 40 anos, tinha 3 belos filhos e 5 netos. Só que na verdade a quantidade não significava nada, do que adiantaria se tivesse passado todos aqueles anos casada com um homem que não amava.
Uns dias antes a neta mais velha fizera uma pergunta engraçada, a moça ainda se sentia muito jovem pra casar, coisa que admitia ter certo medo, mas gostava muito de uma rapaz quem namorava há anos. Agora ela queria saber como a vó tinha mantido tantos anos de casamento e se teria valido a pena. A senhora respondeu com sinceridade, não sabia se a maioria dos casamentos realmente valiam a pena, mas como ela amava o esposo e casou por vontade própria, achava que valeu o risco. E também contou que além dos beijos ardentes, ela e o esposo tinham um combinando de beber uma boa xícara de chá para acalmar os ânimos sempre que discutiam. Ele fazia falta.
Mas não pense que dona Dora vivia a vida a míngua não. Ela era dona de si demais pra ficar só relembrando o passado. Dirigiu-se logo à cozinha para fazer mais um bolo. Adorava cozinhar desde moça, ainda que não perdesse uma oportunidade de botar o esposo na cozinha também. Achava curioso e se alegrava em como um dos netos homens tinha apreço pela culinária. Quando era mais nova isso não era muito bem visto, o que ela achava uma tolice completa. 
E então você deve estar se perguntando: para quem seria esse precioso bolo? Ora, não que ela não pudesse fazer para si mesma, só que gostava de compartilhar as coisas. Ainda mais ela quem passara anos de sua vida trabalhando na assistência social. Aproveitou a aposentaria para ser uma pessoa mais ativa na sociedade. Inclusive, não perdia uma reunião das mães do bairro de filhos com transtornos escolares, para onde estava indo naquele dia. Sempre tinha uma boa lição para dar, lembrava-se do seu filho caçula que tinha TDAH e dava bastante trabalho na escola.
Pensava nisso enquanto terminava de lavar a louça. Dentro de cinco minutos o bolo estaria pronto, e nossa senhora com alma de menina sairia cantarolando de casa. Isso é, mas não sem antes passar seu bom e velho batom. Não é porque passou dos 60 que não se pode usar maquiagem, certo? Quem sabe não achava um novo amor, como diziam os netos, algum 'crush'. Riu de mais essa meninice enquanto fechava a porta. O rosto já um pouco enrugado estampava um sorriso caricato de uma mulher que jamais envelhecera. "

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Mundo de Sofia

O Mundo de Sofia

Foi preciso de meses para achar, dias para ler, horas para refletir e uma vida para entender... Escolhi no dia de hoje a brilhante obra do norueguês Jostein Gaarder, a qual se tornou um dos meus livros de cabeceira, para abordar das grandes reflexões da humanidade. Já se passaram meses desde que a li e até hoje não consegui deixar de pensar nela. Então definitivamente posso dizer, antes mesmo da resenha, a minha sentença: vale a pena ler, muito!

Editora: Companhia das Letras
Ano: 2012 
Páginas: 568
Idioma: português 

Sinopse:

Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões-postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo. Os postais são enviados do Líbano, por um major desconhecido, para uma certa Hilde Møller Knag, garota a quem Sofia também não conhece.
O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste romance fascinante, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países e já vendeu mais de 1 milhão de exemplares só no Brasil. De capítulo em capítulo, de “lição” em “lição”, o leitor é convidado a percorrer toda a história da filosofia ocidental, ao mesmo tempo que se vê envolvido por um thriller que toma um rumo surpreendente.

Opinião: 
Imagine só, você recebendo cartas anônimas repletas de perguntas e indagações sobre a vida, e mais louco ainda, estas cartas aparecem misteriosamente em seu correio destinadas a outra pessoa? Como se a situação em si já não fosse o suficiente para se enlouquecer, as reflexões contidas nas cartas são aquelas as quais fazemos desde nossa existência. Acompanhando a trama da personagem vemos toda história da filosofia sendo contada, da Grécia ao período moderno. 
Durante o decorrer dos fatos, conhecemos a mãe de Sofia, quem acha que ela está ficando louca, seu pai distante e sua amiga Jorunn. Sofia percebe que quase todos estão na base da pelagem do coelho (já abordei isso aqui antes), satisfeitos em sua própria realidade, enquanto através da filosofia, nossa jovem aprende a subir até a pontinha do pelo do coelho para enxergar o universo de mente aberta. Aproveito a deixa, para mencionar um breve trecho do capítulo referente a Espinosa de grande reflexão:
"Algum dia, a trinta mil anos, um garotinho habitou o vale do Reno, onde hoje é a Alemanha. Ele era uma parte pequenina da natureza, uma gotinha num oceano imenso. Você também, Sofia, é uma parte ínfima da natureza. Entre você e aquele garoto não existe nenhuma diferença."
A forma didática e linear que o autor traz a filosofia para dentro da história desemboca em uma organicidade sem igual. Não creio que sejam muitos livros os quais consigam trazer as mais vastas lições de forma tão consistente. A trama fica mais e mais curiosa quando Sofia conhece seu misterioso remente, o filósofo Alberto, e começa a receber objetos pessoais de Hilde. 
Simultaneamente nos contextualizamos com cada período histórico e a construção do pensamento ocidental. Como aborda o próprio livro, dizer "De que vale, afinal, o eterno criar, se toda a criação se desfaz no ar?"( frase do livro Fausto de Goethe) não é a questão, mas passar o conhecimento adiante e inspirar as futuras gerações. Pois nossa história é toda uma construção, da qual também fazemos parte, seremos história no futuro, não é mesmo?
É por essas razões que não posso negar a importância dessa obra para meu conhecimento de mundo, além do imenso prazer sentido ao lê-la; mesmo com suas muitas páginas e o volume de informação. Por favor, não pense que o livro é maçante ou chato em instante algum, acho que se fosse nunca teria vendido mais de 1 milhão de exemplares no Brasil, pra começo de conversa. E particularmente, eu creio na possibilidade desse livro também te ajudar a escalar mais e mais a pelagem do coelho.  E sabendo sobre a dialética como grande instrumento da filosofia, concluo com um questionamento: Porque é mais cômodo viver na base da pelagem do coelho?
"Mas a vida é triste e solene. Somos deixados num mundo maravilhoso, encontramo-nos aqui com outras pessoas, somos apresentados uns aos outros e caminhamos juntos durante algum tempo. Depois nos separamos e desaparecemos tão rápida e inexplicavelmente quanto surgimos."-O Mundo de Sofia

sábado, 14 de janeiro de 2017

A Eterna Incompreensão de Viver

Uma das analogias contidas no livro "O Mundo de Sofia" é sobre o Coelho da Cartola. Esse é o universo que vivemos. Como explicar o aparecimento e saída do Coelho da Cartola? É uma das indagações que temos na vida.  Nascemos na pontinha dos pelos com a capacidade de nos maravilhar e refletir sobre o mundo, mas com o tempo vamos escorregando para a base da pelagem aonde mal podemos ver o que há além. Confortáveis demais para ousar subir de novo. Mas pensando, refletindo, filosofando podemos escalar lentamente até  a pontinha dos pelos, para enfim poder ver um pouco do mundo. Pois é, assim como somos incapazes de ver o mundo em sua completude e tudo que podemos ver é com muito esforço, também somos incapazes de ver outras pessoas em tudo que são.
Alguma vez alguém me disse que você poderia viver com uma pessoa a sua vida toda e nunca conhecê-la realmente. Pois bem, a meu ver, somos seres eternamente incompreendidos. E não, isso não é papo de adolescente, apenas é a mais fatídica realidade. do existir. Apesar desse discurso parecer meio niilista ou deprimente, quero informar que entender isso foi o grande triunfo na minha vida pessoal, e já lhe explicarei o porquê.
Quando somos crianças sentimos constantemente a necessidade de nos fazer compreendidos, tal questão leva a sérias crises na adolescência. Digo isso por uma perspectiva particular de observação do mundo que me cerca. Aliás, quem é que no fundo não quer se sentir compreendido pelo mundo? Ninguém gosta de se sentir rejeitado, renegado, ser debochado ou ignorado. "All You Need Is Love" - Já diziam os Beatles.
Mas a questão é bem mais profunda do que aparenta. Não é como se o problema fosse seu pai, sua mãe, seus amigos, seu cachorro, periquito ou papagaio. O xis da questão está no fato de que mesmo com os vários tipos de linguagens, somos incapazes de expressar tudo o que sentimos. É por isso que tentamos nos fazer entendidos de todas as maneiras possíveis, através da dança, música, artes plásticas, escrita, gestos e atitudes. Parece-me que algo no nosso âmago nos impele a nos relacionarmos com o mundo. Porém, muitas das vezes sequer somos capazes de nos comunicarmos conosco mesmo. 
Não parece curioso a preocupação tão incidente sobre a inteligência intrapessoal abordada pelos materiais de autoajuda? Reflita comigo um pouco: sequer somos capazes de nos enxergar por fora como somos, o que vemos sempre são reflexos e rascunhos de nós mesmos, quiça conheceríamos todo nosso interior. Menos provável ainda é que entendamos tudo que passa pela cabeça dos outros!
Estamos fadados a essa eterna incompreensão de viver. Nunca sabemos tudo sobre nós mesmos, nenhuma pessoa saberá sobre nós e no final das contas não somos tão previsíveis assim. 
Saber disso nos ajuda a ser mais empáticos com os outros, porque eles tem dificuldades e são gente como a gente. Também nos faz cobrar menos de nós mesmos, para nos aceitarmos como somos, sabe, como diz o ditado "A beleza está nos olhos de quem vê." Aquele aparente defeitinho seu pode ser o que mais agrada a outra pessoa. No fim das contas, sermos eternamente incompreendidos pode ser bastante fascinante, mais do que aterrorizador. Porém, assumo, ainda estou aprendendo a me maravilhar mais do que me assustar.

sábado, 31 de dezembro de 2016

2016: Sutilezas de viver

Não sei bem ao certo como começar a escrever um texto sobre esse ano tão curioso, perdoem-me pela palavra deslocada, mas não me cabia termo melhor aqui. Pois bem, começarei pelos objetivos os quais tinham proposto para 2016. Então narrarei os grandes aprendizados que recebi e como lidei com os fatores externos a mim durante o decorrer do ano. O que quero deixar claro é que a leitura tem sido minha esperança todos os dias e como poetisa não posso deixar de enfatizar que tudo que direi aqui de triste ou feliz não sobressai a nada que escrevi durante o decorrer do ano.

Vida Pessoal

Ao narrar meus planos sobre 2016 estipulei três focos na minha vida: Considerações pessoais, profissionais e aqui do Blog. Na vida pessoal posso dizer que tomei uma das decisões mais sábias em toda minha vida. Tornar os planos pessoais mais maleáveis e focar nos pequenos prazeres da vida é de uma alegria inexprimível. Não são as grandes conquistas que fazem nosso ano valer a pena, mas o todo. Posso dizer que este foi um ano de muitas vitórias, realizei coisas as quais sempre quis, porém, algumas não podia, outras nunca tivera a oportunidade e outras ainda porque me julgava incapaz. A primeira lição desse texto piegas de fim de ano: Nós não somos incapazes. Podemos ir além, sempre, ainda que dentro da nossa realidade. 
"Vamos nos permitir"- Já dizia Lulu Santos. Foi muito bom me permitir sonhar, mas também me permitir realizar. Porque se sonhar é bom, viver é melhor ainda. Como eu nunca havia me prestado a sentar algum tempinho frente ao teclado para aprender o básico? Mesmo que pra tocar só minhas músicas favoritas. Porque eu e tantas pessoas tendemos a achar que não cozinhamos bem quando a questão não é cozinhar bem, mas fazer a comida que você gosta do jeito que você gosta e quando você quer? Porque nós não tomamos coragem e começamos a fazer algum exercício físico? No meu caso foi a academia e as caminhadas, mas pra você pode ser natação, balé e por aí vai. Porque não nos permitimos viver e conhecer a vida? Será tão mais fácil ficar na zona de conforto do que já sabemos, dominamos, conhecemos, gostamos e aceitar assim?
Outra coisa a qual ainda tem sido meu embate e lhes direi de coração a aberto é a questão da autonomia. Ao chegar aos 18 anos, nós jovens adultos, queremos mais do que nunca crescer, olhar no espelho e dizer: Eu sou adulto. Ainda que isso nos assombre mais do que fantasmas, vampiros ou bruxas. Entendo o medo sentido quando percebemos que nós conduzimos o carro, ou quando nos vemos chegando na faculdade( dá pra acreditar que você quem acabou de sair das fraldas está numa faculdade?) ou para trabalhar, ou quando só está andando sozinha na rua, indo ao banco e todas essas coisas simples que nos fazem sentir livres (e acorrentados).
Segunda lição: "O homem nasce livre, e, em toda parte, encontra-se acorrentado". -Rousseau. Não existe para onde correr, somos escravos de nossas próprias decisões e ainda temos de nos inserir nesse mundo cheio de regras que nós não inventamos. 
A controvérsia de tudo isso foi descobrir uma dificuldade pessoal, hesitei antes de escrever isso, mas penso que um problema só pode ser superado se aceitado. Acredito que esse male seja um vício causado pela falta de equilíbrio quanto a autonomia. Tenho a infeliz tendencia a não aceitar ajuda alheia. Ah, não me leve a mal, não é que me ache melhor do que os outros, porque tenho plena consciência de que não sou, há dias em que até questiono se o oposto não é verídico. A realidade é que esse desejo por provar a independência para eu mesma faz com que eu não queria pedir ajuda, mesmo quando preciso. Sabe, deve ser resquício das crises dos treze anos...
Terceira lição: É saudável aceitar os seus defeitos. Não se pode corrigir uma falha que desconhecemos.

Vida profissional e Blog


Quanto as conquistas profissionais posso dizer que me sinto vitoriosa e ciente de que não importa o que eu faça, nunca serei 100% e isso é maravilhoso. Qual seria a graça de estudar se soubéssemos de tudo, não é mesmo? Esse foi mais um ano em que quanto mais eu estudava, mas me dava conta de que não sabia de nada. O curso de Direito me abriu os horizontes e tem amadurecido meu conhecimento e sou muito grata por isto. Além da enfim graduação no Inglês e a percepção do prazer em aprender novas línguas. Mesmo que eu não me ache muito talentosa para isto. E por último, a ponderação sobre meu sonho de ser escritora, a passinhos curtos avanço na escrita dos livros buscando meu Magnum Opus que seja pertinente de divulgação.
Quarta lição: Quando se trata da vida profissional o caminhar é bem mais lento, mas se fizer o que ama no fim das contas terá valido a pena.
E minha última consideração nessa área é sobre o Blog. Fiquei muito feliz com o alcance que está tendo, ainda que pequeno, tem valido a pena. E claro, fiquei satisfeita uma certa periodicidade a qual consegui. E o melhor de tudo, sem me sentir muito pressionada. Ainda que segundo minha família eu seja um pouco metódica, haha. Cada louco tem suas manias, como sempre digo.

Relação com fatores externos 


Sobre os aprendizados desse ano e fatos externos a mim posso dizer que algo que me deixa triste por hora, mas grata pela autopreservação é o conseguir separar meus sentimentos dos sentimentos dos outros. Como uma pessoa muito sensível e buscando sempre a empatia vivi muitos momentos em que sofria pelos outros. Porém, depois de muito tempo me dei conta de que há certas coisas as quais estão fora do meu controle. Porque não importa o que eu faça, eu nunca vou solucionar todos os problemas do mundo.
Acho belo a luta contra os problemas sociais, são nossas lutas de cada dia. Mas também não posso deixar de viver por causa disso. Sempre pensei que esse era um pensamento egoísta, às vezes me culpo por ainda o achar, só que penso melhor e me dou conta de que se eu for a melhor pessoa que posso, cuidar da minha vida, ajudar quando possível e escrever ( porque isso me apazigua) estarei mudando o mundo a minha maneira. 
Prossigo, assim como eu passo por inúmeros problemas, as outras pessoas também passam. Cada um a sua maneira. E deixar de enfrentá-los ou mesmo querer enfrentar o problema de todo mundo é ingenuidade nossa. Perdoem-me pelo discurso meio "livro de autoajuda", mas é o que sou capaz de racionalizar. O mundo passou por muitos problemas esse ano, estes também me incomodam, já chorei por amigos que sofrem, já me irei por política, já escrevi muito sobre tudo que me incomoda no mundo, e sabe, não quero deixar de me incomodar com nada disso. Mas cada dia é um dia, se eu só viver para o mundo, corro o risco de perder bons amigos, grandes surpresas e até mesmo as pequenas oportunidades de mudar o mundo.
Última lição: Não somos super-heróis. Estamos cercados de um mundo cheio de problemas, e nem sempre vamos poder mudá-lo. Gostaria de fazer mais por ele, e isso é maravilhoso. Por outro lado, é preciso aprender a esperar, correr a atras do que pensamos sim, mas saber aproveitar a hora certa. A vida é feita de momentos, e pode ficar tranquilo, se você busca algo, cedo ou tarde você vai encontrar.

"Navegar é preciso, viver não é preciso"- Fernando Pessoa

sábado, 10 de dezembro de 2016

O Ciclo da Vida

Resultado de imagem para sequoia"Era uma árvore que como eu, amava a chuva e o quente sol... Era uma sequoia, um dia se tornaria forte, alta e imponente. Mas por hora era apenas uma muda com seus primeiros galhos a nascer. Um dia todos nós fomos apenas mudas, não é mesmo? E então fomos crescendo, florescendo, dando frutos(ela não, é claro, sequoias não dão frutos, nem todas produzimos frutos) e nos desenvolvendo. Ela, como eu, havia recebido um ninho de pássaros, o belo sabiá dera a luz a seus pequenos ovos ali mesmo, então a frondosa árvore os recebeu até que aprendessem a voar e fossem embora. É sempre assim, os pássaros vem e vão, alguns também nunca mais voltam, mas tudo bem, o importante é que estejam a voar pelo ar.
Nós tínhamos também outras coisas em comum, quando jovens fomos podadas. Não só podadas, como dizia o jequitibá- um velho amigo- fomos cortadas. Por vezes, apareciam para cortar as pontinhas dos galhos, diziam que ajudava a crescer. Eu acho que funcionava, porque toda vez que isso acontecia, meus braços cresciam mais e mais. Só que houve vezes também que não cortaram apenas as pontinhas. Certo dia acordei com os gritos desesperado de minha cara amiga, o machado havia lhe roubado um galho, este nunca mais cresceu. Certas coisas se "podadas" na base tendem a nunca mais se desenvolver.
Tudo bem, eu disse pra mim mesma depois da perda, temos outros galhos. Mas a sequoia foi ficando fraca e até chegou a secar, quase pensei que ela iria nos deixar. Se não fosse aquela chuva que caiu lavando tudo e levando tudo... Às vezes eu gosto de chuva, ela parece que carrega muitas coisas que nos atrapalham, como o lixo que deixam ao nosso lado, já fui contaminada por ele uma ou duas vezes. Só que isso agora não me importa mais, na verdade, quase nada importa mais...
Depois do alimento para nossas raízes que tinha sido a chuva, estávamos mais empolgadas. O Natal até se aproximava, e com ele todas as decorações festivas que tanto me iluminavam os olhos. Quem sabe até não podassem alguns galhos e folhas para nos dar um belo formato. A ideia de tempos melhores me trazia esperança como não acontecia em muito tempo. Isto é, até o dia em que numa manhã nublada, ele chegou com a serra elétrica. Pensei que seria meu fim, juro que pensei, mas quando assisti a terrível cena me senti mil vezes pior. Era minha amiga sequoia que se iria dessa vez, eu nem sei direito o porquê. Só sei que depois ela já havia sido retirada, morta, estava morta, nunca mais cresceria..."
Giovana de Carvalho Florencio