terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Viva- A Vida é Uma Festa


Data de lançamento: 4 de janeiro de 2018 
Duração: 1h 45min
Direção: 
Gêneros: Animação, Fantasia
Nacionalidade: EUA

Viva - A Vida é uma Festa : PosterSinopse: Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

Opinião: Viva- A Vida é Uma Festa é um filme que consegue capturar tudo que há de melhor no ser humano. Enfrenta o medo da morte e a coloca como normal dentro do contexto cultural do Día de Los Muertos mexicano.  Vai além, coloca a ideia do esquecimento como a mais cruel de todas. Antes de mais reflexões, vamos entender um pouquinho dessa história, tudo bem?

Miguel é um personagem extremamente interessante, crescendo em uma família que odeia música por motivos que ele não se importa - o tararavó largara a mulher para virar músico nas estradas- sonha em ser músico. Desde o começo fica claro seu interesse pelos sons, violões e canto. Não entende o que lhe faz tão diferente da família, porém, acha que realizar o seu sonho é o que mais importa. Pelo menos de acordo com o lema do famoso cantor e ídolo do nosso protagonista: Ernesto de la Cruz.

No famoso Dia dos Mortos, nosso jovem, por motivos peculiares, vai parar no mundo dos mortos e precisa da benção de sua família para sair. No entanto, nem sua tataravó e muito menos seus outros antepassados parecem concordar com seu sonho. O menino tem um tempo limitado para voltar ao mundo dos vivos antes que se torne um "morto". E nessa aventura de aceitação, relação familiar e muita música, Miguel conhecerá Hector - quem se tornará um grande amigo, Frida Kahlo, e acompanhado de seu cão-guia espiritual buscará o único parente que pode lhe abençoar para ser músico: seu tataravó.

Recheado de muitas cores e sons, Viva a Vida é uma festa - é cheio de músicas cativantes e personagens mais ainda. Não tem como sair da sala de cinema sem ser com os olhos cheios d'água. Aqui a vida e morte andam de mãos dadas, mas é o amor que supera tudo, e acredite, de uma forma surpreendente. A Pixar acertou em cheio, e não é por menos que o longa já foi premiado no Globo de Ouro como melhor animação do ano. Enquanto isso, aguardamos ansiosamente pelo Óscar.

Por fim, resta apenas dizer, lembre-se de COCO*, e também "lembre de mim".


"Lembre de mim
Hoje eu tenho que partir
Lembre de mim
Se esforce pra sorrir

Não importa a distância
Nunca vou te esquecer
Cantando a nossa música
O amor só vai crescer
Viva- A vida é uma festa

*Nome da bisavó de Miguel e título original do filme.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O desenhista: uma reflexão sobre os amores que não vivemos e os que vivemos

"Era outono de 1998, mais uma tarde a observar o cair das folhas das árvores. Ele era mais belo que a beleza poderia ser. Cabelos cor de chocolate e olhos de verde viver, pele embranquecida pelo frio do amanhecer, cabelos cacheados a ornar seu ser. Era a paisagem que eu apreciava em todas as estações do ano, mas naquela em especial se tornava sem igual. Seu sorriso coloria meu dia de modo fascinante, era um infante acanhado, mas ainda meu galante.
De praxe, não posso perder a hora de dizer que ele foi só mais um, mais um dos amores que nunca vivi. Não pense que fico trite por não tê-lo vivido, essa não é bem a questão. O ponto é exatamente aquele de que me referia: era outono e as folhas caiam das árvores . Ou seja, todas estavam prontas para o renascer e eu também.
Detesto despedidas, mágoas, ressentimentos e picuinhas, pra mim é tudo preto no branco, é como sei ser. Não era a o primeiro desamor que vivia nem seria o último, porém, é aqui que me pergunto, o que seríamos sem desamores? Se tudo desse certo logo de cara como pretendemos, será que iríamos amadurecer tanto? Será que não nos tornaríamos apenas crianças mimadas que querem tudo que querem na hora que bem entendem?
Mais interessante ainda é aproveitar essa deixa para dizer que tudo bem: me perdoem amores que nunca vivi. Peço perdão pela insegurança, por todos que deixei de permitir que me conhecessem, perdão pelos pré-julgamentos. Sei que o que foi, foi. Mas nessa mensagem para os amores que nunca vivi, devo dizer que tudo bem nunca termos vivido algo, de verdade. Saber que poderíamos ter vivido já é bom o bastante, quer dizer que ainda estamos vivos. E só a sensação do poder viver já é tudo que preciso.
Naquele ano, naquele outono, ele me encontrou na rua e falou: Você por aqui?
Ri de mim mesma e quase não acreditei quando soltei um Onde sempre estive.
Sempre estive no mesmo lugar, é claro, mas nem sempre fui a mesma, esqueci-me de dizer. Minha língua entrara em pânico e minha mão parecia sofrer de Parkinson. Ele tocou no meu braço gentilmente, e eu senti-o formigar. Era um amor que nunca tinha vivido, mas tudo bem se pudesse errar, tentar e de novo, errar. Porque é isso que fazemos não é mesmo? VIVEMOS.
Garranchos percorrem um papel para deixar o momento encantado, porém, não é preciso, ele já o é. Antes mesmo de eu terminar ele sutilmente falou: Agora está aqui comigo. E decidi deixar o amor que nunca vivi ser amor. Durou o tempo que durou, mas nunca deixou de ser amor.
O desenhista era um dos melhores artista que eu conhecia, Da Vinci estaria inebriado como eu. Estudante de astronomia e ciência. Deitávamos na grama para apreciar o céu. Saturno, Marte e Vênus, todos contemplavam as palavras de amizade e amor. Até plutão que já não é planeta veio observar a união. Palavras sempre foram o melhor de nós. Durou nosso amor enquanto duravam as pesquisas da ciência do amor. Aparentemente, nós não fomos aprovados em nossas hipóteses e nem primeiras teorias validadas como lei. O amor não era uma ciência certa o bastante. Acabou depois de um tempo. Mas no final, foi um bom e feliz amor que vivi."

domingo, 7 de janeiro de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

Resultado de imagem para outros jeitos de usar a bocaEditora: Planeta
Ano: 2015
Páginas: 204
Idioma: Português 

Sinopse:'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Opinião: Certo dia em uma conversa aleatória um caro amigo me recomendou a leitura desse livro, dizendo que eu iria gostar, de fato, ele me conhece bem, gostei muito. E não posso perder a oportunidade de passar a minha opinião para frente. Porque Rupi Kaur conseguiu nessa obra juntar diversos sentimentos que assolam nossas delicadas almas e mais ainda, falar sobre assuntos delicados para nós mulheres e transformar em poesia.
O primeiro capítulo se intitula "a dor" e trata sobre as tristezas que preenchem nossos corações ou de quem amamos. A dor de fazer o que querem de você enquanto se fecha, de abusos que por vezes ocorrem na sociedade, do abandono, da objetificação de nossos corpos e da violência. "A ideia de que somos tão capazes de amar mas escolhemos ser tóxicos." É como se recebêssemos vários tapas na cara por ver em palavras tudo o que vemos, sentimos e não somos capazes de expressar.
O segundo se intitula "o amor", abordando desde o amor materno- o mais genuíno, o amor romântico sexual, o amor próprio e a beleza do amor. Sabe, todas alegrias e decepções são postas com seu devido valor. A paixão se transforma em mel e o êxtase em leite, faço aqui uma referência ao nome do livro em inglês -"Milk and honey". "nada mais seguro que o som de você lendo alto para mim - o encontro perfeito" É sobre toda a doçura e sinceridade que há no amar.
"A ruptura" é o terceiro capítulo, que nos fala sobre maturidade e aprendizados. Para crescer é preciso viver, sofrer, e chorar um pouco se preciso for. Fala sobre entender que nem sempre  o amor será como se espera e que você não deve esperar que outra pessoa além de ti mesma te preencha. Mas acima de tudo, nos ensina a não aceitar migalhas, sobre ser inteira, sobre se aceitar e acima de tudo sobre "ser". "Você não deveria precisar ensina-los a te desejar, eles precisam te desejar por conta própria" E quanto Rupi diz aqui desejar não se restrinja em pensar no sentido físico e amoroso, mas sobre as pessoas ao redor em geral, se não desejam sua presença e sua pessoa, não force, quem te ama, te ama e ponto. Não mendigue afeto.
E por fim, "a cura". "não se de o trabalho de agarrar aquilo que não te quer - você não pode obrigar ninguém a ficar" Uma das primeiras poesias desse capítulo é exatamente sobre a liberdade de amar. Trata-se aqui de se amar em primeiro lugar, para assim amar ao próximo com o máximo de leveza que conseguir. Não se preocupe se em algum ponto da jornada se sentir só, isso é sinal de que precisa desesperadamente de si mesma, é a mensagem da autora. Somos seres completos sozinhos e enquanto não nos encontramos, ficamos vagando por entre efemeridades, amores ilusórios e vazios sem fim.  Se aceitar e se encontrar ao natural é o discurso que pode ser chamado de feminista aqui, mas do que isso, é um grito de anos de não aceitação." Aceite-se como você foi projetada". E assim, para falar sobre escrever e amar é que se usa a boca.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Para todas as vezes que quiser desistir

2017 foi uma grande lição de amadurecimento para minha vida. Foi o ano em que pude enfim pôr em prática a ideia de mais amor e menos medo. Afinal, se não é o medo o inimigo da felicidade, quem mais seria? E se não é o amor o companheiro fiel da plenitude, quem é?
Esse ano aconteceu muita coisa, sinceramente, coisas que eu não esperava ou sabia como seria no início do ano. Foi o ano em que comecei a estudar francês, participei do meu primeiro projeto de pesquisa, escrevi meu primeiro artigo, entrei para um projeto de extensão - uma Empresa Junior linda,  comecei a estagiar e agora na reta final adentrei no mundo do Centro Acadêmico. Mas vamos parar por aqui, pois apesar disso ser uma espécie de diário, creio minha vida acadêmica não seja tão interessante assim.
Sobre a vida pessoal no aspecto escrita, devo pedir perdão por me manter um pouco afastada do Blog, porém foi por um bom motivo, estive em foco no meu livro: O MURO INVISÍVEL. Trabalhar em um livro é mais delicado do que parece e exige um grande desprendimento emocional. Isto é, porque os medos e inseguranças que rodeiam esse ato, além do auto-criticismo eterno, são enlouquecedores. Mesmo assim me desafiei a publicá-lo via digital, e estou trabalhando para algo a mais, em breve mais notícias... Se alguém se sentir curioso, pode dar uma explorada na aba aqui no blog e conferir na Amazon a amostra grátis.
Mas vamos logo falar da vida pessoal emocional que é o tópico principal desse texto. Esse ano iniciou-se com um excelente diálogo com grandes amigos, o que já uma grande coisa para um ano. Depois, deu-se em uma viagem muito boa e ainda encontrou o seu raiar em assistir La La Land logo na pré estreia. "City of Stars are you shining just for me?". Essa música foi o embalar de um ano cheio de promessas e iluminado pelo brilho das estrelas, mesmo que no final de tudo quem ganhasse o Óscar de verdade fosse Moon Light, uma das cenas mais impagáveis de 2017. Nessa toada, ainda pude desfrutar de amizades muito sinceras, dias de brincadeira e muitos churros. Tudo isso nos três primeiros meses, que se resumiram a:  o valor das amizades sinceras e de ver a beleza nas pequenas coisas é inestimável.
Abril marcou-se como o mês em que tive o prazer de assistir e conhecer "Star Wars", pois é, demorei 19 anos, perdoem-me amigos, mas estou correndo atrás do prejuízo. Não suficiente, nesse mês e no início do próximo obtive a chance de lançar minha primeira poesia em uma antologia ( Além da Terra, Além do Céu). Também foi o mês em que conclui que meias palavras não bastavam, que certas coisas jamais poderiam ser expressas apenas em palavras. Maio e Junho foram meses de desafios, superações e grandes reflexões. Graças a esse tempo alcancei a plenitude emocional necessária para os meses seguintes. Às vezes é preciso parar e refletir sobre nossa vida para abrir caminho para um maravilhoso futuro.
Julho foi quando me propus a novos desafios e tratei de me empenhar de vez a quebrar os muros invisíveis. Agosto, o mês de trabalhar, de enfrentar o medo da vida adulta e de lidar com as responsabilidades. Por isso, só me coube agradecer. Setembro foi época de superações e aprender a amar e ser amado. Outubro, o mês de colher os frutos. Novembro, o de me arriscar e me propor a novos desafios, mais uma vez, mesmo para esses fosse preciso realizar críticas profundas. Dezembro, o mês de viver, cada pessoa, cada momento, cada realização, cada minuto de dedicação e cada medo superado. Mas de tudo, o mais importante nesse ano foram as pessoas quem conheci ou convivi.
2017 foi ano de plantar e colher, de se superar, de se arriscar, de viver! Portanto, a única razão de eu estar contando até as partes menos interessantes do meu ano é para dizer que a vida tem muita coisa boa para nos dar. A maior parte delas depende apenas de aprendermos a amar a vida e as pessoas que nos cercam. A felicidade é muito mais questão de amor e de estar sempre se desafiando. Não tema  fazer tudo que tem vontade, se isso não te faz mal ou fere outrem. Algumas coisas dizem respeito apenas a nós mesmos. Portanto, esse texto é para todas as vezes que quiser desistir. Um dia, você vai ser muito feliz, se já não é, e vai querer espalhar isso por todos lugares que passar, não desista.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Sobre os livros de 2017

Mais uma vez, estamos na reta final do ano e nada melhor do que trazer um feedback de todos os livros lidos durante 2017 Cada obra possuiu  sua importância e agregou de alguma forma minha pessoa. Este ano foram menos livros não ligados a minha profissão, porém, os que pude apreciar muito me agregaram. Desejo que apreciem a lista e se lhe interessar desfrutem de alguma leitura desses livros!












Comentário: Saramago era um autor que já me chamava atenção há anos através de inúmeras críticas literárias, mas nada muda a emoção e peso em ler uma de suas mais profundas obras.
Autores do ano: Saramago e Bauman
Comentário: Simplesmente por terem sido os autores que mais me fizeram pensar nesse ano e por ter conhecido várias pessoas que apreciavam suas obras, o que me proporcionou conversas maravilhosas.
Personagem favorita: "A mulher do médico" (Ensaio sobre a Cegueira- Saramago
Comentário: A plenitude da força, sabedoria e humanidade representadas da mais bela forma.
rie do Ano: Série "O Guia do mochileiro das galáxias"
Comentário: Porque claramente que a reposta para a pergunta mais importante do universo é 42, não sei porque os filósofos ainda discutem!
     Terminei rápido: O conto da ilha desconhecida - Saramago
       Comentário: Que história e quantas lições em tão poucas páginas!
     Demorei para ler: Um filósofo no ninho - Carlos Eduardo Doné
Comentário: Considerando o tempo livre para ler, eu demorei mais do que o previsto, o livro é muito denso e as críticas ácidas precisam de um tempo para serem digeridas.
      Chorei: Vá, coloque um vigia! -Harper Lee
Comentário: Harper é tão maravilhosa que nem acredito que só tenha dois livros. Se tem alguém que me faz chorar é essa mulher.
Ri muito: O Guia do Mochileiro das Galáxias -Douglas Adams
Comentário: Douglas Adams é comediante né, como esperar menos?
Chorei e ri: Magnus Chase - Rick Riordan
Comentário: Titio Rick sempre se superando não é mesmo?
Personagens com quem me identifiquei: Jean Finch  (Vá, coloque um vigia - Harper Lee)
Comentário: Mulher, estudante de direito, crítica, política, forte... Preciso dizer mais alguma coisa? 
Melhor final: "Ensaio sobre a cegueira- Saramago"
Comentário: Meu favoritinho...
Pior final: O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares - Ransom Rigs
Comentário: Eu vi o filme antes, admito, mas não creio que seja só por isso. Ao fim do livro senti que faltou algo, não tinha tanta vontade de continuar a série.
Decepcionante: Viagem ao centro da terra - Verne
Comentário: Aquele clássico que inspirou filmes e a literatura moderna, mas acaba sendo simples demais para nós bombardeados de referências.
Surpreendente: Memórias do subsolo - Dostoiévski
Comentário: Sempre falaram que o livro era muito denso ou triste, mas apenas achei um livro sensível e realista, que particularmente gostei.
Casal favorito: "Mara e Francismo" ("O sol depois da chuva"- Gabriel Chalita
Inspirador: Como vejo o mundo - Albert Einstein & Sejamos todos feministas - Chamamanda Ngozi & Terra dos Homens- Antoine de Saint-Exupéry
Comentário: Inspiração pra vida e para nos tornamos pessoas melhores.


sábado, 18 de novembro de 2017

Carta aberta sobre : Artes, censura e objetificação do ser humano

Depois de vários dias procrastinando e pensando em como falar sobre esse assunto, decidi me manifestar. Nos últimos meses vimos várias causas de repercussão geral que abordam direitos e aspectos sobre a sexualidade humana. Desde já, é importante frisar que não sou especialista na área, quiça venho para condenar ou julgar quem apoiou ou deixou de apoiar o movimento das massas. Mas venho apresentar três situações das quais precisamos falar: A censura à exposição Queer em um museu do RS, a polêmica acerca da apresentação "La bête" no MASP, e a proposta de PEC vedando o aborto de forma absoluta.
Primeiro, ao falar sobre a exposição Queer é preciso deixar de lado qualquer ideologia ou posicionamento político que nos limite a análise. Aqui se trata de simples liberdade de expressão, arte como crítica social e falta de classificação indicativa de exposições. A princípio, alegou-se que o cancelamento da exposição seria para defender os pequenos e contra pedofilia e zoofilia. O mais curioso é que em uma análise rápida as imagens já ficamos reflexivos com de que forma aquela arte instigaria a prática desses atos, quando na verdade pareciam mais críticas do que incitações, digo do ponto de vista artístico. Assim, parece precário dizer que qualquer arte mal interpretada deva ser censurada.
Proteger as crianças é essencial, inclusive dos programas televisivos que passam cada vez mais cedo e com classificação indicativa questionável. Seria interessante sim visar uma classificação dessas exposições, porém, os pais devem se lembrar de que essa instrução parte principalmente da família. Logo, quem deve peneirar e instruir é esta, de modo a não jogar tudo nas costas do estado. 
Outra apresentação artística criticada por sua vez foi a do artista nu representado uma releitura como obra viva de "Bicho" da artista Lygia Clark, com uma reflexão interessantíssima. Porém, como sempre, mal interpretada. Alguém, filmou uma criança, acompanhada da mãe, participando da interação e jogou na internet. Será tão perturbador mostrar as nossos crianças a naturalidade do corpo humano e o respeito ao mesmo? Não é mais pertubador o endeusamento e objetificação de nossos corpos perpetuado nas mídias em vários sentidos, que abrem brecha para estupros, problemas na área afetiva e sexual ou ainda a hiperssexualzação infantil que ainda existe na nossa sociedade? Talvez por desde cedo ter aprendido na aula de artes que "a maldade está nos olhos de quem vê" quando abordado a questão do nu, a visão de quem escreve seja tão naturalista. Ou talvez apenas por receio e incomodo de que certas situações do período de ditadura de censura as artes estejam voltando sem razão de ser. 
Nosso século XXI, parece demonstrar tanto retrocesso que não satisfeitos com a objetificação dos corpos, censura da arte e da crítica, desejam mandar neles. Pior ainda, solapar direitos já consolidados como o do aborto em risco de vida e estupro. Se em 1940 o legislador já entendia essas situações como claramente pessoais a mulher, quem são um punhado de homens para 80 anos depois afrontarem tudo? A meu ver, esta PEC por sua vez não há de passar, o que claro, seria como rasgar a própria constituição.
Parece-me que não é a sociedade que tem estado tão mais libertária, feminista, excêntrica ou semelhantes, mas que nossas dicotomia política está arrasadora. Briguinhas estupidas e posicionamento ignorantes de uma sociedade que não aprendeu a pensar. Países como a França aprenderam a lidar com essas questões há anos, e sabemos que ao menos esses direitos se consolidaram. Enquanto isso, o Brasil aterra e ri das artes, a pornografia (porque em grande parte das situações nem erotismo é) das artes do Brasil é escancarada e ninguém a questiona. Mas quando a transformamos em crítica social parece o que a situação muda de figura.  Estamos com medo ou apenas assustados pelo que não conhecemos, pelo receio de acabar com a pornografia explícita, objetificação dos corpos, sexualização da mulher e toda a construção do patriarcado remanescente?


Links interessantes:
http://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/veja-imagens-da-exposicao-cancelada-pelo-santander-no-rs/#
https://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais/apos-polemica-ministerio-publico-investiga-mostra-no-museu-de-arte-moderna-de-sao-paulo-21892435
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/11/10/pec-que-proibe-aborto-pode-ser-pautada-para-votacao-em-comissao-do-senado

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Vila


Data de lançamento: 03 de setembro de 2004
Duração: 1h 48min
Gênero: Fantasia, suspense
Direção: M. Night Shyamalan
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Em 1897 uma vila parece ser o local ideal para viver: tranquila, isolada e com os moradores vivendo em harmonia. Porém este local perfeito passa por mudanças quando os habitantes descobrem que o bosque que o cerca esconde uma raça de misteriosas e perigosas criaturas, por eles chamados de "Aquelas de Quem Não Falamos". O medo de ser a próxima vítima destas criaturas faz com que nenhum habitante da vila se arrisque a entrar no bosque. Apesar dos constantes avisos de Edward Walker (William Hurt), o líder local, e de sua mãe (Sigourney Weaver), o jovem Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) tem um grande desejo de ultrapassar os limites da vida rumo ao desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), uma jovem cega que também atrai a atenção do desequilibrado Noah Percy (Adrien Brody). O amor de Noah termina por colocar a vida de Ivy em perigo, fazendo com que verdades sejam reveladas e o caos tome conta da vila.

A Vila : FotoOpinião: Ambiente tenso, silêncio e uma pequena vila atormentada por criaturas estranhas. Ninguém sai da vila, de tanto medo de encontrá-las e ser devorado. Vários animais já morreram e só os sons dessas criaturas é perturbador. Mas é claro, como todo filme precisa de uma reviravolta, teremos uma jovem corajosa o suficiente para atravessar a floresta que os cerca, em nome do amor. Detalhe é dizer que nossa jovem protagonista é uma menina cega, que por não ver, não se assusta tanto. (Será que não tememos o que não vemos?).

Em clima de Halloween, vale mencionar que A Vila não é um filme essencialmente de terror, mas de suspense. É claro, levamos alguns sustos durante o longa, como em qualquer filme desse teor, que sejam de qualidade. Ainda, sobre a qualidade do mesmo, é pertinente mencionar a brilhante atuação da nossa jovem protagonista. E do elenco em geral. Imagem, som e figurino, ajudam a construir essa vila assombrada e isolada do mundo.
Porém, de tudo, o melhor do filme é sem dúvidas o roteiro. A trama traz com maestria todos os fatores necessários para uma boa obra, romance, clímax, reflexão e crítica social. Sem muito mais informações, e nenhum spoiler, recomendo que assistam A Vila, preparem seus corações e apreciem essa interessante e um pouco assustadora obra da sétima arte.