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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Como publicar um livro independente?

Entre erros e acertos posso dizer que finalmente aprendi sobre como publicar um livro de forma independente. E hoje venho aqui contar do porque fiz essa escolha e o que aprendi nesse caminhar.
1) Porque resolvi publicar de forma independente?
Uma das razões que me levou a optar pela publicação independente é que andava muito insatisfeita com o mercado editorial. Há alguns anos observo uma restrição cada vez mais em relação aos autores iniciantes no Brasil, a publicação patrocinada praticamente se restringe aos que já são populares ou artista. Agora, as editoras médias e menores exigem uma contraprestação mínima inicial que nem sempre agrada o bolso, podendo ser arriscada e com contratos pouco flexíveis. Eu sinceramente respeito o trabalho das editoras, mas atualmente não se enquadrava no meu objetivo final.

2) Passo a passo para publicação independente:
TENHA SEU LIVRO FINALIZADO
Feito é melhor do que perfeito! Um dos melhores conselhos que ouvi na vida, finalize o livro e mande bala no resto. Não, você nunca vai ficar totalmente satisfeito.

FAÇA UMA CORREÇÃO GRAMATICAL, PAGUE UM PROFISSIONAL DE PREFERENCIA
Corrija, corrija, uma, duas, dez vezes se for preciso, e acredite, mesmo depois de tudo isso, você vai achar mais erros! Pague um profissional para te orientar e fazer indicações técnicas, se esse é seu primeiro livro, aceite que você está longe de dominar a língua portuguesa e estrutura literária.

REGISTRE NA EDA E ISBN
Que raios é EDA? Calma, é só o Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional! Não é obrigatório ter o registro para publicar o livro, mas é uma segurança, um documento sério para caso em um remoto caso te roubem a obra. Custa apenas 20 reais, a remessa no correio, a impressão e paciência. O passo a passo pode ser encontrado no site: https://www.bn.gov.br/servicos/direitos-autorais.
E o ISBN é essencial? Sim, caso queira vender comercialmente o livro é essencial, para escritores independentes vai sair mais caro, porque precisará fazer um cadastro editoral (restrito a 30 obras), e taxa sobre a criação de código de barras ou itens que queira que eles façam. O código é como o CPF do livro, só que de valor internacional. Site: http://www.isbn.bn.br/website/conteudo/pagina=6

DIAGRAMAÇÃO
Resultado de imagem para bok2 modelo ficha catalográficaÉ, o trabalho pós escrita é bem mais trabalhoso do que espera, né? Eu entendo plenamente, mas acredite, é o que faz um livro ser um livro. Você precisará estudar a estrutura de livros fazendo comparações e aprender um pouco de word, porém, eu garanto que no fim é muito satisfatório.
Ah, caso queira vender seu livro em sites na internet, não se esqueça de fazer a ficha catalográfica (que é como o perfil literário da obra), você pode pagar para a ISBN fazer ou aprender sozinho no site da UNB (o qual utilizei).

FAÇA SUA CAPA - SIM, PAGUE UM DESIGNER
Entendo como seja tentador utilizar um Canva e economizar um dinheiro, contudo, acredite em mim, a qualidade da capa agrega muito valor a obra. Quantos não compram o livro pela capa? Pague um designer, de preferência que tenha feito outras capas antes.

CRIE UM MARCA-PÁGINA
Hoje em dia existem inúmeras gráficas que fazem marca-páginas super em conta (como a Esquenezi), pode optar por fazer a arte ou pagar para um profissional. O marca-página é um excelente presentinho e agrega valor ao livro.

REVISE DE NOVO- DE PREFERÊNCIA APÓS LEITURA DO LEITOR BETA
Antes da publicação definitiva de o livro para um leitor beta avaliar. Quem o leitor beta? Sabe aquele seu amigo que é ávido leitor, ou aquele conhecido que lê 10 livros por mês (não precisa ser tanto), esse mesmo! Ele te dará uma visão realista da obra, e te prepara para o feedback dos leitores.

FAÇA UM BONECO E ORÇAMENTOS
Prepare seu livro, revise, salve em PDF, e faça orçamentos. Orçamentos e mais orçamentos até saber o que realmente vale a pena.

FAÇA UMA REMESSA DE ACORDO COM SUA DEMANDA
Não ache que vai vender 100 exemplares em um mês, não se endivide por causa disso. Sabe, não vender de cara não significa que você não tem talento, apenas que ainda é um desconhecido, e quem era Beethoven ou Van Gogh quando jovem?

VENDA NO MARKETPLACE
Recomendo altamente para escritores independentes que se cadastrem em plataformas digitais que vendem por demanda, te torna livre para vender no Brasil todo e sem preocupações.

NÃO SURTE! OU SURTE UM POUCO!
Apesar de saber que tudo transcorreu normal, surtei, e ainda estou tensa com tudo isso, afinal, é um lance de fé. Mas tudo bem, vai ficar tudo bem.



sexta-feira, 21 de junho de 2019

Privilégio - O que aprendi no Leia Mulheres

Desde o começo do ano comecei a participar de um grupo de leitura chamado de "Leia mulheres", neste lemos livros de vários gêneros e formais, escritos especialmente por mulheres. O projeto caiu como uma luva para mim, afinal meu objetivo esse ano não é ler muitos e muitos livros, mas diversificar minha leitura e dar espaço para as obras femininas. O desejo surgiu quando após ler uma postagem de outro blog parei para analisar minha estante de livros e percebi que majoritariamente eram escritos por homens.
Resultado de imagem para kindred laços de sangue
Nesses últimos meses participando do grupo pude ler diversos livros, desde ficção científica até romance "chick lit", os quais nunca pensava que leria. No último mês em especial lemos a obra "Kindred- Laços de Sangue", na qual observamos de forma latente a desigualdade racial e sexual. A história conta sobre Dana, uma mulher negra, que vive na década de 60 nos Estados Unidos e se vê misteriosamente em uma viagem no tempo para reencontrar seus ancestrais.
O principal da história é o choque de realidade, a protagonista como uma mulher negra no passado sofre grandes dificuldades e começa a compreender como os negros permitiam a subjugação. Na verdade, eles não tinham poder para bater de frente, nem contradizer a sociedade. Octavia E. Butler demonstra no livro que tudo é uma questão de luta de poder, e muito, sobre privilégio.
Resultado de imagem para a mão esquerda da escuridãoO mais curioso é que a situação de privilégio encontra-se presente em outras obras, podendo ser visualizada pela dicotomia sexual, como no livro "A mão esquerda da escuridão". A obra também de ficção científica me impactou por trazer a realidade de um planeta em que os gêneros e sexos eram equiparados, por todos serem assexuados, exceto em período específico do ano. O choque de realidade e a literatura feminina vem para mostrar as desigualdades sociais, e que o feminismo não é "mimimi", mas sim, uma importante reflexão a ser feita. A igualdade de gênero e os privilégios intrínsecos socialmente precisam ser discutidos. 
Gostou da ideia, quer conhecer, procure no Instragram Leia mulheres, cada estado possui seu próprio grupo. Conheça, leia, e principalmente, ajude a quebrar privilégios meramente físicos.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Imagem relacionada
Ano: 2012
Páginas: 216
Idioma: português
Editora: Biblioteca Azul









Sinopse: Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais.Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.
Um clássico de Ray Bradbury, "Fahrenheit 451" é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.

Opinião: Não é de hoje que gosto de distopias. A verdade é que ao ler sobre um possível futuro distópico consigo enxergar melhor a realidade, seja para ver esperança ou os pontos negativos. Foi com esse pensamento que adquiri e conheci a obra Fahrenheit 451, um dos clássicos desse tipo de ficção.
Devo alertá-los desde já que está análise será eminentemente crítica e não focada apenas no enredo e escrita, coisa que a sinopse já fez muito bem. A escrita manteve o suspense necessário, e linearidade precisa, clara e concisa como deveria ser, nada de muito diferente a se enfatizar. O enredo trata de um mundo futuro, é válido lembrar de que foi publicada originalmente em 1953, apesar de não precisar o ano em que se passa  a estória, podemos entender que o presente do livro não é tão diferente do nosso presente. A estória aborda a mudança de percepção de um bombeiro, que queimava livros, para um ávido leitor, e basicamente uma expansão da sua mente e realidade.
Manuel da Costa Pinto, brilhante escritor e crítico brasileiro, apresenta seu ponto de vista no prefácio do livro, o qual indico fortemente ser lido. Logo podemos observar o relato da queima de livros na segunda guerra mundial, como um irônico avanço a queima de pessoas na idade média. O livro é apresentado aqui por sua ambientação similar a atual, com exceção as casas a prova de fogo, o que teria originado o desvirtuamento da profissão dos bombeiros, e da desconsideração da leitura e portanto religião, filosofia, sociologia e literatura,  em face  massificação cultural midiática.
Preocupei-me com a identificação a qual encontrei na obra, diga-se de passagem que não é tão difícil materializar a situação caricata da queima de livros com a falência das livrarias e editoras. A massificação cultural se apresenta fortemente pulsante em toda parte, não há mais que se ler vez que pode-se ler resumos, assistir jornal por vídeo e conversar sobre qualquer bobagem. O interesse de Montag em descobrir o porquê das coisas é coisa de gente peculiar hoje em dia, para que saber o porqu
ê das coisas se podemos apenas tê-las?
Beatty é o personagem o qual faz contraponto com nosso protagonista, chefe dos bombeiros, sabe profundamente acerca dos livros e seus escritores, mas que os considera informações excessivas aos homens. Informação de mais, esse não é o medo de muitos? Não leia Marx, os livros de história corrompem, não leia nada que possa te fazer pensar diferente, não leia nada desse tipo, informação demais pode confundir. Ora se apenas o ato de ler é capaz de mudar pensamentos ele decerto é uma arma, e mais decerto ainda sinal de quem lê e por isso apenas muda é que é fraco de opinião. Será mesmo? Penso que livros são poderosos, porém porque tem suas razões para o serem e creio que todos somos capazes de processar o que lemos. Veja, na história a leitura se tornou apenas mecânica, e quando alguém deseja utilizá-la para pensar, era absurdo, heresia, doutrinação!
Por fim, creio que dois trechos de Ray Bradbury são suficientes para esclarecer sobre o que é a obra, brevemente, eis que cabe a mim transcrevê-los:
-" Nos tempos antes de Cristo, havia uma ave estúpida chamada Fênix que, a cada cem anos, construía uma pira e se consumia em chamas. Deve ter sido prima-irmã do homem. Mas, toda vez que se queimava, ressurgia das cinzas e novamente renascia. E parece que estivemos fazendo e refazendo inúmeras vezes a mesma coisa, só que com uma vantagem que a Fênix nunca teve. Nós sabemos a estupidez que acabamos de cometer."
-" Ficção científica é uma ótima maneira de fingir que você está falando do futuro quando, na realidade, está atacando o passado recente e o presente".

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Papel da Parede Amarelo - Charlotte Perkins Gilman

O Papel de Parede AmareloAno: 2006 
Páginas: 112
Idioma: português 
Editora: José Olympio

Sinopse: Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade

Opinião: Está tudo bem, está tudo bem, essas três palavras parecem permear forçosamente o início da trama. Uma mulher que entende ser amada por seu marido e não importa o quando ele a isole, cabe a ela entender que está tudo bem, ao menos é o que seu esposo médico lhe diz. Em época que a mulher pensar era visto como doença e que momentos de raiva chamados de histeria, nada mais normal.
O viés de terror, na verdade, nada mais é do que as dificuldades da realidade expostas pelo psicológico de uma mulher oprimida. A metáfora do papel de parede é essencial para elucidar a sensação de estar presa. A sensação ruim traga pelo mesmo reflete tão somente o estado emocional da protagonista.

Um livro simples,breve e denso. Escrito há mais de cem anos, esse conto trás a realidade de como a mulher era e por  vezes ainda é, sufocada seja pela sociedade ou pela sua própria família. Não perca a oportunidade de ler e entender esse breve e reflexivo livro!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Vida para Consumo X O Livro do Bem

Nos últimos dias, em especial, tenho sentido que tudo parece fluído e ao mesmo tempo como um redemoinho em que somos fulminados pelo eterno retorno. Mas deixando de lado minhas análises filosóficas, passo aos fatos, recheados de sociologia e muito otimismo, pois ainda me resta um resquício de esperança. Ser poetisa afinal é carregar água na peneira, Manoel de Barros sabia do que falava. Venho então nesse dia, para lhes recomendar duas leituras bem diversas, mas importantíssimas para refletirmos.


Vida Para Consumo
Sinopse: Um dos mais perspicazes pensadores da atualidade, Bauman nos revela a verdade oculta, um dos segredos mais dissimulados da sociedade contemporânea: a sutil e gradativa transformação dos consumidores em mercadorias. As pessoas precisam se submeter a constantes remodelamentos para que, ao contrário de roupas e produtos que rapidamente saem de moda, não fiquem obsoletas.
Bauman examina ainda o impacto da conduta consumista em diversos aspectos da vida social: política, democracia, comunidades, parcerias, construção de identidade, produção e uso de conhecimento. E dá especial atenção ao mundo virtual: redes de relacionamento, como Orkut e MySpace, não refletem a idéia do homem como produto?
Autor: Zygmunt BaumanAno: 2008
Páginas: 200
Editora: Zahar

Opinião: Ler "Vida para Consumo" fez com que minha mente se expandisse em um nível que não consigo explicar. Ao começar a ler essa obra, você vai finalmente entender o que é o mundo líquido, e os seres humanos como mero objeto de interesse. Bauman mostra como nossas relações modernas são baseadas no momento e no que podemos lucrar com elas.

As pessoas já não amam genuinamente, se interessam por aparência, pelo que o outro pode lhe dar algo em troca, pelo prazer, por poder andar com alguém do seu lado, e outros fatores egoístas. Pelo menos isso é o que o autor afirma. Seus dados mexem conosco e a mercantilização humana tão vívida no mundo ocidental chega a dar naúses.
Talvez entregar um livro desses para uma pessoa metida a filósofa e crítica nata seja pedir para brotarem filosofias e teorias conspiratórias, mas acho que são reflexões bem válidas. O mundo parece descartável, coisas, objetos, momentos e tudo mais. Pessoas mais apegadas são caretas, piegas, fora de moda ou no mínimo estranhas. Mas afinal, o que é mais estranho, se importar ou ser "hiper descolado(a)" e nunca se importar? Fica a reflexão e indicação de leitura.




O Livro do Bem
Sinopse: Este é um livro diferente, porque é sobre alguém muito especial: você. É um espaço para você fazer coisas que vão colocar um sorriso no seu rosto e deixar sua vida mais alegre e feliz. São pequenas e grandes atitudes que vão lembrar você que tudo sempre pode ser melhor e mais divertido se a gente der uma chance, e que cada segundo da vida vale a pena até quando a gente tende a não a acreditar muito.
Este é um livro sobre amor, felicidade e alegria de viver. Mas ele só vai acontecer completamente se você topar embarcar nessa loucura fazendo-o seu de verdade. Cada minuto que você dedicar a estas páginas farão com que este livro se torne mais completo e mais seu. Então vem! E fica aqui um convite: fotografe e publique tudo o que você fizer no seu Livro do Bem nas redes sociais com tag #livrodobem. Porque o que é do BEM merece ser compartilhado!
Ano: 2014 
Páginas: 224
Editora: Gutenberg'


Opinião: Em contrapartida, o oposto de um livro ácido é um livro otimista, e diga-se de passagem que "O Livro do bem, Coisas para você fazer e deixar seu dia mais feliz" é essencial. Quantos dias estive triste ou amedrontada e abri essas páginas para ler algo bom ou escrever o quê sentia. Isso mesmo, esse livro é dinâmico, em que você é quem realizada as atividades.
Quando comprei, achei que poderia enjoar, fazer rápido como um desafio ou achar chato e nunca terminar. Porém, jamais diria que ele se tornaria meu substituto para o diário e registro de meus sentimentos. Quem diria, não é mesmo?
As autoras possuem uma página chamada "Indiretas do bem" na qual escrevem frases positivas para mandar aquela indireta para as pessoas. Pense bem, coisas para criticar temos um monte, e para elogiar também, às vezes você adora o jeito que certa pessoa mexe no cabelo e nunca falou porque acha que seria estranho. EI! Pare! Seja mais simpático, seja mais você, seja alegre, seja triste, só não seja cadeado de si mesmo!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

Resultado de imagem para outros jeitos de usar a bocaEditora: Planeta
Ano: 2015
Páginas: 204
Idioma: Português 

Sinopse:'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Opinião: Certo dia em uma conversa aleatória um caro amigo me recomendou a leitura desse livro, dizendo que eu iria gostar, de fato, ele me conhece bem, gostei muito. E não posso perder a oportunidade de passar a minha opinião para frente. Porque Rupi Kaur conseguiu nessa obra juntar diversos sentimentos que assolam nossas delicadas almas e mais ainda, falar sobre assuntos delicados para nós mulheres e transformar em poesia.
O primeiro capítulo se intitula "a dor" e trata sobre as tristezas que preenchem nossos corações ou de quem amamos. A dor de fazer o que querem de você enquanto se fecha, de abusos que por vezes ocorrem na sociedade, do abandono, da objetificação de nossos corpos e da violência. "A ideia de que somos tão capazes de amar mas escolhemos ser tóxicos." É como se recebêssemos vários tapas na cara por ver em palavras tudo o que vemos, sentimos e não somos capazes de expressar.
O segundo se intitula "o amor", abordando desde o amor materno- o mais genuíno, o amor romântico sexual, o amor próprio e a beleza do amor. Sabe, todas alegrias e decepções são postas com seu devido valor. A paixão se transforma em mel e o êxtase em leite, faço aqui uma referência ao nome do livro em inglês -"Milk and honey". "nada mais seguro que o som de você lendo alto para mim - o encontro perfeito" É sobre toda a doçura e sinceridade que há no amar.
"A ruptura" é o terceiro capítulo, que nos fala sobre maturidade e aprendizados. Para crescer é preciso viver, sofrer, e chorar um pouco se preciso for. Fala sobre entender que nem sempre  o amor será como se espera e que você não deve esperar que outra pessoa além de ti mesma te preencha. Mas acima de tudo, nos ensina a não aceitar migalhas, sobre ser inteira, sobre se aceitar e acima de tudo sobre "ser". "Você não deveria precisar ensina-los a te desejar, eles precisam te desejar por conta própria" E quanto Rupi diz aqui desejar não se restrinja em pensar no sentido físico e amoroso, mas sobre as pessoas ao redor em geral, se não desejam sua presença e sua pessoa, não force, quem te ama, te ama e ponto. Não mendigue afeto.
E por fim, "a cura". "não se de o trabalho de agarrar aquilo que não te quer - você não pode obrigar ninguém a ficar" Uma das primeiras poesias desse capítulo é exatamente sobre a liberdade de amar. Trata-se aqui de se amar em primeiro lugar, para assim amar ao próximo com o máximo de leveza que conseguir. Não se preocupe se em algum ponto da jornada se sentir só, isso é sinal de que precisa desesperadamente de si mesma, é a mensagem da autora. Somos seres completos sozinhos e enquanto não nos encontramos, ficamos vagando por entre efemeridades, amores ilusórios e vazios sem fim.  Se aceitar e se encontrar ao natural é o discurso que pode ser chamado de feminista aqui, mas do que isso, é um grito de anos de não aceitação." Aceite-se como você foi projetada". E assim, para falar sobre escrever e amar é que se usa a boca.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Sobre os livros de 2017

Mais uma vez, estamos na reta final do ano e nada melhor do que trazer um feedback de todos os livros lidos durante 2017.  Cada obra possuiu  sua importância e agregou de alguma forma minha pessoa. Este ano foram menos livros não ligados a minha profissão, porém, os que pude apreciar muito me agregaram. Desejo que apreciem a lista e se lhe interessar desfrutem de alguma leitura desses livros!












Comentário: Saramago era um autor que já me chamava atenção há anos através de inúmeras críticas literárias, mas nada muda a emoção e peso em ler uma de suas mais profundas obras.
Autores do ano: Saramago e Bauman
Comentário: Simplesmente por terem sido os autores que mais me fizeram pensar nesse ano e por ter conhecido várias pessoas que apreciavam suas obras, o que me proporcionou conversas maravilhosas.
Personagem favorita: "A mulher do médico" (Ensaio sobre a Cegueira- Saramago) 
Comentário: A plenitude da força, sabedoria e humanidade representadas da mais bela forma.
Série do Ano: Série "O Guia do mochileiro das galáxias"
Comentário: Porque claramente que a reposta para a pergunta mais importante do universo é 42, não sei porque os filósofos ainda discutem!
     Terminei rápido: O conto da ilha desconhecida - Saramago
       Comentário: Que história e quantas lições em tão poucas páginas!
     Demorei para ler: Um filósofo no ninho - Carlos Eduardo Doné
Comentário: Considerando o tempo livre para ler, eu demorei mais do que o previsto, o livro é muito denso e as críticas ácidas precisam de um tempo para serem digeridas.
      Chorei: Vá, coloque um vigia! -Harper Lee
Comentário: Harper é tão maravilhosa que nem acredito que só tenha dois livros. Se tem alguém que me faz chorar é essa mulher.
Ri muito: O Guia do Mochileiro das Galáxias -Douglas Adams
Comentário: Douglas Adams é comediante né, como esperar menos?
Chorei e ri: Magnus Chase - Rick Riordan
Comentário: Titio Rick sempre se superando não é mesmo?
Personagens com quem me identifiquei: Jean Finch  (Vá, coloque um vigia - Harper Lee)
Comentário: Mulher, estudante de direito, crítica, política, forte... Preciso dizer mais alguma coisa? 
Melhor final: "Ensaio sobre a cegueira- Saramago"
Comentário: Meu favoritinho...
Pior final: O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares - Ransom Rigs
Comentário: Eu vi o filme antes, admito, mas não creio que seja só por isso. Ao fim do livro senti que faltou algo, não tinha tanta vontade de continuar a série.
Decepcionante: Viagem ao centro da terra - Verne
Comentário: Aquele clássico que inspirou filmes e a literatura moderna, mas acaba sendo simples demais para nós bombardeados de referências.
Surpreendente: Memórias do subsolo - Dostoiévski
Comentário: Sempre falaram que o livro era muito denso ou triste, mas apenas achei um livro sensível e realista, que particularmente gostei.
Casal favorito: "Mara e Francismo" ("O sol depois da chuva"- Gabriel Chalita) 
Inspirador: Como vejo o mundo - Albert Einstein & Sejamos todos feministas - Chamamanda Ngozi & Terra dos Homens- Antoine de Saint-Exupéry
Comentário: Inspiração pra vida e para nos tornamos pessoas melhores.


sábado, 30 de setembro de 2017

Terra dos Homens- Antoine de Saint-Exupéry

Terra Dos HomensEditora: Nova Fronteira
Ano: 2016
Páginas: 152
Idioma: Português 

Sinopse: Em “Terra dos homens”, Saint-Exupéry relata, por meio de uma narrativa fluida e instigante, suas memórias de piloto do correio aéreo francês, as aspirações em sua perigosa profissão e o dia a dia com outros pilotos e amigos, além de descrever suas impressões sobre o mundo e o papel que o homem nele desempenha — pensamentos construídos sob a ótica elevada de quem sempre observou tudo do mais fascinante e particular ponto de vista: as nuvens. Unindo realidade ao lúdico, o factual ao filosófico, “Terra dos homens” discute temas como a amizade, o heroísmo, a morte e a eterna busca por um significado para a vida.

Opinião: Depois de ler "O Pequeno Príncipe", admito, não fui mais a mesma. Foi como se finalmente tivesse achado algo que explicasse meus sentimentos. Como se por um instante pudesse voltar a ser criança. Logo que soube dessa outra obra de Saint-Exupéry, não pude deixar de conhecê-la. Nesse livro autobiográfico, o escritor e piloto nos conta sobre sua experiência nos ares e fora deles. Também sobre o tempo que ficou no deserto do Saara, então podemos ver como esse tempo o influenciou na escrita de seu Magnum Opus. Antoine era um homem que sempre estava com a cabeça nas nuvens, não só por sua profissão como metaforicamente. Enquanto não estava nos ares, estava pensando no ser humano e na vida, e claro, escrevendo. Conhecemos sua faceta e sua curiosidade com os desenhos, o que claramente inspirou o trecho do desenho do carneiro de "O Pequeno Príncipe". Um homem que conheceu diversos povos, culturas e viu a guerra de perto. 
Aqui não temos uma história linear, mas sobre os momentos em que paramos para observar as plantas crescerem, uma mãe amamentar seu filho, que olhamos o pôr do sol... Antoine se incomoda com a miséria humana e sente que somos todos seres cheios de potencial, muitas vezes relegados. Em seu trajeto da Europa para a África e América do Sul encontrou o contraste de cultura e desigualdade social. Curioso capítulo é no qual narra sua forma de lidar com a religião muçulmana tão diversa da sua.
O livro traz reflexões atemporais, por exemplo, sobre a tecnologia, no caso o avião como seu instrumento de trabalho, e a essência da vida.  A sua dualidade entre a vida como meio para o mesmo fim, a paz, o amor e a felicidade, nos mostra uma pessoa muito bem resolvida e objetiva. Por fim, concluo com uma das frases que mais me impactou desse pequeno livro:"Sempre me pareceu que as pessoas que se horrorizam muito muito com nossos progressos técnicos confundem o fim com o meio. Na verdade, quem luta apenas na esperança de bens materiais não colhe nada que valha a pena viver".


sábado, 15 de julho de 2017

Resenha- Ensaio sobre a cegueira

Ensaio Sobre A CegueiraEditora: Companhia das Letras
Ano:  1995
Páginas: 310
Idioma: Português 

Sinopse: Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.
O "Ensaio sobre a cegueira" é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".

Opinião: Saramago estava na minha lista já fazia um bom tempo, ainda mais depois de que assisti o filme dessa belíssima obra. Imaginei que se o longa tinha a capacidade de me fazer sentar na cama e refletir sobre a vida, o que faria o livro? Por isso me preparei e digeri aos poucos esse importante ensaio sobre a cegueira humana. Afinal, o que é ser cego? A cegueira aparece aqui como a protagonista da história, doença que se alastra e contamina a todos, sobrando apenas uma pessoa sã. Como ela poderia ajudar os outros?
Entrar na obra e conhecer o máximo da miséria humana aos olhos de uma única pessoa sã, nos faz refletir sobre o sentimento de impotência que por vezes nos assola. Um motorista fica inexplicavelmente cego enquanto observa o sinal vermelho, consulta um médico, que por sua vez fica com o mesmo mal. E de igual modo, todos os pacientes daquele dia. A esposa do médico, sem temer, vai junto ao esposo para a quarentena, alegando estar cega. A cegueira branca não parecia ter explicação na medicina, talvez fosse algo psicológico, mas como assolaria tantas pessoas assim? Isso é, todos, menos a esposa do médico.
Na quarentena vemos de tudo, desde a fome, o instinto materno de uma jovem para com um menininho estrábico, o amor desta por um velho, um casal lutando para ficar junto e a morte sorrateiramente puxando o tapete de nossos personagens. Na cegueira não há feio nem belo, muito menos sorrisos, sequer há lei, não nessa cegueira. Vemos o pior do ser humano, o assédio sexual, o homicídio, o estupro, a mentira e a miséria; sem poder ver, todos se tornam selvagens. Um ladrão de carro que alegava ajudar o motorista repentinamente cego tenta diminuir sua culpa ao deixar o cego em casa. Mas também adquire a doença. 
Uma rapariga em seu momento de êxtase vê-se cega e nua pelas ruas. O homem que com ela se deitou. A camareira do quarto do hotel. E tudo se reproduzindo como uma peste. No entanto, não só de males vive o mundo, no momento de completa cegueira, todos são humanos. Não interessa a profissão, razão ou segredos, todos ali são humanos e sujeitos as mesmas intempéries. Isto é, mesmo trancados em quarentena, cada um continua a querer se diferenciar do outro. Ao lado desse eu não ando, diz o motorista ao ladrão de seu carro. 
Tornam-se todos iguais quando a fome chega. O país está cego, não há governo, nem comida, os guardas com suas armas tomam-a pra si e regem com tirania. A morte vai levando vidas de pura animalidade, são seres em se estado mais primitivo, ainda que não tenha se passado tanto tempo desde o primeiro caso. Quanto tempo levaria para todos morrerem se não houvesse ajuda mútua? Quanto tempo sobreviveríamos se ninguém enxergasse o próximo? Pelos cálculos de nossa única remanescente, não muito.
A dor e a miséria humana são sorvidas aqui até a última gota. A nudez é exposta e a alma pisoteada. O único que continua a ver sem ver é o escritor. Se tudo desmorona, a imaginação é tudo que nos sobra. Saramago consegue nos fazer vibrar, temer, se emocionar e viver em uma realidade abrupta, por vezes real. Acabamos por ver que nem tudo é tão ruim quanto parece, mas que vivemos sim em um estado de cegueira. Quando vamos parar de olhar só para nosso umbigo, se achar superiores ou ignorar as mazelas do mundo? É o fardo que o autor nos joga nos ombros para refletir sobre a vida. É como já dizia meu amigo Voltaire, "Todo homem é culpado pelo bem que ele não fez".

Obs.: Saramago foi o único autor da língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel da Literatura.

"O medo cega... são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos." Saramago




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Vá, Coloque um Vigia

Vá, Coloque Um Vigia
Editora: José Olympio
Ano: 2015
Páginas: 252
Idioma: Português 

Sinopse: Segundo romance de Harper Lee, que bateu recorde de número de exemplares vendidos em um só dia superando O símbolo perdido, de Dan Brown. 

Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de O sol é para todos, está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais. Confrontada com a comunidade que a criou, mas da qual estava afastada desde sua mudança para Nova York, Jean Louise passa a ver sua família e amigos sob nova perspectiva e se espanta com inconsistências referentes à ética e a pensamentos nos âmbitos político, social e familiar.Vá, coloque um vigia é o segundo romance de Harper Lee, mas foi escrito antes do mítico O sol é para todos, que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1961. Este livro inédito marca o retorno, após 65 anos de silêncio, de uma das maiores escritoras americanas do século XX.

Opinião: Admito que fiquei animada e receosa assim que terminei de ler O Sol é Para todos e descobri que estava lançando no Brasil Vá, Coloque um Vigia. O livro foi escrito antes do Magnum Opus da autora, porém, nunca fora lançado pela simples razão de que ela o deixou de lado para investir na outra obra. Como escritora entendo plenamente a ideia de Harper Lee, ao ouvir do editor que o potencial da obra estaria minado devido a suas críticas muito escancaradas para época, o que deve ter tido um impacto significativo para ela. Mas agora, cerca de 60 anos depois, e no fim da vida, porque ela não deixaria o livro chegar ao público? ( Harper Lee faleceu em 19 de Fevereiro de 2016) É importante ter a mentalidade de que esta trama não é exatamente uma continuação da primeira ( por ter sido escrita antes e pelas pequenas variações na história e nos personagens realizadas pela autora) e portanto segue uma linha independente.

Feitas as considerações iniciais, posso falar sobre o que achei dos personagens e da história do livro. Jean Louise (Scout) aparece adulta e como uma mulher aparentemente bem resolvida e independente. Ela possui um relacionamento com um jovem chamado Henry que conhecera na adolescência, o qual trabalhava como advogado junto a seu pai. Não é de se estranhar que nossa jovem continue com alma de moleca e seja receosa quanto ao casamento. Esta mora em Nova Iorque e volta todos os anos para passar as férias em Maycomb quando revê seu já velho pai, seu namorado e seus tios. Nosso querido Atticus se apresenta como fraco fisicamente, mas ainda com uma mente muito perspicaz.
Algo a ser muito frisado aqui é a análise política realizada pela obra da situação da mulher e do negro nos Estados Unidos dos anos 50. Essa se insere em um contexto de uma sociedade sulista conservadora e nos pequenos meandros que conduzem os conflitos da obra, inclusive de Jean com o próprio pai, o que pode parecer chocante para quem leu O Sol é para Todos. No entanto, se engana quem pensa que nossa história ficará presa a críticas políticas, quando na verdade Harper Lee se vale de uma escrita psicológica para entrar nas memórias e analisar a protagonista. É então que nos encontramos com Dill, amigo de infância,  e Jem, seu irmão. Ressalvo ainda a brilhante explanação a sua época da adolescência de Scout e os dramas nela envolvidos. Na fase adulta conhecemos melhor os seus tios e os dramas relacionamentais de nossa protagonista em uma sociedade que cobrava (e ainda cobra) da mulher um casamento bem sucedido, filhos e ser uma boa dona de cada...
Devo dizer que gostei muito de Vá, coloque um vigia, da mensagem por ele passada e da ideia do título, (alerta spoiler: o título se refere à consciência). Achei bastante reflexivo e poético, uma verdadeira análise psicológica. Porém, ainda agradeço ao editor que disse que ela podia fazer algo a mais. Se assim não fosse, talvez não teríamos essas duas belas obras. Lee não escreveu tanto assim, mas o pouco que escreveu falou tudo. Pessoas de poucas palavras, por vezes, são as que mais tem a dizer...
"Na verdade, você pensou: 'não gosto do modo de agir dessas pessoas, portanto não tenho tempo para elas'. Mas é melhor dedicar algum tempo a elas, querida, senão nunca vai crescer." p. 242

terça-feira, 25 de abril de 2017

Riacho de palavras

Resultado de imagem para quadro riachoBrota do solo, do mais profundo, enche-se pela chuva e inunda o mundo. Livros são como água, fluidos, mas perenes. Eles tem existido há tempos, ainda que sempre diferentes. Livros abrem um mundo novo na nossa mente. Uma vez lido, sua mensagem ficará dormente. Para quem sabe um dia despertar. Como botão de rosa desabrochar. E tornar-se em algo vivo. Este é um tributo ao meus amores, os livros. 
Então me dei conta de que nunca contei a história de como entrei no mundo da literatura. Para começo de conversa quero deixar claro que não sou nenhuma expert em literatura e nenhum Machado de Assis. Apenas, como boa brasileira que sou, gosto de ler e busco entrar nesse mundo literário, e não desisto nunca. Desde meus dez aninhos de idade quando peguei-me emprestando um livro extra da biblioteca e folheando os livros das turmas mais avançadas que soube como aquilo me despertava um estranho prazer.
Peguei-me mais uma vez com meu caderninho de poesia divagando na troca de aulas. A alegria sentida ao ler Pedro Bandeira, Moacyr Scliar e Lygia Bojunga se tornava foco de minha curiosidade e prazer. Como dizia Lispector "Não era uma menina com seu livro, era uma mulher com seu amante". O amor pelos livros preencheu minha vida, tudo que eu queria era ler e tentar entender mais o mundo e a mim mesma. Com Augusto Cury descobri o auto-conhecimento; com Jeff Kinney ('O Diário de um Banana'), a dar risada da vida; com Rick Riordan, história e mitologia; e com Dom Quixote e Pollyanna, a nunca esquecer a alegria de ser criança.
Perdi meu sapatinho na escada dos sonhos, mas os livros cheios de esperança me vieram devolvê-lo. Mordi a maçã envenenada da raiva e dor, porém, os livros me deram beijos verdadeiros de amor. Quando menos se espera lições vem a calhar, de pessoas que um dia viveram algo semelhante, que foram também seres errantes. Mesmo quando tudo parece desconexo, a fé na humanidade e a sensibilidade da leitura nos ajuda a ter empatia e continuar o caminhar. Talvez vá me esquecer do nome dos personagens e de detalhes da história de muitos livros, mas a semente que plantaram sempre estará lá.
Para bem ou para mal, a leitura é uma pintura em palavras, abordando Contos de Fadas e da vida amarguras. Quando a tristeza for tudo o que sobrar, quando Policarpo Quaresma for fuzilado, sobrará vermes para roerem sua fria carne e histórias para contar ao pé de seu epitáfio. Quando as noites na taverna forem tão embriagantes que mais nada pareça lúcido, fique calmo, chegará A Hora da Estrela... E no fim das contas, muito amor e esperança.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Pequeno Príncipe

Qual livro escolher em um mês tão importante para literatura infantil senão "O Pequeno Príncipe"? Mas antes de qualquer coisa, porque esse mês é tão importante? É em abril que se comemora o Dia Mundial da Literatura Infantil, mas especificamente no dia 02, no qual nascia o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de A Pequena Sereia, O Patinho Feio dentre outros clássicos. Ainda nesse mês, comemora-se o Dia Nacional da Literatura Infantil, 18-04, data de nascimento de Monteiro Lobato, grande autor brasileiro eternizado por O Sítio do Pica Pau Amarelo. Caso se interesse em saber um pouco mais desse dia, há um ano o Blog apresentou sua história em comemoração a essa data. Tudo isso, para em fim, dizer que precisamos falar sobre O Pequeno Príncipe!

O Pequeno Príncipe
Editora: Geração Editorial
Ano: 2015
Páginas: 160
Idioma: Português 

Sinopse: Um piloto cai com seu avião no deserto e ali encontra uma criança loura e frágil. Ela diz ter vindo de um pequeno planeta distante. E ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam os seus valores e encontram o sentido da vida. 
Com essa história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, e só aparentemente infantil, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry criou há 70 anos um dos maiores clássicos da literatura universal. Não há adulto que não se comova ao se lembrar de quando o leu quando criança. 
Trata-se da maior obra existencialista do século XX, segundo Martin Heidegger. Livro mais traduzido da história, depois do Alcorão e da Bíblia, ele agora chega ao Brasil em nova edição, completa, com a tradução de Frei Betto e enriquecida com um caderno ilustrado sobre a obra e a curta e trágica vida do autor.

Opinião: Saint-Exupéry começa o livro pedindo perdão às criança por dedicar esse livro a um adulto, e elenca inúmeras desculpas para isso, incluindo o fato de que este adulto um dia já fora uma criança. E de fato, se é criança ou adulto, precisa lembrar da criança que é ou já foi para ler e apreciar essa bela obra. Nosso narrador é um piloto tentando arrumar seu avião após um pouso de emergência no deserto do Saara, aonde encontra um pequeno príncipe. Esse pequenino, lhe pede, a priori, para desenhar um carneirinho, porém, nosso autor não se mostra mui talentoso na arte de desenhar, já que como ele menciona na obra, fora desencorajado na infância. 
Ao conversarem sobre suas origens, o Pequeno Príncipe começa a contar-lhe sua história, como havia, afinal, ido parar naquele lugar? Nosso menino vinha de um planeta tão pequeno como uma casa, daqueles que são chamados pelos astrônomos de Asteroide mais um número,e não nome.  Pois, como nosso querido autor diz, Adultos adoram números... "Eles são assim mesmo. Nem por isso devemos lhes querer mal. As crianças precisam ter muita paciência com os adultos."
O planeta do nosso pequenino era cuidado todos os dias por ele, esse mesmo ainda possibilitava que o pôr do sol fosse visto várias e várias vezes de tão pequeno que era, e isso pode ser bom, quando se está triste...O principezinho vai mostrando ao piloto os riscos de ser adulto e só pensar em coisas sérias. Como, por exemplo, menciona um sujeito vermelho que morava num planeta sozinho fazendo contas, sem contemplar estrelas ou viver nenhum amor. Falando de amor, a maior preocupação do pequenino era com o bem estar de sua rosa, única em seu planeta, quem ele acreditava ser a única no mundo.
Um belo dia resolveu visitar o mundo, cuidou dos vulcões de seu planeta, até do extinto, por segurança, e aproveitando uma revoada de pássaros voou além... O primeiro asteroide  visitado era habitado por um rei que buscava exigir de cada um o que cada um podia dar, sua razão era baseada na sensatez. No segundo, havia um vaidoso, quem vivia sozinho e ainda se denominava melhor que todos os outros. Bem, o terceiro foi o que deixou o pequenino mais triste, conheceu um bêbado que bebia para esquecer a vergonha que tinha de ser bêbado. " Os adultos são mesmo muito estranhos, disse a si mesmo ao longo da viagem".No quarto, foi que encontrou o homem de negócios que contava as estrelas pensando que isso lhe fazia dono delas O quinto planeta era tao pequeno que só cabia o um acendedor de lampião, seu trabalho até parece útil ao olhos do menino, se não fosse o fato de que era feito sem parar e para seguir apenas o regulamento: apagando e acendendo o lampião ao nascer e pôr do sol, o planeta girando cada vez mais rápido e o sujeito apenas seguindo-o incessantemente. Qualquer semelhança com a realidade merece reflexão. No sexto planeta, encontrou um geógrafo, quem de nada na realidade conhecia, apenas na teoria... Ao menos apresentou a Terra ao nosso pequeno príncipe.
Terra, sétimo e último planeta que o príncipe visitou, recheada por cerca de 7 bilhões de adultos. A procura de pessoas, no deserto em chegou encontrou uma serpente, uma flor - a qual diferente dos seres humanos criam raízes, uma montanha, várias rosas, uma raposa , um despachante e um vendedor de pílulas destinadas a amenizar a sede para economizar tempo. Quando se deu conta de que sua rosa não era a única no universo e de que seus vulcões não eram grande coisa deu-se a chorar. Então, conheceu a raposa, quem lhe ensinou o significado de cativar e tornar-se único no mundo. "As pessoas já não tem tempo de conhecer nada. Preferem comprar tudo pronto nas lojas. Como não existem lojas que vendem amigos, as pessoas não tem mais amigos. Se quer um amigo, trate de me cativar."
Quase morrendo de sede, o piloto e o príncipe encontram o prazer em um gole d'água de um poço no meio do deserto. Para cada um, depois, seguir o seu caminho e entender o verdadeiro sentido da vida. O Pequeno Príncipe, é um livro doce e singelo, contar-lhe mil vezes e comentar todos os seus detalhes jamais resumiriam o prazer sentido ao lê-lo. Pois bem, lhes convido, leiam, sintam e entendam, porque "O essencial é invisível aos olhos'.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Sim, feminista!- Análise a luz do livro "Sejamos Todos Feministas"-Chimamanda Ngozi Adichie

Há cerca de dois anos abordei esse mesmo assunto, ainda que na época não possuísse tanto conhecimento sobre o tema quanto possuo hoje. Antes de começar a discorrer sobre o que penso agora, acho válido mencionar porque eu me posicionava diferente antes e no que mudei. Sempre detestei tarjas, etiquetas ou qualquer outro tipo de coisa que nos prendam a uma opinião estigmatizada. Admito que ainda tenho certa aversão por isso, mas compreendo a necessidade de se posicionar algumas vezes, mesmo correndo o risco de ser mal interpretada.
Imagem relacionadaEsclarecida de uma vez essa situação, parto para o novo problema a ser abordado: o que é ser feminista, afinal? Nos dias de hoje, o feminismo carrega uma bagagem muito grande, e quando tratamos sobre ele, é preciso deixar os preconceitos de lado. O discurso da feminista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, redigido em forma do livro intitulado "Sejamos todos feministas", resume bem forma que enxergo esse termo  "A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: 'Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar'. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar" .
Entendo o receio das pessoas em tomar um posicionamento, ou ainda daqueles que preferem se abster, mas sabe, ser feminista é algo que só se entende vivendo. No momento em que você percebe que predominantemente as mulheres é quem cozinham ou cuidam em casa (o que nem sempre é por gosto ou prazer), em como são minoria nos altos cargos (principalmente das gerações mais antigas) e que a mulher é extremamente objetificada nos filmes e músicas é que sente o baque. Ouvir as pessoas falando que não contratam mulheres porque elas não dão conta do serviço pesado, e pior, vê-las aceitando isso como verdade é horrível. 
Essas são só algumas situações as quais a mulher passa em sociedade que despertam esse sentimento de que algo precisa ser mudado. Porém, calma, antes que alguém se levante e me chame de mal-amada, frescurenta, geração mi-mi-mi ou qual quer outro termo pejorativo, deixe-me mostrar o outro lado da história.  Os homens, por sua vez, também são atingidos pelo problema da desigualdade de gênero. Essa postura de machão exigida para eles não me parece nada confortável, quantas vezes não ouvi piadinhas sobre meninos que gostavam de cozinhar ou eram românticos? Alguém gosta de ser ridicularizado ou obrigado a se portar de modo desconfortável?  Isso só para começo de conversa, ou seja, só o superficial. Todo esse contexto me deixa extremamente triste, mesmo quando não me atinge.
Ainda na semana passada, no dia da mulher, ouvi uma conversa vinda de dois rapazes que me soou curiosa. Um deles estava indignado com a necessidade das mulheres de se posicionarem como feministas. Fiquei quieta, e mesmo evitando ouvir conversa alheia, o tema me chamou a atenção, portanto permaneci atenta. Logo, este explicou que achava que homens e mulheres eram iguais e não lhe importava quem fazia o serviço no emprego, porque as mulheres podiam fazer até melhor do que os homens, e falou ainda que cada um veste o que desejar. De certo modo achei engraçado, ele quem dizia não entender o feminismo partia da mesma premissa que este. Penso que ser feminista não esteja apenas em ler "O Segundo Sexo" de Beauvoir, livro que me tem feito refletir muito por sinal, postar frequentemente sobre o tema ou corrigir atos machistas ( ainda que esse seja o reflexo prático da interiorização do conceito); Mas está em entender que os seres humanos deveriam ser mais iguais o possível e que não é saudável aceitar condutar agressivas, preconceituosas ou sexistas só por receio ou por um visão cega da realidade. Porém, como feminista que aceito dizer que sou, digo, me interessa mais as suas atitudes e seu pensamento do que se você se intitula como feminista ou não. 
"A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos."-Chimamanda Ngozi Adichie