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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Gente

A borboleta pousou na rosa branca, seus tons amarelos se destacavam na ausência de cor, que na verdade, é a união de todas as cores. Marina apreciava aquela cena da janela do seu quarto, queria tanto ir lá fora e aproveitar o dia. Mas não, ela não podia.

Já tinha falado trezentas vezes para a mãe que não tinha problema, ela era grandinha, saberia como se cuidar, mas não tinha jeito, dona Élia não deixaria sua princesa sair da sua bola de cristal. Era a mãe mais protetora que se pode imaginar. É, só que Marina entendia o porquê.

Lembrou-se rapidamente de um livro que havia lido há pouco, Estrelas Tortas. Walcyr Carrasco havia a inspirado muito com sua obra. Poucas vezes se sentira tão representada e compreendida. Era como se sempre fosse estranha, diferente, quando na verdade, só queria ser igual.

Considerava-se feliz apesar de suas primas nas festinhas de família olharem com pena. "Coitada, ela nunca vai saber como é brincar conosco". Ah se descobrissem que elas podiam brincar com ela...  Nada custava inseri-la na brincadeira, oras boas!

Inclusão, igualdade, é o que a lei fala, pessoa com deficiência, Marina sabia quem era, uma menina com uma deficiência. Nasceu com as perninhas paradas, e uma mente flutuante. Era cadeirante sim, mas muito mais do que isso, era gente igual a gente.

Não deveria haver porquês de medos, bolhas e impedimentos, a pessoa não é a deficiência! Marina é ela mesma, quem ela quiser!

domingo, 16 de setembro de 2018

EMPRESA JÚNIOR + ENEJ + OURO PRETO

Cerca de duas semanas atrás fiz uma viagem para a bela cidade de Ouro Preto, na qual participei de um evento chamado "ENEJ - Encontro Nacional das Empresas Juniores". 
Empresa Júnior, o que é isso? Uma Empresa Júnior é uma empresa gerida por universitários. Isso mesmo, os estudantes, com orientação de seus professores, desenvolvem projetos para atender ao mercado e desenvolver o empreendedorismo. 
Mas desde quando existe isso? O Movimento Empresa Júnior surgiu em 1967 na França e chegou ao Brasil no ano de 1988, onde encontrou solo fértil para geminar essa ideia. E desde então já foram fundadas mais de 6.000 empresas juniores por todo o país.
Bacana, Giovana! Porém, e como você foi parar nesse evento? Bem, eu fui para o evento pois faço parte de uma Empresa Júnior! No mês de março de 2017 participei do processo seletivo da VERUS- Consultoria Jurídica, e logo assumi uma posição de liderança, primeiramente como Coordenadora de Qualidade e depois como Diretora de Projetos. Então, no mês de junho desse ano deixei meu cargo para me tornar Conselheira e focar em outras áreas da vida, mas claro, de forma que ainda posso acompanhar o crescimento da empresa de perto e auxiliar sempre que possível.

O que aprendi no MEJ: Vocês devem estar se perguntando em que me acrescentou esse tempo dentro do movimento e da empresa, não é mesmo? Pois então, condensei meu aprendizado em cinco tópicos sucintos:

1) ME EXPRESSAR: Sempre fui uma pessoa tímida, apesar de tagarela quando entre amigos e bastante expressiva. A minha dificuldade era utilizar o potencial que eu tinha e equilibrar a timidez com meu crescimento profissional. Como potencial concurseira nunca me preocupei realmente com a necessidade de falar, mas tinha medo de que se precisasse advogar ou vender minhas obras literárias boca a boca eu travaria. 
Sim, algumas vezes quando eu ficava muito tensa, hoje acontece em baixa escala, eu simplesmente não conseguia falar. O medo de chegar nas pessoas, de dizer o que penso, de publicar meus trabalhos era muito forte. E estar em uma Empresa Júnior te obriga a lidar com outras pessoas e se desafiar, entrei completamente receosa e saí vendendo projetos. Acredita que na viagem estava vendendo meu livro e já contatei alguns profissionais para desenvolve-lo só pela desenvoltura que desenvolvi?

2)A VER A ESPERANÇA NOS OUTROS: Sou uma sonhadora nata como toda poetisa, porém, parte minha estava bem desencantada com a sociedade. Por vezes olho para a situação social, política e econômica do país e tenho vontade de sair correndo. Como pode haver tantas pessoas corruptas, pessimistas ao extremo e conformadas!
O empreendedorismo vai na contramão de tudo isso, é sobre acreditar. É mais, é sobre lutar por um país melhor, mais democrático, mais empreendedor e mais honesto. Os valores do MEJ e das pessoas que nele estão, porque sim, há um processo seletivo para participar do movimento, é maravilhoso. A sinergia de ver tanta gente com esperança nos faz ter esperança também!

3) A NÃO DESISTIR: Quantas milhares de vezes eu pensei em desistir? Tantos foram os dias que olhei no espelho e simplesmente não queria mais, não queria mais fazer tanta coisa ao mesmo tempo, não queria mais ser escritora, me perguntava se valia a pena sonhar tanto pelo concurso que almejo... 
E sabe, na Empresa Júnior também, várias vezes eu olhei para as metas, para o desafios e achei que não seria capaz. Mas a força do sonho e da perseverança me fez enxergar que não vale a pena desistir, o esforço compensa, ainda que gradualmente. Afinal, como diz o ditado "Roma não se construiu em um só dia".

4)VALORIZE AS PESSOAS AO SEU REDOR: A coisa mais bacana que vi na Empresa Júnior foi a variedade de pessoas e a função de cada uma delas. Mapeando os tipos de personalidade percebemos quão diferente as pessoas são e como elas funcionam, no dia a dia e nos trabalhos percebia claramente essa diferença. Observando isso aprendi a valorizar todos os tipos de personalidade e a amar a cada dia mais as pessoas em suas diferenças.
Encontrei muita gente bacana dentro do MEJ e mais ainda, me encantei ao ver que existem funções para todas as pessoas como elas são. Devo fazer um pequeno adendo e mencionar que foi dentro da Empresa Júnior que encontrei meu namorado, pois é, MEJ também é amor, haha.

5)FAÇA PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO!  Sim, faça planos, metas e objetivos claros para que possa tornar seus sonhos reais. Sonhar é maravilhoso. Realizar é melhor ainda. Sempre gostei de criar metas, mas nunca foram tão claras como agora. Hoje aplico planejamento estratégico em praticamente todas as áreas da minha vida. Se trata basicamente de se organizar, ser pé no chão e realizar. Seja um idealista pragmático!

E POR FIM, SOBRE O EVENTO:
O ENEJ foi um evento super diferente, conheci pessoas dos mais diversos estados do país, tinha gente do Brasil inteiro! Pude me sentir integrada com meu país e ver como apesar de diversos, ainda somos uma nação. Assisti palestras sobre representatividade nas lideranças e sobre o protagonismo feminino e consolidar meu pensamento sobre a força do exemplo. Desenvolvi um plano para salvar uma empresa e se destacar na concorrência, e foi quando descobri que dentro de mim mora um ser muito criativo. E claro, pude contemplar histórias de empreendedores que fazem do seu negócio um ambiente confortável e sustentável, como o Rony Meisler.
Fora isso, tivemos momentos para falar sobre a Brasil Júnior, representante de todas as empresas do país, sobre as conquistas das empresas e alcance no país. E sinceramente, é de admirar como universitários podem impactar o mundo, e mais ainda de saber que serão profissionais da área em pouco tempo e poderão ser pessoas relevantes. Basicamente o evento foi sobre isso, seja uma pessoa relevante!
E para os curiosos, eu passei um pouco pela cidade também, que tinha uma gastronomia típica mineira deliciosa e muitos museus. Pude visitar o Museu da Arte Sacra, o Museu dos Inconfidentes, o centro cultural na praça de Tiradentes e a Casa dos Contos. Ouro Preto é uma cidade pitoresca, tombada pela ONU faz parecer que voltamos no tempo, nos encantar e sair com beleza no olhar! Amei a experiencia e compartilho minhas impressões para te incentivar a também vivenciar algo tão maravilhoso, viaje, seja empreendedor, seja criativo, mas acima de tudo, seja você, porque você tem muito a contribuir.

domingo, 4 de março de 2018

Além do otimismo

Meu Deus, Giovana, como você consegue ser tão otimista? Essa foi a pergunta de um amigo meu quando lhe disse como imaginava meu futuro. Talvez eu estivesse sendo bastante otimista, mas não achei que fosse nada fora do normal. Quer dizer, acreditar em si mesmo não deveria ser tão difícil. Isto é, claro que todos temos nossos momentos de baixos, eu admito que há dias em que me sinto um grande nada...
Porém, voltando a curiosa pergunta do porquê eu seria tão otimista, me lembrei de uma caro personagem: Ted Mosby de How I Met your Mother. Ted é um romântico que espera conhecer sua "the one" com quem seria feliz e formaria sua linda família. Mas como nada vem fácil, Ted passa oito temporadas procurando sua amada e quebrando a cara sucessivas vezes. E sim, ele não desiste, chega perto, mas não de fato. E sabe por quê? Porque Ted acredita não necessariamente em destino, mas no tempo e equilíbrio. Acredita no amor. As coisas na vida vão acontecendo gradualmente e há cientificamente falando uma relação de causa e efeito. Então se quiser muito uma coisa e fizer por merecer, é claro que cedo ou tarde a terá. 
Pois é, pode parecer que realmente eu esteja sendo muito otimista, mas ao meu ver são fatos. O que venho dizer por meio desse simples e objetivo texto é a verdade nua e crua. Tudo se trata de trabalhar duro para atingir suas metas. Oh, talvez, nem tudo no mundo seja por meritocracia mesmo, porém, não será isto que irá me barrar. De fato, o mundo é um caos e tem milhares de coisas horríveis ocorrendo todos os dias que são de partir o coração. No entanto, o que penso, é que se pararmos de lutar pelos nossos sonhos e parar de ter esperança tudo terá sido em vão.
Se pararmos de nos importar com as crianças abandonadas, com os moradores de rua, com a política esfacelada, com a guerra na Síria, com o trabalho escravo, com o maltrato aos animais, com o que escolhemos ser para impactar o mundo, e conosco!, tudo estará perdido. Quando não houver nenhum folego de vida nem faísca de esperança, o fogo se apagará por completo e mundo virará um gelo. Não deixe que o mundo perca a humanidade, não perca seus sonhos. Isto vai muito além do otimismo, é sobre lutar e ser humano.
Giovana de Carvalho Florencio

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Resenha "A Bolsa Amarela"

É mês das crianças! E nossas programações estão recheadas da doçura e das lembranças de infância. Agora, te pergunto: Como falar desse livro que simplesmente mudou a minha vida? Dê a uma criança de 11 anos um bom livro e um pouco de esperança e verá o nascimento de um escritor. Além de uma grande inspiração para minha vida pessoal, "A Bolsa Amarela” foi o ponta pé inicial para minha trajetória literária. Então vamos falar um pouco dessa belezura.


Editora: Casa Lygia Bojunga
Ano: 2008
Páginas: 140
Sinopse: A BOLSA AMARELA é a história de uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela ) - a vontade de ser gente grande, a de ter nascido menino e a de se tornar escritora. A partir dessa revelação - por si mesma uma contestação à estrutura familiar tradicional em cujo meio "criança não tem vontade" - essa menina sensível e imaginativa nos conta o seu dia-a-dia, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação fértil e povoado de amigos secretos e fantasias. Ao mesmo tempo que se sucedem episódios reais e fantásticos, uma aventura espiritual se processa, e a menina segue rumo à sua afirmação como pessoa.

A BOLSA AMARELA foi traduzido em vários idiomas e encenado em teatros do Brasil, da Bélgica e da Suécia; recebeu o prêmio "O MELHOR PARA A CRIANÇA", da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; foi incluído na LISTA DE HONRA do IBBY (International Board on Books for Young People) e fez parte integrante da obra de Lygia que recebeu o prêmio HANS CHRISTIAN ANDERSEN e o prêmio ALMA (ASTRID LINDGREN MEMORIAL AWARD).

Sobre o livro: A imaginação da criança é a peça central da obra. Tendo ganhado de "presente"- o que na verdade era as sobras das coisas usadas da sua tia- uma grande bolsa amarela, a sonhadora Raquel guarda seus bens mais preciosos: suas vontades e um alfinete que achou na rua. Com o tempo, a turma da bolsa amarela vai crescendo e recebe um galo que não queria ser rei, outro galo muito briguento e uma guarda-chuva ( é isso mesmo, ela era menina)  que não abria nem lembrava sua história. 
Com a sutileza do olhar de uma criança, Lygia Bojunga problematiza a igualdade de genero, os direitos da criança e os sonhos, no caso, o da escrita. Primeiro, abordarei sobre o desejo de Raquel de crescer. A pequena é filha temporona, possuindo três irmãos, duas mulheres e um homem. A diferença de idade entre os irmãos é outro fator que não ajuda, enquanto Raquel está por entrar na adolescência, todos os outros já são adultos. Oras, é compreensível a pequena se sentir tão excluída de tudo, afinal, ela sempre era a criança na história. 
Depois, o segundo desejo de Raquel era de ser menino. Até ler esse livro acho que realmente nunca tinha conseguido expressar minha revolta quando ouvia coisas do tipo: Isso é coisa pra menino, rosa é cor de menina ou qualquer atitude que a nossa sociedade tenha estigmatizado referente às distinções entre gênero. Mas veja bem, Raquel não era feminista nem nada. Era só uma menina indignada com as ironias da sociedade, dentro de sua própria casa, em que seu irmão sempre podia mais. Alto lá, está dizendo que isso é regra geral? Não me interpretem mal, não foi isso que quis dizer. Até porque, anos atrás quando a obra foi escrita, o movimento feminista nem estava tão em voga assim (corrijam-me se eu estiver errada), além disso, é um livro infantil. Ou seja, são apenas as constatações de uma menina sobre a realidade.
'- Tá vendo? Falaram que tanta coisa era coisa só pra garoto, que eu acabei até pensando que o jeito era nascer garoto." BOJUNGA, Lygia.
E por último, o encantador desejo de ser escritora. Ah, esse foi o que mexeu mais comigo. Desde minha mais tenra idade gostei de inventar histórias, passei a escrever poesias aos meus 8 anos, mas admito: era um desastre. Não que hoje eu seja grande coisa. Mas voltando ao livro, Raquel queria e gostava de escrever, apenas era mal compreendida. Não tinha amigos, ninguém para ler o que escrevia e sua família só sabia tirar sarro de suas histórias. Porém, ela foi forte, não se deixou abater, o desejo de escrever falou mais alto e sua bolsa amarela seria o gancho para seus primeiros contos. Advinha só quem se animou e sentou para escrever as várias histórias que tinha na cabeça? Depois de 7 anos ainda acho que sou bem mais ou menos, mas como já dizia minha querida Raquel: "Paciência".
Com essa doçura no olhar de uma criança, repleto de fantasias e sonhos, Raquel nos traz a magia da infância e uma lição para a vida adulta. Não importa quantos anos temos, o que querem que sejamos ou o que nos impõe, é preciso ser o que somos. É isso ou carregar uma bolsa repleta de histórias e pesando como chumbo. É, eu prefiro viver cada dia de uma vez como sou do que fingir ser o que não sou. É por isso que recomendo aos altos e baixos, novos e velhos, homens e mulheres, que leiam "A Bolsa Amarela".
" Acabei até mudando de idéia: resolvi que se eu queria escrever qualquer coisa eu devia escrever e pronto. Carta, romancinho, telegrama, o que me dava na cabeça. Queriam rir de mim? Paciência. Melhor rirem de mim do que carregar aquele peso dentro da bolsa amarela." BOJUNGA, Lygia. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Crítica Ben-Hur

Ben-Hur já era um daqueles filmes clássicos que estava na minha lista. Então, quando assisti o trailer da regravação definitivamente quis ir ao cinema. Pra começo de conversa, um filme que tem corrida de bigas já chama minha atenção, depois pela trama intrigante. Falaremos disso mais a frente.


Data de lançamento: 18 de agosto de 2016
Direção: 

Duração: 2h 04min 
Gênero: Ação, Épica, Aventura
Nacionalidade: EUA


Sinopse: 

Não recomendado para menores de 14 anos
O nobre Judah Ben Hur (Jack Huston), contemporâneo de Jesus Cristo (Rodrigo Santoro), é injustamente acusado de traição e condenado à escravidão. Ele sobrevive ao tempo de servidão e descobre que foi enganado por seu próprio irmão, Messala (Toby Kebbell), partindo, então, em busca de vingança.
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Opinião: A meu ver o mais legal desse filme é como ele é recheado de surpresas. Isto é, pra quem não assistiu a versão de 1959. Aqui no caso não faremos uma comparação entre as obras, porque essa não é a intenção, vamos apenas analisar essa versão de 2016. E partindo desse pressuposto, devo citar a bela fotografia que o filme trás. O figurino também chama a atenção, considerando que a história se passa no primeiro século depois de cristo. Ou seja, lidamos com romanos e seus elmos, os judeus e povos nômades com roupas bem específicas da época. De modo geral, a parte técnica do filme foi boa, no entanto, seria melhor se não tivesse falhado nos últimos 3 minutos do longa, mas foi um erro tão bobo que deixarei você assistir para encontrar.
Por outro lado, quanto à atuação, gostei da maioria. Morgan Freeman (Sheik Ilderim) está brilhante como sempre, não seria diferente. Rodrigo Santoro impressiona a todos transferindo credibilidade ao personagem e sendo um dos melhores "Jesus" que eu me lembro do cinema. Jack Huston (Bem-Hur) desenvolveu um personagem interessante e de modo geral representou muito bem o seu papel. Se tem alguém que me incomodou nisso tudo foi Toby Kebbell (Messala), talvez fosse um personagem que exigisse mais em si mesmo, mas penso que o ator poderia ter sido mais expressivo durante o longa. Se formos levar em contar os primeiros 100 minutos do filme e as expressões de Messalla, diremos que ele mal tem sentimentos.
Agora vamos deixar um pouco a tecnicidade dessa versão de lado e tratar do enredo imortal. Pra quem não sabe a obra é inspirada em um livro do fim do século XIX já retratado várias vezes no cinema e no teatro. A mensagem da obra é de paz e fraternidade. Algo que vem muito a calhar nos dias de hoje com tantas guerras e facções se disseminando pelo mundo. Em época de terrorismo, Estado-Islâmico, a guerra sem fim da Palestina e Israel, os países europeus que não acolhem ou não sabem como acolher mais imigrantes... Enfim, em dias assim é preciso uma mensagem de paz.

Ben-Hur e Messala são irmãos de criação. Um dia, Messala, que era apaixonado pela irmã de criação e era descendente direto de um dos traidores de Júlio César, se sente rejeitado por todos. Dessa forma ele decide se juntar ao Exército Romano buscando prestígio entre Romanos e superioridade entre Judeus. Graças a uma oportunidade dada por Pôncio Pilatos, Messala se torna General e adquire grande poder entre seu povo. Ao retornar a Jerusalém, ele está mais embrutecido do que nunca e ainda guarda ressentimento da família de criação, pois se sentia preterido. Quando se reencontram nem tudo corre as mil maravilhas e devido a um deslize essa família que o criou cai em desgraça. Messala poderia escolher puni-los ou não, mas ele os pune. E é a aí que se desenrola todo o sofrimento da obra.
Ben-Hur passa anos como escravo em um navio em consequência disso tudo. Quando por um acidente ele consegue se libertar encontra um nômade (Morgan Freman) que o ajuda a voltar a Jerusalém e preparar sua vingança. De volta a sua terra, ele descobre que sua mãe e irmã foram mortas, mas sua esposa conseguira fugir e estava acompanhando um novo profeta (Jesus). Para tentar se vingar de Messala ele com a ajuda do nômade vai competir uma corrida de bigas contra o irmão em troca do perdão de Roma e liberdade. Essa briga estava certamente fadada ao fim de um dos dois...

O fim da história se desenrola como num conto e ficará a critério seu descobrir. A meu ver o melhor foi o posicionamento de Jesus nisso tudo, que é tido como um personagem histórico e símbolo de esperança. Não é preciso ser de nenhuma religião para se encantar com a obra. O final é claro que vai de encontro com a mensagem que o autor queria passar. Mas vendo mais poeticamente, sem ser tão literal, podemos dizer que o perdão é o que nos salva todo santo dia.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Adeus, 2015!

"Fazer seu ano novo consiste em olhar o passado com mais doçura ,vendo as coisas boas e as ruins. Olhar pro futuro e acreditar nele . Mas acima de tudo: viver o presente!"


Começamos o ano com uma bandeja de oportunidades, e por causa disso ficamos perdidos, logo nos encontramos sem paciência. Fomos passear para arejar a mente, conhecemos Ron Mueck. Acabamos por descobrir que as mais belas coisas da vida são amar e recordar.
Tivemos nossos momentos entre famosos e descobrirmos que lado bom da Vida é se superar e que o Carnaval não é feito só de samba. 
Porque resumir as coisas assim seria uma barbárie, seria como resumir o Dia da Mulher a sutiãs queimados e ignorar o poder da voz. Porque a teoria de tudo está em cada um de nós e nossa inteligência é capaz de muitas coisas, mesmo quando o cansaço parece nos tomar.
Perante o potencial da nossa mente, o que é a beleza? Acho que a nossa própria mente é a beleza, o físico não é o melhor de nós. E ainda que seja necessário renascer, ser feliz é o essencial. Mas não falo de transformações por  puro capricho ou feita por teoremas, mas de que a vida está em nós mesmos. Mesmo que para isso seja necessário contrariar a sociedade.
Muitas vezes o céu parecer cheio de estrelas tortas, mas elas estão lá para nos mostrar que quanto mais velhos ficamos mais passamos a reparar no mundo. Porque muitas vezes é preciso guardar nossos sonhos inocentes com todas forças e abraçar o tempo e a poesia. Pois por mais que tudo pareça difícil, somos todos seres humanos e palavra alguma é capaz de resumir tudo que acreditamos.
E claro, é mágico poder fechar nossos olhos e sonhar, mas também agir, para quem sabe viver um dia um Fabuloso Destino, tal como Amélie Poulain. Isso para que nossa alma torturada sobreviva.
Às vezes, só será necessário voltar a ser criança e encontrar inspiração para manter nosso equilíbrio. Mesmo que para isso seja necessário viver algumas aventuras gregas e dizer mil vezes boa noite para quem amamos. Porque nossa mente é divertida, a poesia que o diga, aliás, quais as razões da poesia senão expressar essa imaginação louca? É importante superar a indiferença para tornar o mundo melhor. E é isso mesmo que o escritor tem como trabalho, ser simplesmente um redator do mundo para incomodar as pessoas e quem sabe mudar essa laranja mecânica.
Para um pouco, respire e imagine um mundo diferente, um mundo no qual nossas experiências de vida não nos tornem amargurados. Um mundo em que adivinhar o nome de  um livro seja uma diversão geral. Um mundo cheio de viagens e experiências construtivas.
Ah, por favor, escreva um diário da sua paixão, quero saber o que passa por essa cabecinha. Você pode ler o meu também e vamos para outro universo juntos. Mas não se engane, não falo de paixão romântica, mas daquela por algo importante para você, sejam os livros ou qualquer outra coisa. A minha paixão é o conhecimento, seja aquele do Jornal Diário, da escola ou da vida.
Fazer o que? A vida de escritor é complicada, mas é inevitável, como uma paixão desmedida e mal correspondida. E agora? Agora é abraçar a escrita e celebrar os livros e as palavras.
O que não quer dizer que não possamos às vezes tirar um dia para assistir um filme ou ir à praia, escritor também merece folga. Escritor também pode ter filhos, e precisa dar atenção para eles, para que se tornem pessoas autossuficientes e sensíveis. Não precisa ser como o pai com as palavras, mas é importante cultivar os sentimentos, para que veja as tragédias do mundo e chore por elas. E também, escritores precisam mudar de vez em quando, por fora também, porque o exterior e o interior são complementares.
Enfim, a vida é como um jogo voraz, nos amedrontando, mas nos encorajando a sermos cada vez melhores. Porque, bem, ninguém é perfeito. E se colocar no lugar do outro é a melhor pedida, afinal assim vemos os nossos defeitos e os do próximo, assim, podemos acreditar que a melhora é possível. De qualquer forma, o essencial é ter esperança; na vida, no ser humano e em si mesmo. 
Desejo-lhes um 2016 repleto de beleza interior, surpresas agradáveis, superações, desafios construtivos, paz e muito amor. 


          "Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto        andar do ano passado.
Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.
Mario Quintana"

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!

Ah, natal... Essa é uma época que particularmente me encanta no ano, a cidade fica colorida, a casa cheia de pisca-piscas e decorações, as comidas são diferentes das do dia a dia e as pessoas se encontram e muitas vezes se presenteiam. Mas não se engane, o natal não é algo tão padrão assim. 
Por exemplo, muitas pessoas não o comemoram, outras passam o natal sozinhas, algumas vão para grandes festas, outras para pequenas confraternizações, algumas tem um banquete, outras quase nada... E assim vemos a maior lição que o natal pode nos dar: a necessidade de amor! Do que adianta ter mil e uma iguarias e nada a comemorar? Não é em uma noite que devemos amar e sentir, mas o ano inteiro. 
É maravilhoso poder tirar um dia no ano para lembrar da esperança, para nos lembrar do amor ao próximo, de ajudar o necessitado e de celebrar, celebrar a vida! Precisamos parar para refletir, é preciso desacelerar, e levar esse sentimento durante o todos os dias.  Independente de como esteja nosso estado financeiro e psicológico. Digo isso, pois esse ano o país não está com uma economia favorável e tudo parece (e está) mais caro. Às vezes estamos cansados, o ano nos exauriu, mas é aí onde se encontra a beleza de celebrar a esperança, não em passar por cima das dificuldades, porém em superá-las.
Vamos aproveitar a noite de hoje e o dia de amanhã, ver quem amamos, dizer coisas belas - um verdadeiro "eu te amo" vale mil vezes mais do que qualquer presente- e descansar ou se cansar com quem amamos. De qualquer forma peço para que usem essa natal da melhor forma, se lembrem dos necessitados e carreguem o amor por todo o ano!


“Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-la durante todo o ano.


domingo, 17 de maio de 2015

Sonho inocente

Um conto ou apenas uma reflexão, esse texto foi escrito por mim há meses. Apesar das mudanças, a menina que o escreveu ainda continua bem aqui. Então compartilho com vocês um pouquinho da poetisa que carrego no peito.
"      A chuva caia do lado de fora do carro, mas não me atingia. Eu estava blindada pelo aço do automóvel e pela janela de vidro. Uma coisa que me fez rir muito: o vidro, tão resistente a algo tão inocente como a chuva e tão frágil a algo tão maldoso como o homem.
Às vezes na vida as coisas são assim, não parecem ter muito sentido. Como eu na infância, morria de medo de cemitério, mas na verdade devia ter medo andar na rua, com pessoas vivas! A maldade humana é tão inconsequente que chega a ser repulsiva, porque razão alguém faria mal ao seu semelhante? Mas faz!
Uma vez uma senhora da qual nem me recordo o nome me disse que a melhor coisa a se fazer para ser alguém sensível e bom, era se colocar no lugar do próximo em qualquer circunstância. E disse também que a pior coisa a fazer pra ser rico, bem-sucedido ou político era se colocar no lugar do próximo. Ironias da vida, pra se dar bem é preciso ser insensível.
Ah, não creio que isso será uma regra geral não! Talvez existam almas boas e preocupadas de alta influência, mas é um princípio que não deve partir de um. Deveria ser feita uma revolução social: Pessoas mais preocupadas, estudiosas, concisas, educadas e gentis. Mas não sou Marx e o socialismo, vou parar por aí antes de sonhar no impossível. Pensando bem, se já escrevo, é porque sou um pouco utópica. Afinal o que seria do homem sem um pouco de sonhos e esperança?"
Giovana de Carvalho Florencio